Por Alessandra Paim
Jornalista
“Deus foi muito bom pra mim, sempre nos momentos que mais precisei, ele colocou pessoas maravilhosas no meu caminho.” A vida é uma só, e tem que fazer aquilo que agente ama, não consigo me ver fazendo outra coisa que não seja a música”, Gabriel Sater.
Com simplicidade e carisma, Gabriel Sater conta do gosto pela música e das experiências que teve durante toda sua trajetória musical até os dias atuais. Não escondendo sua paixão pela música, Gabriel Sater segue a linha musical como seu pai, Almir Sater. Numa família repleta de músicos, e acompanhando a vida musical do pai desde a Infância, não foi difícil decidir o rumo que tomaria sua vida.
Iniciou sua carreira como Instrumentista com o seu 1° CD, conquistando o público com Melodias Pantaneiras. Incluindo, Choros, Chamamé, Polca Instrumental, Tango, Valsas, Bossa Nova e muitos outros ritmos.
Por se intitular como um “Músico Eclético” ouve dos mais diferentes ritmos e estilos musicais, acaba complementando certos sons em suas composições. Resultando nessa mistura gostosa da Música Brasileira com a Contemporânea, sempre valorizando a Música Regional Sul- Matogrossense.
Gabriel conta que desde 2007 ele trabalha seu repertório, mesclando com canções instrumentais, pois sentia a necessidade de cantar. Com um novo Arranjo Musical Gabriel quer quebrar o Paradigma de ser conhecido apenas como Músico Instrumental.
Explica com orgulho e admiração as influências musicais que obteve com o seu Mestre Cristiano Kotlinski e grandes feras do cenário musical. Convidados por Gabriel Sater para fazer parte desse seu novo trabalho, seu 2° CD “A Essência do Amanhecer”. Vencedor do Prêmio Pixinguinha, oferecido pela Funarte, representando o Mato Grosso do Sul vem para Campo Grande lançar o seu CD, mostrando para a sociedade do MS o que há de tradicional e moderno, com a música que vem sendo produzida no Brasil.
Paulista mas com o coração pantaneiro, Gabriel afirma que está fazendo a sua parte, levando a Cultura Sul-Matogrossense para fora, exportar essa riqueza tão valiosa para outros lugares ter a oportunidade de conhecer o que MS tem de melhor no que diz respeito à música. Fala da admiração e do respeito que tem pelo Almir pai e pelo Almir músico, procurando seguir os passos de seu pai, Tanto na sua carreira musical, quanto na pessoal. Para quem quiser conhecer mais sobre a carreira e sucessos musicais do cantor,acesse o Space de Gabriel: http://www.myspace.com/gabrielsater
Confira a entrevista completa sobre a vida de Gabriel Sater, como músico, filho e como pessoa:
INÍCIO DA CARREIRA
Gabriel Sater: "Comecei a estudar violão aos 15 anos de idade com professores locais: Paulo G e o Antonio Porto (Toninho Porto). Acabei mudando para os Estados Unidos, (1998) e morei lá 1 ano.Voltei para o Brasil ainda mais decidido que queria mexer com música, mas, ainda com um certo receio,de como é o mercado brasileiro e hoje em dia como as coisas estão muito difíceis.
Enfim, mesmo gostando muito da música, tinha aquele medo,mas com o tempo percebi que cada vez mais o que eu queria fazer da minha vida era aquilo mesmo, não me via fazendo outra coisa.Eu fazia cursinho,e chegou uma hora que eu matava as aulas de cursinho para tocar meu violão,numa sala de aula,escondida no fundo,rs.Chegou um momento que não tinha mais como ficar mentindo para mim mesmo,foi natural,mesmo enfrentando toda as dificuldades no começo segui em frente.Graças à Deus, meu pai, assim com ele é , uma pessoa fantástica , me ajudou em diversas formas.Tanto naquele primeiro incentivo, ele dizia: “Não meu filho, vamos lá, faça o que você ama, vou te apoiar, não quero que você perca tempo na sua vida, apenas faça o que ama,faça de verdade, não importando o que seja,e faça bem feito.”
Então além de tudo isso, eu tenho ma responsabilidade muito grande que é trazer o nome da minha família comigo. Meu pai, tio, tia, primo, quer dizer, uma família grande musical e eu tenho que chegar a esse nível. Sempre me preparei muito para encarar esse desafio frente à frente".
COMPOSIÇÕES
Gabriel Sater: "Meu trabalho é baseado na Cultura Musical Sul-Matogrossense, eu bebo dessa fonte, dessa raiz, assim como minha família, meu pai, eu gosto muito dessa musica mesmo. Meu 1º trabalho foi um trabalho instrumental, eu estava num momento instrumental no ano de 2006. Apenas estudando alguns instrumentos, até pensei em estudar fora do País, mas acabei optando por ficar no Brasil e continuar estudando com meu Mestre Cristiano Kotrinsk, que é meu Mestre até hoje.
Kotrinsk é um músico excepcional, eu particularmente acho o melhor violista do Brasil e também a nível Internacional. Aprendi muito com ele.Portanto, meu trabalho sempre foi dessa fonte e é claro, respeitando o tempo que estou.
Sou uma pessoa extremamente eclética, um músico que escuta do A ao Z. Da escola Brasileira, Africana, O Jazz, a Flamenca, escuta de tudo, e com isso acaba influenciando nas minhas composições. E meu intuito sempre foi trabalhar com as minhas próprias composições".
MUSICALMENTE FALANDO
Gabriel Sater: "Nós temos um ritmo diferenciado do resto dos Países, compassos Ternários e 6x8 e pro Brasil é diferente, eles encaram deu uma forma diferente, da gente é mais natural, sempre composições rítmicas e unir melodias que eu já ouvi. Nisso acaba virando uma Música Pantaneira Contemporânea mesmo. As pessoas podem ouvir isso mais ouvindo, do que eu explicando.
Deixando bem claro que é do Tradicional Sul Mato-Grossense até o mais Moderno".
INSPIRAÇÕES MUSICAIS
Gabriel Sater: "São tantas... Meu Pai sem dúvida alguma, meu Mestre Cristiano Kotlinski, essas duas pessoas foram extremamente importantes no começo musical. Aqui no Estado têm muita gente boa, como: Paulo Simões, Família Espíndola, Guilherme Rondon, João Fígar, sempre admirei muito ele cantando, ficava fascinado com a interpretação dele, artista fenomenal. Delio e Delinha, Marcelo Loureiro, grande instrumentista, Jerry Croa, Mandioca Loka, Filho dos Livres, Marcos Assunção que ganhou o Prêmio Pixinguinha junto comigo. Também a Evelin Lechua, não se esquecendo do Poeta Fernando Dandrea, meu parceiro, compôs até com o Manoel de Barros. Ele têm mais de mil premiações em inúmeros Festivais, as pessoas ganharam com a composição dele, é uma pessoa que ainda é desconhecida pelos Sul-Matogrossenses.Mas é um poeta que está há 30 anos trabalhando em cima da sua poesia,da sua composição. Eu tenho muita satisfação em ser parceiro dele, e agora com essa nova geração está começando a beber dessa fonte e fico muito feliz em ver isso. È preciso cada vez mais divulgar esses valores que ainda estão “escondidos”. Precisamos exportar nossos valores para outros lugares".
TRABALHOS RECENTES
Gabriel Sater: "O mais recente foi o Prêmio Pixinguinha. Eu tive o privilégio de ser contemplado com o Projeto Pixinguinha, é um prêmio voltado a fazer 1 CD e uns números de shows na Capital. Eu me propus a fazer esse CD e esses três shows. Campo Grande será agora dia 15, dia 30 em Corumbá e talvez dia 31 em Três Lagoas ou Bela Vista.
Agente quer pegar outros lugares do MS, em lugares que ainda não tocamos. Com o Prêmio Pixinguinha eu consegui fazer o meu CD. Que falo que é o CD dos meus sonhos, porque eu consegui colocar em prática aquilo que eu havia pensado há anos, que é gravar com Sexteto de Cordas que é muito difícil de fazer, por falta de recursos mesmo".
CULTURA MUSICAL SUL- MATO-GROSSENSE
Gabriel Sater: "É uma cultura muito rica, eu sempre falei que o MS tem sim uma música única nessa parcela, dentro da Música Popular Brasileira. Porque todo mundo que conhece a nossa música lá fora, ficam fascinados com o nosso ritmo, polca, chamamé,comentam que música agradável, gostosa de ouvir.
E isso agente tem que divulgar meu trabalho lá fora é isso poder divulgar essa cultura, esse repertório que ás vezes aqui já está batido, mas lá fora ninguém conhece".
COMPARANDO A MÚSICA DE 10 ANOS ATRÁS COM A MÚSICA DE HOJE. O QUE MUDOU?
Gabriel Sater: "Uma grande mudança na Música Popular Brasileira foi a Introdução da Tecnologia da Música. Cada vez mais estão trabalhando com a Tecnologia. Apreciam a música brasileira com fusão com a Eletrônica. E a música regional Sul- Mato-grossense tem hoje muita influência com o Rock Moderno, com Tetê, Geraldo Rocca e outros profissionais que estão na mesma linhagem,explorando a nossa raiz,mas sempre respeitando o tempo que eles vivem.
E com a Globalização ficou muito fácil você captar sons do mundo inteiro. è bom e ao mesmo tempo não é, pois tem o lado que pode massificar muito o nosso som e se tornar imperceptível, dificuldade de assimilar o que é som, se tornando um muito parecido.tem de ponderar".
PROJETOS
Gabriel Sater: "Eu penso em fazer um projeto só com as músicas daqui, uma reeleitura de músicas Sul – Matogrossense. Com a imensidade do nosso Brasil, não podemos deixar as pessoas não ter o conhecimento da cultura da nossa terra".
COMPONENTES
Gabriel Sater: "Bem, trabalho da seguinte maneira: tenho minha Banda Oficial, Mas como em São Paulo não consigo levar minha estrutura daqui, há uma equipe lá que dá o maior apoio. Banda: Denílson Mancha ( Baixista), Igor Campos (Violão e Voz), Mário Pólito ( Piano), Guto ( Batera) e o Sanfoneiro Capim, que é daqui do MS.Eu, Gabriel, violão e voz".
GABRIEL SATER NO EXTERIOR
Gabriel Sater: "Ano passado eu tive o privilégio de representar o MS em Munique
(Alemanha), Milão (Itália), Barcelona (Espanha) e Lisboa (Portugal).
Em Lisboa onde eu tive o privilégio de cantar e as pessoas e as pessoas entendiam as melodias pantaneiras, e isso eu achei muito bacana. Inclusive, estamos trabalhando para fazer o Lançamento do CD novo lá em Portugal.
As pessoas gostam muito da nossa poesia, independente de conhecer a melodia ou não, eles gostam de ouvir. E na Europa eles têm um padrão musical bem interessante".
MÚSICA NO BRASIL X MÚSICA NO EXTERIOR
Gabriel Sater: "Como tive um contato muito rápido, num evento específico, difícil ter uma visão geral. Mas a fama da Europa consome muito bem a Música Brasileira. Eles gostam de produtos que quanto mais qualidade, melhor".
ALGO QUE MARCOU MUITO PARA GABRIEL SATER
Gabriel Sater: "Recentemente, tive o privilégio, estava acabando o meu CD e coincidiu na mesma época a gravação do DVD do Elpídio dos Santos- Compositor de inúmeros sucessos, inclusive “ Casinha Branca”, “ Dor da Saudade”, muito conhecido no Vale do Paraíba.Diversos artistas regionais divulgam o Elpídio.Inclusive, na novela das 18h o cantor Daniel canta, “ Casinha Branca”.
E fui convidado a integrar esse DVD, até como músico, participando da Banda com todos os artistas que foram convidados: Renato Teixeira e Filhos, Zé Geraldo, Zeca Balero, Fafá de Belém, Gabriel Guedes e muitos outros talentos convocados para a gravação desse DVD. Então esse momento foi muito importante pra mim. Fazer parte desse DVD é um orgulho do músico Sul-Matogrossense que é poder levar ainda mais o nome do Pantanal".
ÁLBUNS
Gabriel Sater: "1º CD foi um CD Instrumental, realizando o sonho, acredito de todo músico, gravar o 1º CD como artista independente. Gosto muito desse CD, não por ser o 1º mais foi uma experiência muito importante pra mim, como processo pessoal, como músico e como pessoa. “E a música mais pedida pelos fãs foi “amores para a vida inteira” e” Turunino”, um chamamé que é muito bacana também.Inclusive, foi um chamamé que na época estava tocando no RJ com o Jerry Croa, dei uma canja no show do Jerry e toquei “Turunino” e várias pessoas naquele bar chique da cidade, aplaudiram de pé.E eu estava no começo da minha jornada, fiquei muito emocionado de ter aquela resposta tão calorosa.E foi ali que senti a 1° idéia de como gravar o material. Gosto também de “ Choro Pantaneiro”, foi um choro que descobri com um amigo de SP, que ninguém tinha gravado e eu gravei e também teve uma resposta positiva.Essa música é uma mistura de fusão do ritmo ternário da gente com a harmonia brasileira,então resulta numa fusão interessante.
Desse CD novo, trabalhei nove canções e três temas instrumentais, gostei de todas, com se fosse meus filhos, rs. Gosto muito também de “ Sonhos de Aço” com parceria de Chico Teixeira, “ Recuerdos” que é uma polca instrumental, “ Cada Diferença”, tem uma temática incrível, fala da diferença do ser humano, que temos que aprender a respeitá-las. “ Corixo Vermelho”, é um tema bem moderno, inspirado na cultura musical mineira e muitas outras canções que gravei com grandes profissionais".
ALMIR SATER...
Gabriel Sater: "Ele é tudo pra mim. Antes de ser o Almir Sater artista, ele é meu pai, aquela pessoa que sempre está do meu lado, sempre que tenho qualquer dúvida eu tô ligando pra ele. Procuro sempre seguir os passos dele na humildade, na forma como lidar com a música, na sinceridade com os nossos fãs.
Eu perco meu dia, quando as pessoas falam coisas que não falei, isso me deixa muito chateado. Eu sei o respeito que tenho com meus fãs, ao meu público Sul-Matogrossense, todas as pessoas que sempre me incentivaram.
E tudo que meu pai tem de bom, eu tento pegar o melhor de tudo isso e captar a essência dele. Um super pai, que quem conhece ele, sabe o coração que ele tem".
UM ÍDOLO, MANIA, REALIDADE ...
Gabriel Sater: "Duas pessoas importantíssimas na minha vida, que considero com meus ídolos: minha mãe e o meu Mestre Cristiano Kotlinski. A minah eterna paixão, sem dúvida, é minha música e também o Pantanal.
Tenho mania de falar no telefone andando, rsrsrs... e também trocar a noite pelo dia.Inclusive, o nome do CD a “ Essência do Amanhecer” é, justamente por isso, eu compus o CD amanhecendo, até às 9h da manhã,passei seis meses assim.
A minha realidade é esse trabalho que esperei tanto pra chegar a esse resultado final".
GABRIEL SATER DEIXA SUA MENSAGEM...
Gabriel Sater: "Nunca desista de seus sonhos. Quando alguém chegar em você e dizer que você não vai conseguir.Você vai lá e prova que você é capaz".
Fontes de Pesquisas:
www.myspace.com/gabrielsater
www.gabrielsater.com
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