A recente reunião técnica em Paris pelo IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança do Clima), patrocinada pelas Nações Unidas, bateu martelo sobre a irreversibilidade das mudanças climáticas no planeta e sua relação de causa e efeito com as atividades humanas para manutenção de altos níveis de consumo, em especial de combustíveis fósseis nos chamados países desenvolvidos.
Para quem acompanha por dever de ofício a questão ambiental há vinte anos é impossível deixar de lembrar os pioneiros do ambientalismo e seus alertas sobre a trajetória da Terra na direção do esgotamento dos recursos naturais.
Homens visionários, como José Lutzemberger e outros, aqui no Brasil, foram de início, tratados como despreparados e “catastrofistas” pelo pensamento científico, político e econômico predominante à época do início de seu alerta ecológico na década de 70 do século XX. Mais tarde, os militantes do movimento ambientalista, crescido e consolidado politicamente, receberam apelidos pejorativos tais como “eco-chatos” e "eco-xiitas”. Hoje, as comprovações de seus posicionamentos são várias e reconhecidas globalmente.
A própria discussão técnico-científica sobre as mudanças climáticas estendeu-se por muitos anos, retardada pelas dificuldades deste tipo de investigação e pelos interesses dos países envolvidos. Afinal, não é difícil identificar o constrangimento internacional gerado pelo debate sobre a correlação notória entre o chamado “desenvolvimento” e o uso intensivo de recursos não-renováveis; entre a pobreza e a manutenção de extensões significativas de natureza preservada.
Sendo assim, uma das possíveis respostas à pergunta “o que posso fazer a respeito?” que sempre nos vem à mente quando somos bombardeados pelo noticiário sobre o ambiente em crise, parece ser: podemos parar um minuto, ouvir sem preconceitos aqueles que questionam o modelo consumista da sociedade atual e refletir sobre como nossas práticas de profissionais e de cidadãos podem influenciar as decisões sobre o modelo de desenvolvimento que desejamos para o nosso mundo e o mundo do tempo dos nossos descendentes.
Admitir e pensar a respeito de um problema, por mais complexo que ele pareça, é a primeira e indispensável condição para arranjar uma maneira de enfrentá-lo.
Meus agradecimentos ao Nivaldo Lemos, do Rio de Janeiro, que sugeriu o reencaminhamento deste artigo para esta seção.
Aldo
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