Recordando o caminho da Arteterapia: É uma prática terapêutica que se utiliza de diferentes recursos expressivos, presentes nas diversas áreas das artes, para facilitar as participantes um contato com seu próprio universo imaginário e simbólico, possibilitando, dessa forma, novas descobertas sobre si mesmas. A utilização destas técnicas facilita o contato com conteúdos inconscientes, propiciando experiências concretas a fim de permitir a elaboração dos conteúdos internos, mesmo que o acesso a estes não se dê ao nível da palavra (verbalmente).
No Brasil, a arteterapia surge com o trabalho de Nise da Silveira em 1946, que iniciou o uso de técnicas expressivas no tratamento de pacientes psicóticos internados no Hospital do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, fundando em 1952, o Museu do Inconsciente. Ao pesquisar sobre as imagens desenvolvidas pelos internos, Nise percebeu que ilustravam a teoria psicanalítica de Jung e decidiu manter contato com o autor, a fim de analisar os materiais elaborados. Jung percebeu que as obras retratadas pelos pacientes de Nise da Silveira remitiam a imagens arquetípicas. Nise utilizava a expressão "Emoção do Lidar". Segundo esta percepção, ao conseguir dar forma às emoções por meio de imagens, representações e simbolizações das visões do mundo; objetiva-se e descarregam-se fortes conteúdos emocionais, reestruturando assim o caos interno da mente.
Em 1970, no Rio de Janeiro, Luiz Duprat Arteterapeuta formado nos Estados Unidos, abriu três grupos de estudo e prática de arteterapia. Ângela Philipini começa seus estudos com algumas alunas deste grupo em 1979, para mais tarde em 1982 abrir o primeiro centro de estudos de arteterapia com orientação Junguiana.
Durante esta época Janie Rhyne aplica os conceitos da Gestalt Terapia ao trabalho com arte e lança o livro “The Art Experience”. Ela enfatiza a atenção no presente, valorizando a atenção para ampliação da confiança na experiência pessoal.
Em São Paulo, no Instituto Sedes Sapientae, Selma Ciornai que estudou com Janie R. e fez formação no Instituto de Gestalt de São Francisco-USA; Inicia o Curso de especialização em Arteterapia com abordagem Gestáltica incluído na listagem de cursos da Associação Americana de Arte Terapia. Seguindo as orientações da professora Selma C. iniciamos a formação que deu origem a este trabalho de arteterapia com este grupo do Núcleo de Atendimento à Terceira Idade do Exército, junto à Policlínica do Exército de Porto Alegre-RS.
Que pensamentos são suporte para esta prática? Por tratar-se de um trabalho prático com Arteterapia em grupo de mulheres, estivemos mantendo uma abordagem centrada nos ensinamentos da Gestalt Terapia fundamentada por Fritz Perls, com um olhar sistêmico. Com base nestes ensinamentos buscamos perceber como o ser humano se coloca frente aos diversos contextos da vida. Acreditando assim, na capacidade que temos em nos reciclar a partir da ampliação da consciência .
Segundo Dr Adalberto Barreto, criador da Terapia Comunitária, sair da dependência para a autonomia é uma forma de estimular o crescimento pessoal e o desenvolvimento familiar e comunitário. A consciência de que as soluções para os problemas provêm do próprio grupo reforça a auto-confiança. Impressionante é perceber o empoderamento que esta abordagem proporciona as interagentes trabalhadas desta forma e este, reforça evidentemente sua auto-estima, colaborando em seus processos de desenvolvimento. Este conjunto de técnicas auxilia o restabelecimento dos seus processos de auto-regulação inerentes à condição saudável. Considera-se a saúde como um conjunto de condições físicas e psico-emocionais que devem interagir de forma a proporcionar melhores condições de vida e convivência felizes.
Todas as pessoas se diferenciam do todo por algumas fronteiras: físicas, emocionais, energéticas e do pensamento. São elas que regulam as trocas que realizam com o meio nos quais estão inseridas. Por exemplo: a nossa pele é uma fronteira de contato que nos conecta e limita dentro do espaço físico. As capacidades de expressão são uma fronteira de contato que regula as trocas nocivas e nutritivas que se estabelecem na convivência com os outros e com o meio. Utilizando o potencial transformador da arteterapia visa-se potencializar nas participantes aspectos saudáveis da personalidade e das relações sociais sadias, ampliando as fronteiras de contato através das experiências vividas no grupo.
Fez-se necessário um olhar ampliado para que se percebesse as participantes além dos grupos, ou seja, inseridas em seus contextos familiares e sociais. Somente integradas ao grupo se poderia servir de “caixas de ressonância” para as necessidades e tempos do grupo. Assim como em um instrumento acústico, tudo que acontece em todas as partes do instrumento interferem no som produzido pelo mesmo. Agindo como caixas de ressonância do grupo de arteterapia, nos colocamos explicitamente como parte interativa do grupo numa relação circular e apesar do papel de facilitadoras, não hierárquica.
Buscou-se restaurar o poder de interferir criativamente nas diversas instâncias da vida, tendo nesta ampliação sua maior ferramenta de restauração e renovação. Estimular uma auto-estima saudável, aumentando a convivência social e a solidariedade através das atividades de arteterapia.
Onde se construiu esta experiência? O Núcleo de Atendimento à Terceira Idade do Exército, é um centro que promove ações que visam melhorar a qualidade de vida dos idosos. Através do atendimento multidisciplinar e da formação de diversos grupos de trabalho voluntário que possibilitam a melhoria nas inter-relações deste público que tem em comum estar inserida direta ou indiretamente às atividades do exército. O período no qual se desenvolveu este trabalho foi de 02/10/2006 à 26/11/2007 com duração de 129 horas.
Durante estes módulos passaram-se um ano e um mês, onde a freqüência dos encontros era semanal, o número de participantes variava entre quatro e dez mulheres adultas maiores de 50 anos. As arteterapeutas envolvidas diretamente no grupo eram duas; com supervisão de uma Arteterapeuta Professora do INFAPA e um Psicólogo Gestalterapeuta.
Quanto à abordagem, a pesquisa está focada na modalidade qualitativa, a qual prevê o “vínculo indissociável entre mundo objetivo e subjetividade” e cuja visão de mundo é ”fenomenológica; indutiva; holística; subjetiva; orientada pelo processo” (McLAUGHIN; CAROLAN, 1992). Desta forma nos despojamos dos modelos acadêmicos engessados para dar espaço a um registro mais pessoalizado, um relato, um estudo de caso.
Quem eram as participantes? Certamente é impossível atender a um pedido que não foi feito. Da mesma forma para que um processo de arteterapia se estabeleça é preciso ter-se claras as demandas do grupo. Com a finalidade de esboçar este perfil, realizamos uma entrevista inicial, para permitir o conhecimento das características das freqüentadoras interessadas em participar, a partir desses resultados constatou-se que:
• 100% dessa clientela era do sexo feminino,
• Suas idades estavam entre 48 e 80 anos,
• Grande maioria de viúvas e divorciadas.
• Nível de escolaridade predominante: primeiro grau.
• A maioria não exerce atualmente função remunerada.
• Algumas apresentavam traços de depressão e ou auto-estima frágil.
• Todas apresentavam problemas de saúde, como pressão alta, reumatismos, doenças do aparelho digestivo, cardíaco e respiratório.
• Mais da metade do grupo trazia problemas psicológicos e afetivos e não estavam em terapia.
• Um pequeno número encontravam em acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas não estavam percebendo as melhoras.
Quais atividades transformadoras da arteterapia utilizadas com este grupo? Expressão Corporal, música, escrita, fotografias, xerox, recortes de revistas, desenhos, tecelagem, colagem com materiais diversos, pinturas, e modelagens.
Através da Expressão Corporal, proporcionamos experiências variadas que levassem as integrantes do grupo a soltar a emoção através do corpo. Trabalhamos inicialmente com os movimentos naturais do sujeito, respirar, espreguiçar-se se utilizando a criatividade e descontração para a busca de novos movimentos.
Visualizações, trabalhos diversos com a respiração, estímulos aos sentidos, técnicas de meditação e atividades de ampliação da consciência corporal. Também foram trabalhados: o esquema corporal, a coordenação motora, os reflexos, noções de espaço, tempo, peso e altura, equilíbrio, organização e reorganização do movimento, através da criatividade de forma individual e coletiva.
Os efeitos da música sobre o ser também foram utilizados, sabendo-se ser esta, indutora de estados e emoções. Tal processo, porém, se dá de forma inconsciente atuando diretamente sobre o sistema nervoso. Trabalhamos com a técnica das Imagens com relaxamentos conduzidos pelas melodias.
Expressão escrita: o foco deste trabalho era o desenvolvimento do pensamento imaginário e simbólico. A descrição das experiências verbais e sonoras, a criação individual e coletiva de novas histórias e as brincadeiras com as palavras e seus múltiplos significados. Trabalhamos com escrita espontânea de forma que as pessoas pudessem criar suas próprias histórias, poesias, versos e contos. Tivemos também a participação de “senhoras poetizas”, que se sentiam muito bem em poderem manifestar o seu talento e percebendo melhor este valor. Esta situação provocou de certa forma um despertar nestas mulheres refletindo em todo o grupo, que quando criava em conjunto percebia que também podia desenvolver esse talento.
Neste trabalho consideramos a interação com os diferentes materiais e na transformação da matéria além de favorecer o surgimento de imagens não intencionais, significativas para a pessoa, permitindo registrá-la. Através das formas, volume, disposição espacial, intensidade de traços ou cores, etc. Promovemos assim, um reconectar-se com os processos de observar, sentir, agir e pensar de modo mais consciente. Focamos tanto a criação de imagens como o trabalho com imagens já prontas de fotografias, xerox, recortes de revistas diversas e outras. Promovemos a feitura de desenhos, tecelagem, colagem com materiais diversos, pinturas, e modelagens. Consideramos os efeitos terapêuticos do fazer artístico sobre o organismo, visto que cada técnica trás uma sensação. Focamos também os cheiros trazidos por elementos diversos e seus efeitos psíquicos e orgânicos.
Durante a preparação deste estágio foram elaborados alguns parâmetros que se considerou como um “Contrato terapêutico”. Alguns dos mais importantes itens tratavam questões de ética (pactos de confiança, colaboração e verdade), respeito, liberdade de expressão na forma de se colocar, valorizando-se aqui o processo pessoal, acima de qualquer estética formal artística. Buscamos não levar em conta conceitos e padrões sociais de beleza. Assim como ficou claro que, sem desconsiderar significados universais das figuras, palavras e gestos, ali seria de uma maior relevância o significado pessoal em relação ao momento pessoal de hoje.
Constituiu-se uma prática recorrente a realização de um relaxamento logo no inicio do encontro, com o objetivo de libertar as participantes das agitações, que roubam a atenção e reconectá-las com suas capacidades, realidades e necessidades presentes. Temos também o propósito de instrumentá-las para terem ferramentas as quais pudesse utilizar-se em situações de difícil concentração ou stress. Geralmente durante esse exercício que melhor se percebe a demanda do grupo naquele dia, para acolhê-la em primeiro lugar.
Atividade principal: ao percebermos o assunto emergente daquele dia para o grupo, desenvolvíamos atividades arteterapêuticas com o objetivo de facilitar a conexão com as ferramentas necessárias para melhor conviver com esta situação ou emoção.
Partilha e fechamento dos encontros: Após a conclusão do trabalho prático, solicitávamos que elas compartilhassem com o grupo, suas experiências e aquilo que o trabalho havia evocado nelas que elas consideravam importantes. Desta troca, se reforçaram os laços de confiança no grupo e a capacidade de resiliência, baseadas na ampliação de suas awareness.
Onde chegamos? Os resultados obtidos a partir destas práticas nos eram demonstrados através do envolvimento crescente das interagentes. Aumento da capacidade de avaliar seus estados no momento dos encontros. O estabelecimento de elos entre o que acontecia no grupo e as suas vidas, ampliando a capacidade de experimentar, ousar e agir mais criativamente em seus relacionamentos intra e interpessoais.
Este grupo pioneiro de arteterapia do NATIEX existe desde 2006, e nele se exploram as potencialidades do indivíduo maduro através da arte, desenvolvemos habilidades físicas e emocionais através de experiências artísticas terapêuticas com técnicas de relaxamento, respiração, imaginação, apreciação e criação. Este trabalho utiliza o princípio de que a expressão artística é reveladora de conteúdos internos do indivíduo, que o faz através de símbolos, livres de crítica e apoiados na aceitação.
Fazemos arteterapia baseadas no ideal experimental do "aqui - agora" e nas relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo, facilitando aos participantes lidar melhor com o cotidiano, com suas alegrias e seus revezes... Muitas vezes ouvimos as participantes compartilharem com o grupo, ao final do trabalho:
• “Eu nem ia vir porque havia me incomodado com a minha filha que não respeita as minhas necessidades. Mas fiz uma forcinha pra me animar e vim... como foi bom ter vindo! Estou saindo bem mais leve do que cheguei!” (A.R. - 72 anos)
• Sempre precisamos estar abertas para a mudança... Deixarmos de ser teimosas e aceitar mudanças que ocorrem todos os dias no mundo de hoje... (L. S. -64).
• Nosso grupo formou uma identidade, entre nós, foram momentos de constantes aprendizados e ensinamentos. Gostaria de ter mais para dividir, se não, continuar como estou... Usar a sabedoria do Japão... Cuidar as palavras que se dirige a alguém e das que não se diz também, afinal todas merecemos carinho e reconhecimento. Quando olho esta casinha que eu fiz sinto-me uma casa sempre aberta para receber e apoiar todos que precisem, porque eu também já recebi e sei o quanto vale!(D. M. – 56)
• Eu estava ficando cada vez mais pra baixo, com meu marido muito doente e sem condições de se recuperar! Nem imaginava que pudesse existir um trabalho como este da arteterapia. Agora com esses encontros eu sei que apesar dos meus 73 anos eu ainda tenho muito pra aprender e pra viver e ser feliz... nem toda a chuva deste mundo me impediria de vir!( C. -73)
Contextualizando as atividades vivenciadas, posso afirmar enquanto Pedagoga e Gerontóloga( Magda F.G. Cunha), que as atividades que o NATIEX oferece estão modificando a vida das pessoas que participam dos grupos que ali são oferecidos.
Senti que a integração da Pedagogia e da Gerontologia com as expressões de vida da Arteterapia facilitaram renascer, nas participantes do grupo, o interesse na busca de novos conhecimentos, do auto-conhecimento e da melhoria da sua auto-estima. O que demonstra que as atividades como gerontóloga interligando informação, artes e expressão corporal muitas vezes apoiadas no lúdico, fazem com que as participantes do grupo deixem de lado sofrimentos e dores, e caminhem para o envelhecimento bem sucedido, com uma melhor qualidade de vida.
Arteterapeuta em formação percebi que, junto das pessoas envolvidas no grupo, estamos construindo uma reorganização destas vidas e estimulando novas práticas e experiências pessoais, que as tornam cidadãs conscientes de suas capacidades e valores. O trabalho não se encerra nesta etapa, porque foi desenvolvido em um curto espaço de tempo, mas houve evidências de que o mesmo pode alcançar maior profundidade quando acontecer por um tempo mais prolongado.
Envelhecer é um fato normal a todas as pessoas que ultrapassam a idade adulta. A chave da vida saudável e feliz está na própria reconstrução de conhecimentos e hábitos, na participação em grupos arteterapêuticos e em aceitar transformar-se e ser feliz.
Arteterapia é um mundo novo que se desvenda somado aos conhecimentos pedagógicos e gerontológicos, mostra para as pessoas participantes a oportunidade de se transformar em pessoas bem sucedidas, saudáveis e felizes.
Como artista plástica (Eliane Barreto) foi muito relevante ver as pessoas retomando suas capacidades de expressão criativa, durante o estágio, através de técnicas de intervenção com arteterapia. Mulheres maduras descobrindo a arte como um meio de reconciliar conflitos emocionais e estimular crescimento pessoal e criando novos vínculos. Assim ampliando a capacidade de aperceber o que se passa dentro e fora de si no momento presente.
Um de nossos maiores ganhos nestes grupos, foi a mobilização de energia e a sensibilização através de atividades expressivas, configurando uma alternativa para o atendimento preventivo e terapêutico em um público que até então não tinha tradição neste tipo de trabalho e que acolheu com sucesso a prática da arteterapia.
Bibliografia:
• Barreto, Adalberto de Paula.(2005). Terapia Comunitária Passo a Passo. Gráfica LCR: Fortaleza-Ce.
• Ciornai, Selma.- Da Contracultura à Menopausa, vivência e mitos da Passagem - Oficina de textos. São Paulo- 1999.
• Ciornai, Selma. Percursos em Arteterapia Vol I -Summus Editorial- 2004.
• Ciornai,S.(1994). Arteterapia Gestáltica: um caminho para expansão de consciência. Revista Gestalt, no3, publicação do Departamento de Gestalt Terapia do Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo.
• Fabietti, Deolinda M. C. F. (2004). Arteterapia e envelhecimento, Ed.Casa do Psicólogo:São Paulo.
• McLAUGHIN, D.; CAROLAN, R. Types of research. In: WADESON, H. (Ed.) A guide to conducting art therapy research. Mundelein: American Art Therapy Association, 1992. p. 53-62.
• Ostrower, F.(1977). Criatividade e processos de Criação. Editora Vozes: Petrópolis,Rio de Janeiro.
• Souza, Otilia Rosangela. Longevidade com Criatividade: Arteterapia com Idosos. Armazem de Idéias, BH, MG
• Tellegen, Therese. (1984). Gestalt e Grupos. Summus:São Paulo.
• Valadares, Ana Cláudia Afonso. Arteterapia no novo paradigma de atenção em saúde mental - Vetor Editora Psico-Pedagógica Ltda. São Paulo – 2004
Parabens e Sucesso !!!
Andre Luiz Mazzaropi
O Filho do Jeca
www.andreluizmazzaropi.com.br
Que maravilha de experiência!
No momento estou lendo o livro de Janie Rhyne, traduzido aqui no Brasil com o título "Arte e Gestalt - padrões que convergem". O presente relato aqui publicado só confirma as ótimas impressões que estou tendo a respeito do que estou lendo e aumenta o meu interesse pela arteterapia.
Sou professor da rede pública municipal de Salvador, na Bahia, e trabalho em ambientes insalubres e de alta tensão social. Nós professores da rede pública precisamos tanto de terapias como esta!
Existem experiências dessa natureza sendo implementadas aqui em Salvador?
Parabéns!
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