O Mal, a Política e a Santa Economia.

Rosina Villela. Foto publicada no site olhares.com em 17/09/2006
Contraste social
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Alex Vander · Rio de Janeiro, RJ
8/4/2007 · 51 · 0
 

“Muitas culturas, com ou sem razão, se sentem ameaçadas pela ofensiva de um assalto global uniformizante e desvalorizador”.
Assim escreveu com clareza Carlos Fuentes em seu livro “Contra Bush”.
É verdade. A exacerbação do “ocidentalismo” gerada pelas conseqüências do atentado de 11 de setembro de 2001, além de ampliar o abismo cultural, que apesar da globalização continua uma realidade, reforçou aspectos que, em nossos dias, pensávamos superados.
A resposta político-militar, desastrosa e açodada, inibiu a verdadeira e acertada resposta, que deveria ser sócio-econômica, mais sensível às causas reais e mais profundas do atentado. Observação esta valida, também, para as relações internas aos estados, como o caso da violência nas grandes cidades e no campo.
O que seria o chamado “fim da história”, preconizado por alguns, foi na realidade o florescimento de um novo começo ou, se preferirem, de uma nova história.
Isso, porque a crise em que o planeta mergulhou por conta da aventura tresloucada da “luta contra o terror” favoreceu, também, à busca da consolidação de blocos regionais emergentes, como o Mercosul, por exemplo, dando outra dinâmica às relações internacionais.
Além disso, favoreceu ao resgate de valores ancestrais, como a língua, os sentimentos tribais e outros valores “históricos” que podem se configurar em graves problemas atuais que merecem especial cuidado, haja vista a Revolução Bolivariana na Venezuela, a volta de Daniel Ortega, na Guatemala e as inquietações tribais na Bolívia e no Equador, para ficar, quem diria, só na América latina.
Não obstante essa ameaça às conquistas democráticas já alcançadas, existe o aspecto positivo do resgate dessas culturas ancestrais, como a pré-colombiana, nas Américas, valorizando uma das culturas mais espetaculares da história mundial que, uma vez resgatada e entendida, pode jogar luz sobre as nossas origens a ponto de nos aproximarmos mais de nós mesmos e, conhecendo-nos melhor, ajudarmo-nos melhor.
Também dentro desse quadro, o fundamentalismo islâmico, levado ao extremo desde o desencadear das respostas de Bush ao desastre do WTC e o surgimento de “pontos fortes” de resistência à política norte-americana, como o Irã e a Coréia do Norte, além do próprio Iraque e Afeganistão, são sintomas maiores do abismo que se está criando, prenunciando um hiato no processo da globalização, principalmente nos campos políticos e sociais, justamente onde se espera que os efeitos da globalização sejam mais positivos e, por isso, a onda globalizante está em cheque e segue sendo questionada na sua forma de condução.
Nesse contexto, o papel da economia cresce de importância, pois para resgatar o sócio-político ferido pela crise mundial, somente medidas de efeitos benéficos em escala global podem dar novo rumo à humanidade, por meio de uma aplicação mais humana e aglutinadora dos mecanismos econômicos, permitindo que os povos mais pobres, as tribos e os famintos da terra tenham acesso ao trabalho, à moradia, à saúde e à educação.
Impossível? Talvez? Mas esse é o preço a ser pago pela nossa geração, pela vindoura e, principalmente, pelos “donos do poder econômico”, se os homens quiserem viver em um mundo habitável. Parece utópico, mas pode acontecer se começarmos, desde já, a humanizar a prática econômica, reduzindo as desigualdades abismais entre os povos e entre seres humanos dentro de uma mesma sociedade.
Santa economia! Mas até que cheguem esses tempos dourados..., preparemo-nos para viver grandes emoções.

Alex V. L. Costa
03/04/07

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