Função Social da Vergonha

Manet
Olímpia (1863)
1
Pablo Capistrano · Natal, RN
25/7/2007 · 286 · 38
 

(Desculpe Nietzsche, mas eu tive que escrever isso)
Nelson Rodrigues foi um grande fazedor de frases. Uma das que eu mais gosto é “Se cada um conhecesse a intimidade sexual dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém”. Na época de Nelson o pudor sexual era um indicativo de um tipo muito particular de sentimento moral: a vergonha.
Irmã da culpa, a vergonha é aquele sentimento devastador e inquietante, que tira teu sono quando você é flagrado fazendo algo moralmente condenável. Na época da minha avó, que também era a época de Nelson Rodrigues, mostrar as pernas era algo moralmente condenável. Uma mulher honesta, decente, não mostrava as coxas. Um vereador holandês flagrado recebendo propina para votar uma lei qualquer pode ser possuído por um sentimento de vergonha tão avassalador, que sua única saída seja o suicídio, mas, pode não dar a mínima se um eleitor o encontra na porta de um Coffee Shop de Amsterdã fumando um baseado turco. No Brasil, a coisa parece que se inverte.
Da mais distante aldeia, até o bairro mais descolado de Nova York; da fazenda mais fria na Baviera, até os mais caudalosos desertos do Iemen; a vergonha é a mãe do homem. Ela é que nos faz humanos.. A vergonha e a culpa são as melhores ferramentas para se formatar um sujeito que não roube, não receba propina e atire na cabeça de alguém. Que não espanque empregadas domésticas em paradas de ônibus e nem bote fogo em um índio de madrugada. Confúcio, que viveu entre 551 e 479 antes da era comum já sabia aquilo que minha Avó me ensinou: “Se conduzirmos o povo por meio das leis e realizarmos a regra uniforme com a ajuda dos castigos, o povo procurará evitar os castigos, mas não terá o sentimento de vergonha. Se conduzirmos o povo por meio da virtude e realizarmos a regra uniforme com a ajuda dos ritos, o povo adquirirá o senso de vergonha e além disso se tornará melhor”. Sem a vergonha e a culpa, os custos que o Estado vai ter para desenvolver um aparato repressivo que coíba as atitudes consideradas moralmente condenáveis são muito altos. Em um mundo no qual a vergonha perdeu o sentido é completamente inútil a existência do Direito. Pior é quando os próprios agentes do Estado, quando vereadores, juizes, policiais, prefeitos e governadores, perdem, em conjunto, a vergonha.
A crise do “moralmente condenável” no Brasil tem, no mínimo, cinqüenta anos. Ela está ligada a transição de um universo rural e aristocrático, fortemente influenciado por uma moral religiosa, para um mundo burguês. O confronto entre a geração da minha avó (a de Nelson Rodrigues) e a da minha Mãe (a de Nelson Mota) marcou esse momento de passagem no final do século passado. Hoje, para muitos pais de família, casar sua filha com um rico canalha é bem melhor do que com um pobre honesto. Hoje, a maior vergonha não é de ser “esperto”. Nos sentimos culpados por não termos dinheiro suficiente. Nossa maior vergonha é a de não sermos ricos, jovens, descolados, bem nutridos. Temos vergonha de não fazermos sexo o suficiente, de não termos os músculos certos nos locais exigidos, de não usarmos a roupa cara da loja de banalidades e de não ter dinheiro para pagar ao colunista pelas nossas fotos publicadas na revista de fofocas.
Abandonamos uma velha moral e não conseguimos ainda encontrar uma moral melhor para pôr no lugar. A crise da nossa vergonha é de conteúdo não de forma. Se há uma função social da vergonha é a de evitar a guerra de todos contra todos e num mundo onde não há verdade, nunca vai ser possível haver paz.

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Saramar
 

Excelente texto.
Nesta época em que os honestos têm vergonha de sê-lo (copiando Rui Barbosa), talvez nossa perdição seja justamente a falta de algum tipo de limite para a anti-ética, para a amoralidade que domina as relações entre as pessoas, a hipocrisia social que permite que os lobos alimentem de sonhos as ovelhas, para devorá-las sob total aquiescência.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 23/7/2007 19:43
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josemendesmendigo
 

Muito bom seu texto.
Em tempos de eventos de realidades - Grande Irmão, etc ou Coliseu Moderno, fico constrangido com a naturalidade de alguns comportamentos humanos. Outro dia em uma edição de um jornal local DN - uma foto de primeira página estampava um motorista com 40 anos de experiência e desempregado. Logo acima a mesma página mostrava um playboy num tremendo carro conversível, ou seja, a falta de sensibilidade é um caminho de mão única pra a invisibilidade da vergonha.

josemendesmendigo · Currais Novos, RN 24/7/2007 10:23
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Carlos Fialho
 

Parabéns, Pablo!
Ótimo texto só pra variar um pouquinho.

Carlos Fialho · Natal, RN 24/7/2007 10:26
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beatriz leal
 

muitíssimo inteligente.

vários parabéns!

beatriz leal · Brasília, DF 24/7/2007 13:14
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angelita
 

Pablo, mais uma vez voce mostra ao mundo o seu valor. Parabéns pelo seu excelente texto. Voce diz uma grande verdade: o que realmente precisamos no Brasil é vergonha na cara mesmo, é aprendermos a ter critérios não só com a escolha dos nossos governantes, mas também com os nossos próprios atos, desde os mais simples como jogar lixo na rua ou levar "souvenir" de onde pudermos, sem o consentimento dos donos.
Parabéns!

angelita · Natal, RN 25/7/2007 07:00
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Higor Assis
 

Pablo.

Muito bom seu artigo, de grande valor e muito bem escrito. Lhe convido para entrar neste texto que tá na fila de votação O pior do Brasileiro é o Brasileiro e tem bastante igualdade com o teu.

Abraços.

Higor Assis · São Paulo, SP 25/7/2007 10:41
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FILIPE MAMEDE
 

Bom dia Pablo, acompanho seus artigos no jornal. Que bom que você os trouxe pra cá também. Só uma pequena dica quanto à diagramação. É bom dar uns espaços entre os parágrafos, só pra agilizar o texto. Finalizando, excelente artigo. Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 25/7/2007 10:51
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zepereiranoticias.blogspot.com
 

Gostei do texto. A despeito de toda a minha sem-vergonhice.

zepereiranoticias.blogspot.com · Belo Horizonte, MG 25/7/2007 10:57
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Adroaldo Bauer
 

A funcionalidade do dito popular roubar não é vergonha, vergonha é roubar e não poder carregar acabou de ser extinta. Mérito do texto, que percebe um rei nu.
Sempre pensei que assim se dizia no meio do povo para promover a vergonha e impedir o roubo, porque não há crime perfeito, sabe-se.
Agora, nestes tempos, quando os crimes não recebem punição, há o recurso e o decurso de prazo, primos do jeitinho, e perde-se a vegonha, sinal desses tempos que descreves, então roubar, mesmo sem poder carregar, em malas arrecadadas de fiéis ou em cuecas de infiéis, tanto faz, passou a ser promoção de caráter.

Macunaíma, o herói sem caráter, como ficou conhecido (que alguns insistem em dizer mau caráter, em erro crasso) ficaria envergonhado dos tempos por ti descrito.

Tem o texto grande qualidade ao examinar o tema.
E tem também, a meu juízo, a fragilidade de carregar ao conjunto todo a senvergonhice descarada de partes, que as há, com absoluta identidade ao que examinas.

É sabido que a ideologia, e também a moral e os costumes, em relação de influência uma com a outra, é imposta às sociedades humanas por quem nelas as domina.

Apenas uma nova moral, um novo costume fruto da prática e da investigação criteriosa das possibilidades dos dominados é que vai poder inaugurar de fato uma conduta em que a vergonha sirva para emancipar a todos, libertar do medo, da opressão e promover o humano desde um ponto de vista não iníqüo, justo portanto.

Vergonha na cara, já!
É uma boa máxima, mas não rompe a dominação imposta pelas relações de produção, que ao fim e ao cabo são as que determinam as relações sociais, promovem as leis de gérson e o farinha pouca meu pirão primeiro.

A placidez da dama de Monet nos assegura que a vergonha existe e pode ser bela e que a senvergonhice está em outras partes.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 25/7/2007 11:51
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carol de trancinhas
 

Votei.Ótimo o seu artigo, muito bem articulado.

carol de trancinhas · Brasília, DF 25/7/2007 13:49
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Pedro de Oliveira
 

Pablo,

muito inteligente e perspicaz.

enriquece e muito o overmundo, parabéns!

abraço,

Pedro.

Pedro de Oliveira · Brasília, DF 25/7/2007 13:51
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Eva
 

Pablo, parabéns pelo texto.
Só senti falta da palavra "vergonha" nas tags.
Abraços.

Eva · Santo André, SP 25/7/2007 14:12
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Joao Eduardo
 

Grande Pablo,

Como sempre, seus textos são muito bem elaborados e nos acrescentam bastante. Alem de nos deixar instantes de reflexao. Já havia lido esse seu texto em outra oportunidade, mas valeu muito a pena "ler de novo"! abracoo!!

Joao Eduardo · Natal, RN 25/7/2007 14:39
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Joca Oeiras, o anjo andarilho
 

Amigos:
Até pensei em escrever no overmundo comentando sobre uma nota que saiu numa coluna social de um Diário de Teresina. Dizia que um ex-deputado (do qual não revelava o nome) não tendo sido reeleito, agora era visto no sapateiro, e não na loja de calçados finos, isto é, que, tendo perdido ass mordamias do cargo agora estava sei lá, pobre. O fato de não revelar o nome da figura me chamou a atenção, pois trata-se, obviamente, de um escarneo. Mas se o cara, após ter sido deputado, retornou a seus padrões anteriores de consumo não seria um elogiável indício de que não meteu a mão quando deputado? Para o colunista, no entanto, vergonha é não ter roubado o suficiente, o trouxa.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras, PI 25/7/2007 15:21
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B.Cardoso
 

Gostei do texto, um panorama bem interessante.
Parabéns.

B.Cardoso · Curitiba, PR 25/7/2007 16:44
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Lígia Saavedra
 

Olá Pablo!
Seu texto fala claramente do descaramento político-social por que somos obrigados a passar e pergunto-lhe: -"Aonde estão a ética e a moral? Cada vez mais longe de quem teria a obrigação de usá-las e dissiminá-las, nos fazendo passar, cada vez mais por" bobos da corte", a nós que colocamos esses sêres, lá, no poder.
Muito obrigada por nos lembrar mais uma vez disto.
Um grande abraço marajoara.

Lígia Saavedra · Ananindeua, PA 25/7/2007 17:47
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Helder Dutra
 

...Batuta rapaz....ótimo texto, mas também vou na dica do Mamede: um espaçamento entre os parágrafos deixa o texto quase que com pernas próprias...ele corre mais ainda...

Helder Dutra · Rio de Janeiro, RJ 25/7/2007 18:56
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Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A
 

Bom, não li metade dos comentários acima. Por isso corro o risco de estar repetindo algo já dito – aliás, corremos esse risco diariamente.

Pablo, os argumentos são bastante convincentes. Entretanto, fico encucado com essa história de que a moral-do-tempo-da-minha-avó-era-mais-certa e outras coisas. Sei lá, falta de vergonha vem de muito tempo. Vem dos gregos, dos romanos. Na Idade Média, os padres católicos não tinham muita vergonha de praticar simonia.

Vem daí a dúvida: cara, é de hoje mesmo que os políticos perderam a vergonha?! Vocês têm certeza disso? Pra mim, que, bem ou mal, venho estudando um tantinho de história do Brasil desde muito tempo, esse papo não corresponde à verdade. Ao menos, não à verdade que os livros de história encerram. Se é que existe, de fato, alguma verdade neles.

Outra coisa: a função social da vergonha pode ser moralmente questionável. Afinal, você tem vergonha de quê? De andar nu, por exemplo. Por quê? Porque fomos educados para sentir vergonha disso. Vejam só, andar nu nem pode ser algo muito ruim. Adoro andar nu em casa e, se ninguém se incomodasse, andaria na rua também. Mas, na rua, corro o risco de ser preso. Outros, por sua vez, não andariam simplesmente porque têm vergonha do olhar do outro. Têm peitos grandes, bunda pequena, pau minúsculo etc. Têm vergonha, e isso é, sem sombra de dúvida, uma grande besteira.

Vocês entenderam? Por trás da vergonha – beijar em público, fazer sexo na frente dos filhos, vestir uma roupa mais descolada etc – pode haver um baita preconceito, uma verdade cristalizada. Uma moral sempre prontinha para condenar aquilo que mereça a vergonha de todos.

O caso do político que rouba não tem muito a ver com vergonha, mas com impunidade. Claro, alguém pode dizer: mas ele rouba porque é um cara-de-pau, não tem vergonha de ser achincalhado nas ruas. Tudo bem, quanto a isso não restam dúvidas. Agora, acredito, ele é tão crente em que ficará livre de quaisquer embaraços judiciais que, no final, nem tem tanto tempo para pensar em vergonha.

Bom, era isso.

Henrique Araújo - Grupo TR.E.M.A · Fortaleza, CE 25/7/2007 19:28
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Felipe Obrer
 

Parece que os alemães chamam a genitália de "partes da vergonha", vai ver que é porque quando ficamos com vergonha, e de cara vermelha, o sangue não desce pra lá.

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 25/7/2007 19:35
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Rangel Castilho
 

Ainda que concorde com tudo que disseste, acho que teu texto não tem a ver com o conceito do site.

Quer DIVULGAR um show? Vai acontecer um evento legal? Use a Agenda.Se quiser indicar uma festa que só acontece no dia 17/7, publique na Agenda.

Se for publicar algo de periodicidade fixa - como uma festa semanal -, o lugar indicado é o Guia.

Fez uma música legal e não tem onde lançar? No Banco de Cultura você pode publicar filmes, CDs completos, livros, teses, arte eletrônica, coleções de fotografias etc. etc.

E não confunda: em geral, se o texto É literatura, vai pro Banco.

Se o texto é SOBRE literatura, vai pro Overblog.
Quer falar SOBRE um show? Escreva no Overblog.

PS - Desculpe meu lado caxias.
Mas alguém tinha que falar...

Rangel Castilho · Anastácio, MS 25/7/2007 20:53
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Benny Franklin
 

Salve, Pablo!
Texto com a clareza dos sóis de nossas tímidas vergonhas.
Perfeito.
Abçs. Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 25/7/2007 21:39
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André Gonçalves
 

eu gostei.

André Gonçalves · Teresina, PI 26/7/2007 07:49
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Renata Araújo
 

reproduz exatamente a sociedade na atualidade, seus valores, ou melhor, a falta de valores!!!
Parabéns !!!

Renata Araújo · Fortaleza, CE 26/7/2007 10:43
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Felipe Obrer
 

Entendo o gostar, já que também votei no texto ainda na fila de votação. Mas o que a gente às vezes esquece é a questão do foco do Overmundo. O que o Rangel falou é pertinente. E necessário. Num descuido, o site pode se encher de coisas que não tratam de cultura brasileira, mas sim dão pinceladas gerais sobre temas universais (mesmo que sejam bem escritos, o propósito do site não é o mesmo que o de um blog comum, mas sim específico, dedicado a "desencavar" fatos, pessoas, lugares em que a manifestação cultural está com a voz abafada ou o fotograma opaco).

Abraços,
Felipe

Felipe Obrer · Florianópolis, SC 26/7/2007 10:44
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Alex Costa Lopes
 

Ótimo texto, Parabéns!

Alex Costa Lopes · Cuiabá, MT 26/7/2007 14:22
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crispinga
 

Vergonha para mim é termos eleito e reeleito um Presidente da República incompetente!

Vergonha tenho das "autoridades", depois do segundo desastre aéreo, no mesmo aeroporto, da mesma companhia, terem-se manisfestado só após 7 dias do ocorrido, deixando milhares de brasileiros acampados em aeroportos, sem informação, sem um pedido de desculpas, sem conforto, sem indenização.

"Vergonha de, em pleno século XXI, acharem (alguns homens) que futebol é palco essencialmente masculino". Nossa seleção feminina de futebol acaba de derrotar os USA por 5 contra 0! Medalha de Ouro no Pan!

Ao mesmo tempo, uma Ministra declarar publicamente " Relaxa e goza" diante do caos aéreo.
Vergonha é o descaso das nossas autoridades com
a Saúde e a Educação...
Com os sem teto...
Com os sem comida...
Com os sem nada...
Muita vergonha!
Cris

crispinga · Nova Friburgo, RJ 26/7/2007 14:34
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Nivaldo Lemos
 

Paulo Capistrano,

antes de tudo, parabéns pelo texto. No que tange a minha compreensão, todavia, estou com o Adroaldo Bauer, cujo comentário assino embaixo. E digo mais: embora muitos não percebam, a crise ética não é só brasileira, mas global. E suas raízes são históricas e profundas, fincadas – como lembra o Adroaldo – nas relações de produção (capitalistas) que levam à progressiva dissolução dos valores essenciais à formação de uma boa consciência moral, quais sejam: justiça, honradez, espírito de sacrifício, solidariedade, integridade, generosidade. E, conseqüentemente, ao gradual abandono dos sentimentos evocados por estes valores: admiração, amor, contentamento, vergonha, culpa remorso, cólera, dúvida, medo.

Do ponto de vista dos valores, portanto, a ética – e não apenas a vergonha e a culpa – exprime a maneira como a cultura e a sociedade definem para si mesmas o que julgam ser o mal e o vício e, como contrapartida, o que consideram ser o bem e a virtude. Por conta disso, dessa relação intersubjetiva e social, a ética não pode ser alheia ou indiferente às condições históricas e políticas, econômicas e culturais da sociedade, como bem lembrou nosso querido amigo Adroaldo em seu preci(o)so comentário.

Por último, estranho aqui que alguns amigos (como Rangel Castilho e Felipe Obrer) tenham protestado contra o texto como sendo impróprio para publicação no Overmundo (no Overblog?). Ora, como é que o texto não tem a ver com o conceito do site? Para mim, ele (o texto) é não apenas petinente como está no local certo (Overblog). Afinal, a discussão ética é de extrema não apenas cultural, como social e política. Pelo menos, assim a compreendo. Portanto, mesmo respeitando opiniões contrárias, defendo sua publicação.

Um abraço e parabéns, Paulo, pelo ótimo artigo.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 26/7/2007 17:15
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Andre Pessego
 

Pablo, "Eu quero ver o dia que povo virar fera também". Este dito
é atribuído a um Prof. Ingles falando ao abolicionistas brasileiros em meados do Sec. XIX. O que houve é que as feras estão por todo lugar. O passado, nosso foi violento. A prostituição infantil, data de 1500. O casar com o rico, com o afortunado, com o importante fez com que metade das mulheres na America Latiana, por mais de 400 anos se casasse com velhos. A falta de vergonha nas Américas tem a sua idade.
- Muito valido o artigo enquanto estudo dum ramo da ciência, muito boa a reflexão, porém como artigo puro. Comparar a sociedade brasileira é barra. um abraço, andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 26/7/2007 17:35
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Rangel Castilho
 

Nivaldo, meu querido, uma lida com maior atenção no PARTICIPE, no AJUDA e nos 10 mandamentos, muito bem bolados sobre o Oermundo, e voce acharia que até seu comentário ficou fora de propósito.
E só pra lembrar: a crise ética a que voce se refere "que levam à progressiva dissolução dos valores essenciais à formação de uma boa consciência moral, quais sejam: justiça, honradez, espírito de sacrifício, solidariedade, integridade, generosidade. E, conseqüentemente, ao gradual abandono dos sentimentos evocados por estes valores: admiração, amor, contentamento, vergonha, culpa remorso, cólera, dúvida, medo", é a mesma crise ética que quer se instalar aqui. Que acha ter direito de publicar o que quiser, onde quiser, só por ser bem feito, bem articulado.
Me desculpe a sinceridade, mas é a famosa carteirada: voce sabe com quem está falando?

Rangel Castilho · Anastácio, MS 26/7/2007 17:43
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Nivaldo Lemos
 

Rangel,
não entendi a carteirada. Você se refere a mim ou a você? Creio que não é a mim, pois não tenho qualquer relação com alguém no Overmundo, exceto afinidades culturais. Sequer conheço pessoalmente qualquer participante deste saudável bate-papo, a não ser, repito, de leituras, publicações e comentários. Quanto a ler as seções PARTICIPE e AJUDA, confesso que li apenas a primeira, por não senti necessidade de ajuda ainda. E, pelo que você me diz, preciso retornar lá, pois parece que não entendi o que li. Na minha compreensão, o Overblog é para publicação de textos gerais, sobre assuntos diversos que tenham relação com o Brasil e a sociedade (veja o que diz a seção PARTICIPE: Overblog - "Publique aqui reportagens, ensaios, críticas. É como uma revista cultural[grifos meus]. Pode até anexar fotos, vídeos e músicas."). Por isso, desculpe-me, mas se o texto em questão não se enquadra nisso, aí eu realmente não entendi o que li e peço-lhe desculpas também por me solidarizar com o autor.

Finalmente, quero lhe dizer que não é do meu feitio alimentar polêmicas inócuas, portanto não o farei aqui. Aliás, esta nunca foi minha intenção.

Receba meu cordial abraço.

Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro, RJ 26/7/2007 18:14
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Adroaldo Bauer
 

Vergonha é Madame Surfistinha dar carão na TV Globo.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 27/7/2007 13:23
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Pablo Capistrano
 

Bom, inicialmente eu queria agradecer a gentileza dos comentários e a força de quem votou no texto.
me dexa muito feliz saber que um artigo desse tipo pode ter sucitado tantas reflexões e questionamentos.
alguns pontos eu queria deixar mais claro:
1. a minha idéia não é que os valores antigos são melhores que os novos, a minha idéia é que estamos em um período de transição entre uma moral de base religiosa que dominava o Brasil até a segunda metade do século passado e uma moral laica, que ainda não conseguiu se implantar totalmente.
O Henrique está correto quando diz que a vergonha pode ser questionada, lógico, o conteúdo da vergonha varia, e acho que é nosso papel pensar sobre o que é realmente interessante ter vergonha, mas o que eu acho que não muda é a vergonha como sentimento moral que parece existir em todas as formas de sociabilidade.
2. Concordo com o Nivaldo quando ele diz que a crise de valores é global, curiosamente a mesma situaçaõ que o Brasil vivenciou outros paizes vivênciaram, só que em épocas anteriores. Estava lendo sobre o mesmo processo na Alemanha , no dinal do século XIX. Essa parece ser uma crise de transição para um sistema capitalista que exige um tipo laico de base moral para se justificar (daí a idéia de alguns que o protestantismo europeu, abriu caminho para um mundo laico e coisa e tal);
3. Peço desculpas se eu não postei o artigo no local certo, e confesso que tenho problemas em ler regulamentose acabo me fiando mais no comportamento dos outros internautas, não senti que meu texto fosse muito fora do contexto do Blog. Acho que ele é literário, como escrevo em jornal, busco formar um híbrido de artigo e crônica.
um abração.

Pablo Capistrano · Natal, RN 28/7/2007 18:59
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Adroaldo Bauer
 

O capitalismo tardio que se realiza de fato no Brasil após uma meia modernização conservadora inciada em 30, impulsionada em 50, aparelhada em 70, desconstituída de seus nexos públicos pela privatização neoliberal dos 90, não substitui a moral religiosa, ainda.
Religiosidade que abençou esse torrão na primeira missa, benzeu o sabre que cortou a carne macia do gentio, justificou pela conversão a escravidão das pessoas caçadas da liberdade em África e para aqui trazida a ferros para o gozo senhorial.
E nem essa modernização tacanha, que ainda preserva o latifúndio improdutivo para manter a fome entre as populações miseráveis dos centros urbanos fixa relações sociais diferentes das que se realizam até hoje herdadas do patriarcado colonial que remanesce no Brasil profundo, nos grotões e, quem diria, em todas as catedrais, sejam religiosas, sejam do consumo.
A vida, aí, vale muito pouco.
Está na Constituição brasileira: ela é de igual valor que a propriedade privada.

Então Capistrano, o que a vergonha poderia importar nessa relação.

O credo na idéia sobre a vergonha,
determinada pela moral, conferente da ética,
essa determinada objetivamente pelas relações de produção dominantes, só vigora se há o sentimento de que a vida vale mais que a coisa.
E se há compreensão de que a pessoa não é força de trabalho coisificada e o fruto da produção de todos não serve à apropriação privada de uns poucos.
Aí ter-se-á noval moral, determinada por novas relações.
Nada vale o que a vida vale e se vencermos enquanto humanidade e mantivermos o planeta para nossos herdeiros é porque vencemos juntas todas as pessoas que estão na terra para o bem.
Então não será necessária a vergonha, mas o orgulho justo da condição humana.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 28/7/2007 19:31
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joão hortencio
 

Olá Pessoa, só agora é q estou lendo o artigo do filósofo Pablo Capistrano, q pro sinal, o admiro bastante. Aproveito para dar-lhe meus sinceros parabéns e tecer alguns comentários.
Li quase todos os que aqui opinaram; q bom!!! é um espaço democrático! Compreendi , sim, o que o Pablo colocou no seu texto; apenas, gostaria de pontuar q a vergonha e/ ou a falta desta, bem como os demais sentimentos q permeiam a alma humana não é obra deste ou daquele século ou da formação econômica -social. Na minha modesta opinião´o ser humano já nasceu degadado, aliás, costumo dizer aos meus amigos, parentes e aderentes, QUE O SER HUMANO É UM PROJETO FALIDO DE DEUS. Vamos ver se estou com a razão???
Segundo a doutrina católica, Deus fez o paraiso e depois o ser humana.Acredito q deve ter se arrependido por tê-lo feito-, porém , não é de seu feitio desfazer suas obras. Então, tentando savá-la, deu-lhe o paraiso, proibindo-lhe apenas de comer de um tal fruto proibido. E o que fez o homem??? foi desobediente e foi comer justamente o q não poderia . Resultado: pecou , sacaneou o Criador. Depois, , o casal teve dois filhos, tendo um deles assasinado o irmão por pura inveja. Estão vendo como tudo vem deste o princípio??? Mas vamos em frente. Depois de desmantelarem o planeta , passando por "N" covardias e sacanagens, resolve Deus dar mais uma chance a raça humana, enviando-lhe seu único filho para salvar a raça que foi criada poe Ele. lembram o q fizeram com o cara??? perseguiram, trairam, falaram horrores, chegaram até a desconfiar da sua masculinidade,uma vez que Jesus não era casado até os 33 anos, e as más línguas já comentavam o porquê dEle(Jesus) so andar com homens.
Achando pouco, o condenaram a morte pregando-o numa cruz; antes , o torturando e o humilhando como quizeram. Então eu pergunto a vocês, meus caros leitores: não é de hoje nem de séculos passados que o homem é rui,, nem tampouco por causa de modo de produção esse ou aquele. É a ESSÊNCIA DA RAÇA HUMANA

joão hortencio · Pedro Velho, RN 3/8/2008 15:30
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joão hortencio
 

Olá Pessoa, só agora é q estou lendo o artigo do filósofo Pablo Capistrano, q pro sinal, o admiro bastante. Aproveito para dar-lhe meus sinceros parabéns e tecer alguns comentários.
Li quase todos os que aqui opinaram; q bom!!! é um espaço democrático! Compreendi , sim, o que o Pablo colocou no seu texto; apenas, gostaria de pontuar q a vergonha e/ ou a falta desta, bem como os demais sentimentos q permeiam a alma humana não é obra deste ou daquele século ou da formação econômica -social. Na minha modesta opinião´o ser humano já nasceu degadado, aliás, costumo dizer aos meus amigos, parentes e aderentes, QUE O SER HUMANO É UM PROJETO FALIDO DE DEUS. Vamos ver se estou com a razão???
Segundo a doutrina católica, Deus fez o paraiso e depois o ser humana.Acredito q deve ter se arrependido por tê-lo feito-, porém , não é de seu feitio desfazer suas obras. Então, tentando savá-la, deu-lhe o paraiso, proibindo-lhe apenas de comer de um tal fruto proibido. E o que fez o homem??? foi desobediente e foi comer justamente o q não poderia . Resultado: pecou , sacaneou o Criador. Depois, , o casal teve dois filhos, tendo um deles assasinado o irmão por pura inveja. Estão vendo como tudo vem deste o princípio??? Mas vamos em frente. Depois de desmantelarem o planeta , passando por "N" covardias e sacanagens, resolve Deus dar mais uma chance a raça humana, enviando-lhe seu único filho para salvar a raça que foi criada poe Ele. lembram o q fizeram com o cara??? perseguiram, trairam, falaram horrores, chegaram até a desconfiar da sua masculinidade,uma vez que Jesus não era casado até os 33 anos, e as más línguas já comentavam o porquê dEle(Jesus) so andar com homens.
Achando pouco, o condenaram a morte pregando-o numa cruz; antes , o torturando e o humilhando como quizeram. Então eu pergunto a vocês, meus caros leitores: não é de hoje nem de séculos passados que o homem é rui,, nem tampouco por causa de modo de produção esse ou aquele. É a ESSÊNCIA DA RAÇA HUMANA

joão hortencio · Pedro Velho, RN 3/8/2008 15:30
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joão hortencio
 

que por sinal, FEDE de tanta maldade. O que está errado não é em si o modo de produção socialista ou o capitalista, mas , O SER HUMANAO na sua gêsene. Pelo menos é esta a minha concepção. Gostaria que todos os que quizerem postem seus comentários, só assim a discussão será cada vez mais interessante. Forte abraço para todos e muitos parabéns para meu conterrâneo , o grande filósofo Pablo Capistrano.

joão hortencio · Pedro Velho, RN 3/8/2008 15:36
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joão hortencio
 

Olá Pessoa, só agora é q estou lendo o artigo do filósofo Pablo Capistrano, q pro sinal, o admiro bastante. Aproveito para dar-lhe meus sinceros parabéns e tecer alguns comentários.
Li quase todos os que aqui opinaram; q bom!!! é um espaço democrático! Compreendi , sim, o que o Pablo colocou no seu texto; apenas, gostaria de pontuar q a vergonha e/ ou a falta desta, bem como os demais sentimentos q permeiam a alma humana não são obras deste ou daquele século ou da formação econômica -social. Na minha modesta opinião´o ser humano já nasceu degradado, aliás, costumo dizer aos meus amigos, parentes e aderentes, QUE O SER HUMANO É UM PROJETO FALIDO DE DEUS. Vamos ver se estou com a razão???
Segundo a doutrina católica, Deus fez o paraiso e depois o ser humana.Acredito q deve ter se arrependido por tê-lo feito-, porém , não é de seu feitio desfazer suas obras. Então, tentando savá-la, deu-lhe o paraiso, proibindo-lhe apenas de comer de um tal fruto proibido. E o que fez o homem??? foi desobediente e foi comer justamente o q não poderia . Resultado: pecou , sacaneou o Criador. Depois, o casal teve dois filhos, tendo um deles assasinado o irmão por pura inveja. Estão vendo como tudo vem deste o princípio??? Mas vamos em frente. Depois de desmantelarem o planeta , passando por "N" covardias e sacanagens, resolve Deus dar mais uma chance a raça humana, enviando-lhe seu único filho para salvar a raça que foi criada por Ele. lembram o q fizeram com o cara??? perseguiram, trairam, falaram horrores, chegaram até a desconfiar da sua masculinidade,uma vez que Jesus não era casado até os 33 anos, e as más línguas já comentavam o porquê dEle(Jesus) só andar com homens.
Achando pouco, o condenaram a morte pregando-o numa cruz; antes , o torturando e o humilhando como quizeram. Então eu afirmo a vocês, meus caros leitores: não é de hoje nem de séculos passados que o homem é ruim, nem tampouco por causa de modo de produção esse ou aquele. É a ESSÊNCIA DA RAÇA HUMANA

joão hortencio · Pedro Velho, RN 3/8/2008 15:43
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Adroaldo Bauer
 

João Hortêncio,
Sendo tu uma pessoa, tens então a essência que declaras.
Em desacordo contigo e com tua muita ou pouca fé na versão bíblica que descreves, repiso:
Apenas uma nova moral, um novo costume fruto da prática e da investigação criteriosa das possibilidades dos dominados é que vai poder inaugurar de fato uma conduta em que a vergonha sirva para emancipar a todos, libertar do medo, da opressão e promover o humano desde um ponto de vista não iníqüo, justo portanto..
O desacordo ainda é saudável conduta frente ao neo-niilismo galopante, esses tempos de nada nunca prestou e faça nada que tudo vai dar errado.
Se nada se faz, remanesce a exploração e a iniqüidade, sobrenadam os de cima, como sempe, fruindo do melhor e do bom e deixando aos de baixo, as demais, a maioria, a sua pestilência e ruinade do lado decá das grades.

Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 3/8/2008 15:54
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