Qunando criança pescava com meus tios e meu avô, lambaris, jundiás, joaninhas, cipó, e outros peixes que nem lembro seus nomes, pois desapareceram bem antes destes.Os rios cristalinos, onde com a mão em concha sua água bebiamos, eram alimentados pelas sanguinhas, e valetas d'água que muitas das vezes mal cobriam nossos pés, mas eram de água pura As lavouras estavam "explodindo" fazendo desaparecer o milho crioulo e o trigo dando lugar para a soja. A tentação de comprar o carro novo ou casa na cidade começarama empurrar os aterros por sobre as "sangas" e pequenas nascentes pois esta só incomodavm as máquinas. Os campos se foram primeiro, se transformando em lavouras uniformes que fascinavam, antes quando o vento deitava o trigo e depois com verde da soja. O mesmo destino trilharam as florestas, remanescentes de mata atlântica que ,aos poucos, deixaram de ser morada de jacús, leão baio,corujas, bugios e se transformaram em ardentes fogueiras que por dias a fio alongavam a tarefa, antes do rei Sol, de aquecer a casa dos nossos quase extintos tatus e das nossas queridas pacas a tal ponto destes virarem bonecos negros de carvão com cheiro de sangue. Era uma época em que tudo podia, e tudo era em nome do "progresso".Era uma época em que o poder era medido por sacas de soja e pelo saldo no BB ( na verdade isso ainda não mudou muito) e se alguém levantasse a voz contra essas barbaridades seria taxado de louco e possivelmente seria internado em algum sanatório. Por que demoramos tanto a despertar??? Por que os grandes canais demoraram tanto a aceitar as verdades que hoje não saem das capas de jornais e das chamadas dos telejornais??? Precisou que as grandes catastrofes acontecessem para ai sim aceitarem como inadÃaveis as medidas de prevenção e redução e sei lá do que mais. Será que reconheceram tarde ou ainda temos tempo de reverter? Não acredito em reversão, e sim em estabilização, o nosso estrago foi muito grande. O que podemos é aprender a não mais duvidar quando a turba por centenas de milhares de horas repetir as mesmas falas pois, ou são loucos mesmos , ou talvez sejam as verdades que mais tarde não possamos mais acatá-las, pois neste plano não mais estaremos, e não falo de eu estar aqui e sim da espécie. Enfim para fechar este desabafo, conclamo aos doidos e sonhadores do meu tipo, para que façam a sua parte, sem esperar que a grande midia lhes diga o que é certo e sim que o façam só por acharem ser o melhor e o mais correto. Economizar água, luz, combustivel, separar seus residuos, reutilizar embalagens, reduzir o consumo, e outras atitudes simples são possiveis e o resultado fara bem a todos. Os lambaris não existem mais, os tatus agonizam, e as florestas estão ai para quem quiser ver, se transformando em grandes lavouras e criadouros de gado e as que, infelizmente, beiram as cidades hoje tem a legislação alterada e passam ao status de Comdominios de Luxo para abrigar a sede consumista de um sistema com cheiro de mofo e já respira por aparelhos. Repensar , é a tônica.
Ubiratan, ... e as pessoas, começam a morrer de calor, além da fome, e da bala que não para,... um abraço, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 12/6/2007 19:08
Valeu Bira!
Congratulações pelo desabafo bem direcionado, fundamentado e propositivo. Teu artigo está na medida certa da proporção entre as emoções que o tema suscita e sua racionalização, assimilação e transformação em uma mensagem assertiva que induz à reflexão e, oxalá, à ação de nós leitores.
Um abraço,
Aldo
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