TEMPESTADE
O céu negro me diverte,
As árvores angustiadas agitam seus mil braços,
Tentam desprender raízes
E fugir correndo da terra condenada
Ao DEPOIS,
Fugir nuas
Pelo meio das ruas
Gritando ARDOR HORROR ASPIRADOR COR
Entre os carros incrédulos,
Deliciados...
O mormaço do dia se refresca na ausência do azul
(resguardado apenas em meus olhos cinzentos)
Mas o muro de chumbo paira
Sobre as pessoas,
Sobre suas cabeças
Sem vontades
Sem loucura
Sem memória da dor
Ou consciência do amor,
Sem a fé explodindo em cada uma das células...
Peço que as vozes em coro se calem
E trovoadas cortam o céu.
Eu contemplo
Com uma gargalhada nos lábios
A chegada do fim do mundo.
E aceito a escuridão.
O céu negro me diverte
- já não disse? –
Porque já morri
E renasci das cinzas...
Porque caminho escuridão adentro
Nos dias de sol insuportável
Enquanto os homens sorriem desavisados
Acreditando no azul.
Eu sei da morte
Dentro de todas as coisas
E sobrevivo só,
Tu insistes em alegar
Que a noite não existe,
Que o raio não caiu...
Tu me acusas
Da ausência de lógica dos corações.
Tu,
Que está morto
E não poderá renascer
Enquanto não aceitar a própria morte.
Eu sorrio da tempestade
Que eu deixei sair de mim
- já não disse? -
E entendo...
Tua razão nunca ascenderá à minha loucura.
Regina Luna.
Gosto mais de céu azul,as tempestades me assustam
Vo[l]tarei!
Regina Luna, vou te confessar a minha tempestade.
Não com tanta diversão. Mas como um abrigo que me deram por uns tempos.
Também conhço a morte. E ela nem é muito feia, quando se tem perto a face mais feia ainda, da tristeza e da dor!
Assim caminho, assim vivo as minhas tempestsdes dos últimos tempos.
Mas como ansei por dias claros!
Beijos
Ailuj, a gente aprende a rir do que parecia assustador mas não é... um dia você vai rir também, querida...
E obrigada pela visita...
Branca, pois é... por isso tudo é que precisamos deixar a morte matar algo em nós para que o novo possa nascer, não? Só a tempestade pode dar lugar à calmaria veradeira... mas é preciso saber esperar que ela passe... e tudo passa.
Beijos, querida.
Quando o sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só...
bjs
Porque esperar
Se podemos começar
Tudo de novo
Agora mesmo...
Quando li o poema, nem observei que era seu, pois é diferente dos que já li; porém, provocante, mas angustiante. Revelaste outra face. Que poeta é vc?
Náthima Danel · Boa Vista, RR 5/4/2008 10:26
parabéns, seu talento é nato! adorei abraços.
Flávio Cardoso Reis · Luziânia, GO 5/4/2008 12:21
Belo texto! Votado.
http://www.overmundo.com.br/banco/tenho-saudades-de-voce
Visite-me.
beijos poeticos.
Regina estou em falta com você,mas hoje além de poder um ler belo texto tenho o prazer de votar na ida do seu trabalho para o banco.Um abraço carinhoso.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 6/4/2008 07:20
Regina,
todos necessitamos de cor, principalmente naqueles momentos em que o cinzento teima em fazer a diferença e piorar os nossos dias.
O cinzento pode não desaparecer mas é possível "enganá-lo". Acrescente cor ao seu dia, faça um rescaldo dessa tempestade... e seja feliz...
Náthima... me senti acuada com a sua pergunta... rsrsrs. Que poeta eu sou? Poeta de alma inteira. Ninguém pode viver em constante estado de paixão... things change... beijos!
Flávio, Júlia, Ilia e Clara, obrigada pela presença e pelo voto. Bjos a todos.
W@nder man,
estou sempre começando tudo de novo...
Mas gosto da cor cinza... o cinza também é uma cor, afinal. E não vou tentar mais negá-lo ou "disfarçá-lo", eu fico bem de cinza também... de repente com uma saia curta e uma sandália de salto alto laranja... que tal?
Fique tranqüilo, a tempestade passou por agora...
Ainda está nublado, mas quando o sol bater na janela do meu quarto, eu sei que é dia de praia... rsrsrs.
Obrigada pela presença...
Beijos.
Então tá... mas sugiro uma saia curta jeans, uma blusa laranja e uma sandália branca... que tal?
rs
bjs.
Luna, querida, boa resposta. O que indaguei, foi de sua capacidade em revelar diferentes faces, as quais me surpreendo. Brilhante a imponência em falar da dor, pois buscamos, de praxe, a alegria, porém, há beleza em tudo que se cobre de poesia. Curvo-me a camaleoa que revelaste.
Náthima Danel · Boa Vista, RR 8/4/2008 18:48
W@nder,
estou na época das sandálias laranjas...
rsrsrs.
Náthima,
Somos todas(os) camaleoas (ões)! Vestindo-nos de diversas cores, a cada momento... algumas nem tão alegres quanto outras, mas precisamos experimentar novos tons, não acha? A vida perderia sua graça se fosse monocromática...
Grande abraço.
Olá Regina!
Li e gostei muito.
Quero aproveitar para convidá-la para um Show em vossa praia:
http://www.overmundo.com.br/agenda/show-do-costa-senna-e-banda
Agradecido
Eu a entendo bem, pois vivo minhas tempestades constantes. De algumas eu já ri, fiz piadas, mas outras me foram terríveis, deixaram-me acuado e duraram tanto, que não me lembrava mais como era a calmaria. Mas tudo realmente passa. Também já morri diversas vezes, e a cada renascer sou uma outra pessoa.
Linda, meus parabens! a poesia em você é inata, você já a trouxe na alma.
Abraços
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