José Álvares de Azevedo nasceu na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império, em 08/04/1834.
De família tradicional do Império, cego de nascimento e de grande inteligência e vivacidade, foi enviado à Europa para estudar no Instituto Real dos Jovens Cegos de Paris, onde permaneceu por longos seis anos.
Nessa época o sistema de escrita revolucionária de Louis Braille, posteriormente denominado de Sistema Braille, estava começando a ser experimentado.
O jovem José Álvares de Azevedo retornou ao Brasil em 1850 com o propósito de difundir o Sistema Braille e com a ideia fixa de criar uma escola nos moldes da instituição parisiense, para atendimento aos cegos como ele, e que pudesse alcançar às pessoas menos favorecidas.
Articulado, publicou matérias em periódicos sobre as possibilidades e condições das pessoas cegas poderem estudar. Logo Álvares tornou-se professor do Sistema Braille, tirando do analfabetismo inúmeras pessoas cegas, dentre elas uma moça, Adélia Sigaud, filha do Dr. Francisco Xavier Sigaud, médico francês naturalizado da Corte Imperial.
Impressionado com a evolução da filha nos estudos do braille e vislumbrando a possibilidade de se criar uma instituição de ensino para cegos, o Dr. Sigaud levou o jovem professor José Álvares de Azevedo para uma entrevista com o Imperador do Brasil, D. Pedro II.
O Imperador ficou sensibilizado com a demonstração da leitura e escrita por um cego e prontamente concordou com a ideia de se criar uma escola para cegos, semelhante à escola de Paris, tendo delegado poderes ao jovem professor a ao Dr. Sigaud para desenvolverem o processo para criação dessa instituição.
Criou-se o Imperial Instituto dos Meninos Cegos, cujo ato de inauguração ocorreu em 17 de setembro de 1854. Porém, nem tudo foi alegria naquele dia. José Álvares de Azevedo, o grande idealizador da instituição para cegos no Brasil, havia morrido seis meses antes, em 17 de março de 1854, vítima de tuberculose, com apenas vinte anos de idade.
O Doutor Xavier Sigaud, tornou-se o primeiro diretor do Instituto.
O Imperial Instituto dos Meninos Cegos passou a denominar-se Instituto Benjamin Constant (1891), em homenagem ao seu terceiro diretor.
A semente lançada lá atrás por José Alvares de Azevedo em sua rápida passagem por essa vida, germinou e continua dando frutos. Atualmente o Instituto Benjamin Constant é um centro de referência, a nível nacional, para questões relativas à deficiência visual. Além da escola, capacita profissionais da área da deficiência visual, assessora escolas e instituições e oferece reabilitação física.
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