(Postado por Pablo)
Não é meia-noite ainda, mas hoje a reflexão chegou mais cedo.
Como se não tivesse nada mais para fazer (e olhe que tenho!), fico a passear pelas palavras de amigos e de estranhos por entre blogs ligados a blogs de amigos e estranhos. Praticamente sem querer, filosofo. Pensava em refletir sobre a palavra, a linguagem, seus limites e suas potencialidades, mas desengana-me a temática. Prefiro trocar de assunto; estou tão libertário hoje. Não vamos falar em prisões.
Para azar das minhas tantas ocupações, por hoje o passarinho de minh’alma me transportou para entre músicas, poesias, crônicas e fotografias virtuais. Hoje fui longe. Ligando-me a tudo isso, os novos parceiros da meia-noite: os blog’s.
Depois de horas diante da tela do computador, percebi que fiz mais do que simplesmente manusear mouse e teclado. Explorar a rede é participar do mundo. É construir, criar, criticar, surpreender-se com o homem, decifrar esfinges, rever posições. Mais ou menos como vestir aquele sempre guardado e adiado para mais tarde chapéu de Indiana Jones e sair a explorar pirâmides, ilhas, cavernas e, mais que tudo, devorar tribos inteiras.
Pulo por entre versos. E vago saudável e irresponsável atrás do nada, perdido no buraco negro do conhecimento. Procuro apreendê-lo mais a fundo, mas sei que a poesia maior do mundo está muito mais em tocá-lo com as mãos e sentir de perto o seu bendito e maldito cheiro de gente.
Mas o cheiro de gente ainda está por aí, na rede, em algum lugar.
(A propósito, a frase mais bonita de Lenine: “Se a rede é maior do que o meu amor, não tem quem me prove“).
Cá na internet, parece que existe uma espécie de entrelaçar virtual que cria pontes e religa culturas, que por si sós, já se ligavam de antes, pois se cruzaram nalgum momento da História. Porém, agora se cruzam de novo, e recruzam, multiplicando possibilidades.
Claro que falo isso com algum cuidado para não parecer que o mundo globalizado é lindo. Hoje não me encontro lá muito apaixonado pelo ser humano. Hoje quero mesmo é que a humanidade se exploda, ora. Não venho exaltar as benesses do mundo global e esquecer que com base no individualismo que lhe dá substância se pode explicar a indigência daqueles que, minutos atrás, estavam a dormir em minha calçada, enquanto deixava meu computador em espera pra ir ali comer um cachorro-quente, no mundo real. É nesse mundo concreto que a fome mostra o rosto.
Apesar de tudo, ainda acho que a essência própria da rede, sua cor, seu sentimento se situam um tanto distantes do estranho lado perverso do homem de carne e osso.
Por aqui só aflora o que é belo.
Ao menos virtualmente, quase não existem mais distâncias físicas e sociais. Aparentemente todos podem chegar onde querem.
Recentemente, meu irmão e eu fizemos um mapeamento de blogs de música alternativa, a lista dos quais adiante repasso aos interessados. Por acaso, deságuo num blog sobre a discografia completa de Violeta Parra. Mais à frente, revejo um blog antigo de world music, de que nem lembrava mais. Democracia? Não, enquanto houver fome, mas meu lado libertário insiste para que eu creia nela mais perto.
Aliás, como disse Chico César, noutra oportunidade, quando ela chegar, “não esperem espetáculo, festinhas de lançamento, tititi, roupinha da moda, videoclipe, óculos de ciclista. Não há tempo, dinheiro, gente nem vontade de fazer essas coisas”.
Sempre pensei longínquo o dia do acesso pleno às culturas de todos os povos. Certamente, naquele dia tão distante, cantariam bem alto nas rádios – para além da feia música americana imperialista – também os sons alternativos, que se fazem no Peru, Nicarágua, Bolívia, El Salvador, Mali, Nigéria, Bósnia e Afeganistão, e também os que fazemos nós, com nossa cara e que, entretanto, desconhecemos.
Hoje vi que preciso repensar a crítica. Talvez o tempo da democracia cultural esteja mais próximo do que eu pensara. Obsoleto, eu é que ainda não tinha me dado conta. Concentrados os meios de comunicação massiva, em mãos promíscuas, precisamos tratar de providenciar formas outras de democracia. Formas nossas.
Formas e não fôrmas, galera: não vamos falar em prisões.
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A LISTA. Dicas para pesquisar. Vá baixando os CD’s disponibilizados, aleatoriamente, e se deixando encantar.
Se possível, compre um HD maior…
1. Um que tenha: http://umquetenha.blogspot.com/
2. Brazilian Nuggets: http://brnuggets.blogspot.com/
3. Cápsula da Cultura: http://www.capsuladacultura.com.br/blog/
4. Buena Musica Social Blog: http://buenamusica-blog.blogspot.com/
5. Perrerác: http://perrerac.blogspot.com/search/label/Inti-Illimani
6. Violeta Parra: http://discosvioleta.blogspot.com/
7. Eu ovo. http://euovo.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rgio%20Sampaio
8. Música Social: http://musicasocial.blogspot.com/
9. JazzyMusic: http://jazzymusic.org/
10. Bolacha Sonora: http://www.bolachasonora.blogspot.com/
11. Abracadabra: http://www.abracadabra-br.blogspot.com/
12. Terrorista Dub: http://terroristadub.blogspot.com/
13. Vila de Patos: http://www.viladepatos.blogspot.com/
14. BR-Instrumental: http://br-instrumental.blogspot.com/
15. Fonalidade Secarrão: http://www.fonseca-nordestinismo.blogspot.com/
16. Durango: http://durango-95.blogspot.com/2006/07/byografia-vitor-ramil.html
17. Feijão Tropeiro: http://feijaotropeiro.blogspot.com/
18. Penca de Discos: http://pencadediscos.blogspot.com/
19. La Cofradia: http://aguantelacofradia.blogspot.com/
20. Música Paraense: http://www.musicaparaense.blogspot.com/
21. Som Barato: http://www.sombarato.org
22. Babe(B)logue: http://babeblogue.blogspot.com/
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