Música do Sul e a fraca visibilidade nacional

Foto: Douglas Kirscinsky
Músicos do Sul do Brasil procurando um lugar ao sol
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Galáxia · Brusque, SC
1/8/2016 · 1 · 0
 

Quando você pensa em algum compositor ou banda do sul do Brasil quais nomes lhe vem a mente? Difícil chegar a mais de cinco? O que acontece que os músicos dos estados de RS, SC e PR raramente conseguem projetar seu trabalho para outros estados brasileiros? Ou talvez a questão possa ser colocada de outra forma: por que músicos do sudeste e nordeste encontram meios mais eficazes de tornar o seu trabalho de caráter "nacional"?

Falamos isso (e cabe aqui esclarecer que quem lhes fala são músicos catarinenses) porque ao longo de nossas carreiras, nós e a maioria dos nossos colegas, nunca conseguimos expandir e divulgar nosso trabalho para além das fronteiras dos nossos estados.

Seria por que somos músicos iniciantes, que lhes falta "estrada", longa carreira e obra? Não, músicos catarinenses - para ficar em um exemplo - como os da banda Dazaranha possuem longa carreira e obra, já foram convidados para o brazilian day nos EUA, mas raramente conseguem tocar fora de SC e ter seu trabalho divulgado nacionalmente. Logo, não se trata de tentar "por o pé na estrada" com seu trabalho "debaixo do braço". Há algum outra forço atuando para que a situação se conforme dessa maneira.

Talvez, possa-se pensar que músicos sulistas produzem sons excessivamente regionalistas. Notadamente não, pois existem muitas bandas de blues, rock, reggae, pop, punk etc nos estados do Sul. Existem rádios importantes na região especializadas nesses estilos. O público para esse tipo de música é muito expressivo na região vide os festivais que lá são organizados, mas que - infelizmente - privilegiam "shows nacionais", de bandas renomadas, sem promover qualquer espaço nessas grande "vitrines" da música para os músicos locais.

Então podemos finalmente apelar para a ideia de que a música produzida no Sul é de qualidade inferior. Difícil dizer isso. Como avaliar e comparar produções culturais com o mínimo de bom senso e crítica? Seria possível apelar para tradição de alguns estilos em determinadas regiões? Acreditamos que não!

Mas qual seria a explicação?

Nos parece que o problema é de ordem mercadológica. Quer-se dizer com isso que há no sudeste e nordeste um hiperconcentração das redes de produção e difusão fonográfica que privilegia produções locais, quando não internacionais. Ou seja, sob a ótica do mercado da música e entretenimento, vale divulgar e investir naqueles poucos nomes que podem resultar em maiores somas de lucro. Certamente, há no sudeste e nordeste também um "peneira muito fina" que impede artistas locais de chegarem a ter seu trabalho divulgado e incentivado nacionalmente. Contudo, esse efeito é ainda maior no sul do Brasil, onde, atualmente, a projeção nacional de músicos e bandas é praticamente "zero".

Finalizando, reconhecemos que a Overmundo proporciona esse importante espaço para discutir a questão da produção cultural no Brasil e nos permite fazer essa crítica. Gostaríamos de ouvir daqueles que tiveram paciência de ler esse breve texto até aqui, quais são suas opiniões a respeito. Talvez possam nos ajudar a explicar essa situação a partir de outros pontos de vista.



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