Favela, drogas e prostituição. Para muitos, é nisso que se resume o cinema nacional. Triste pensar que grande parcela da população ainda tem essa visão sobre os filmes produzidos aqui.
Eu defendo o cinema brasileiro com unhas e dentes. Não perdemos para ninguém quando o assunto é a qualidade das produções. Temos excelentes profissionais. Não só diretores, mas também roteiristas, diretores de fotografia e atores.
Para esses “pessimitas” que não apreciam os filmes aqui da terrinha, uma dica de filme é o ótimo “As melhores coisas do mundo”.
A história central é de Mano, um menino de classe média alta que está na ânsia para perder a virgindade, acaba de descobrir que o pai é gay e sua melhor amiga é apaixonada pelo professor de química.
O filme trata das dúvidas, aventuras e cotidiano dos adolescentes de forma leve e natural. Não há aquele vocabulário extremamente correto, com todas as palavras sendo pronunciadas com exatidão. E os jovens não são taxados como mocinhos ou vilões, são simplesmente meninos e meninas que erram e acertam.
O mais importante do longa é a verdade que ele passa. Há os meninos que tornam-se babacas na adolescência, a menina romântica independente e até aqueles caras chatos das chapas estudantis aparecem.
Tudo isso é mérito da diretora Laís Bodansky (do excelente "Bicho de sete cabeças"). A cineasta traz discussões como o bullying, relações entre pais e filhos e homossexualidade.
Um dos principais acertos da diretora foi a escolha do elenco, a maioria novatos. Francisco Miguez pode dizer que estreou com o pé direito no cinema, mas quem rouba a cena é Denise Fraga.
Uma das passagens mais bonitas do filme é quando Mano e a mãe estão na cozinha após o garoto apanhar na escola. Sem dizer uma palavra eles consolam um ao outro simplesmente jogando ovos na parede.
Caio Blat como o educador ídolo dos adolescentes faz uma aparição discreta, assim como Paulo Vilhena que interpreta um professor de violão. Mas a grande surpresa do longa atende pelo nome de FIUK.
Sim é estranho eu falar isso. O filme foi gravado quando ele era apenas “o filho do Fábio Jr.”. E para desespero das más línguas, o garoto se sai muito bem como o adolescente aspirante a ator (que ironia!) depressivo. Independentemente de ter se tornado um ícone teen, Fiuk mostrou que tem talento.
Se você não gosta do cinema nacional, não assista “As melhores coisas do mundo” esperando ver um blockbuster americano. O grande trunfo do filme é ser extremamente simples. E assim que ele acabar, você vai lembrar dos seus 15 anos, nas besteiras que fez e naquelas que queria ter feito. Logo depois vai pensar nos seus 50 anos e tentar não errar tanto até lá.
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