Jogo Cênico discute comunicação e consumo em Alagoas

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Tati Magalhães · Maceió, AL
28/5/2006 · 83 · 0
 

Na verdade, os atores em cena não estão representando nenhuma peça, e o público não é composto por (meros) espectadores. Também não há um palco, mas uma relação direta com o espaço de apresentação. Logo, o público é convidado a manter o celular ligado, a comer, a interagir. Percorre as salas do prédio, e em cada local, um jogo diferente: pode ser uma dança, um toque, um diálogo.

Trata-se do mais novo espetáculo - melhor definido como jogo cênico - da Associação Artística Saudáveis Subversivos, grupo criado há cerca de cinco anos em Alagoas com a proposta de transgredir as fronteiras da linguagem teatral, utilizando todas as possibilidades de interação nas artes cênicas, visuais, fotografia, vídeo, enfim: tornando-se um espaço de criação multireferencial.

O jogo em questão intitula-se Não Tenho Palavras, e foi concebido coletivamente por um grupo de 15 pessoas como forma de discutir a relação entre os meios de comunicação e o consumo, em um trabalho de pesquisa que já vem sendo realizado há algum tempo pelos integrantes da companhia. Para atuar no espetáculo - se é que podemos nos referir dessa forma - foi realizada uma seleção pública com alunos do curso de formação do ator da Universidade Federal de Alagoas.

?É um jogo porque há a participação da platéia, e aproveitamos o argumento para construir as cenas, adaptando-as ao local de apresentação?, conta um dos seus idealizadores, Flávio Rabêlo, destacando o caráter mutante da proposta. Caso venham a se apresentar em outro local, as encenações deverão ser modificadas de acordo com o espaço disponível e, a cada espetáculo, o texto é modificado.

A exploração das possibilidades de construção do projeto pode ser conferida no espaço virtual, onde se deu parte das discussões para sua idealização. Esse processo teve início em março deste ano, e o Diário de Bordo que mostra os avanços na sua concepção pode ser conferido no blog do jogo ou na comunidade do Orkut, que também leva o nome do espetáculo.

Não Tenho Palavras estreou no final de novembro, e fará suas últimas exibições (?) amanhã e sábado, no Cenarte (antiga sede da Secretaria Estadual de Cultura), no Centro de Maceió. Devido à proposta do trabalho, o público (?) é limitado ao número de 30 pessoas dispostas a embarcar na viagem.

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