A banda Ode ao Canalha realizou show na Rua da Cultura no último dia 29. Às 21 horas, o palco montado no Mercado Thalez Ferraz foi o cenário de sua apresentação. O projeto Rua da Cultura, inaugurado em setembro de 2002, ocorre todas as segundas-feiras e incentiva o trabalho dos artistas sergipanos.
Formada em agosto de 2005 com influências de samba e rock, o grupo se apresentou para um público aproximado de 300 pessoas. Com exceção de “Deusa urbana” (do novo disco de Caetano Veloso), a banda apresentou um repertório com outras onze músicas próprias, entre elas “A fila” e “Da cama ao chão”. Após o show, os integrantes foram parabenizados pessoalmente por alguns expectadores.
Para Lindemberg Monteiro, coordenador do projeto Rua da Cultura, o contato entre o público sergipano e os artistas locais é essencial para a cultura do Estado. “O sergipano não reconhece sua identidade cultural”, diz, “pois a cultura produzida em nossas terras não alcança o grande público. O mercado para o músico sergipano ainda é muito restrito. A Rua da Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura, tenta ampliar um pouco esse espaço”.
Lindemberg aponta as dificuldades para se competir com o mercado externo. “São produtos que chegam ao cidadão com uma forte estrutura de divulgação através da TV, rádio ou jornais”. E, sobre o papel da mídia local, ele acrescenta: “deveria haver uma preocupação maior com o que é produzido em Sergipe, devido inclusive à Lei Municipal de Incentivo à Cultura, de autoria do atual prefeito Edvaldo Nogueira. Apesar disso, eu vejo que temos tido avanços e acredito que em breve a situação melhore ainda mais”.
Rafael Oliva, vocalista da Ode ao Canalha, admite a importância da cooperação entre os músicos locais. “Ainda não temos contato com muitos grupos, mas sabemos da importância de haver um diálogo entre nós”, ele diz. Entre as bandas citadas estavam Naurêa e Almanaque of Emotions Band.
Após ter lançado algumas músicas pela Internet, a Ode ao Canalha se prepara para lançar seu primeiro EP. Allen Alencar, guitarrista da banda, fala que sobre a distribuição do disco, que deve estar pronto em março desse ano. “O EP foi construído de forma independente e custeado pelos integrantes”, diz Allen. “Ainda não sabemos sobre a tiragem, mas a venda deve ser feita nos locais dos shows”, completa. Após a apresentação, o produtor da banda, Caio Berbet, mostrou o esboço da capa do disco para Rafael, Allen, o baixista Diogo Menezes e o baterista Ravy Bezerra.
Na mesma noite, também se apresentaram as bandas Artigo 12 e Guerreiros Revolucionários, que comemorava o seu oitavo aniversário. Além disso, foi exibido num telão o curta-metragem “Poesias Capilares”, da diretora sergipana Andrezza Poconé. O filme foi premiado como o melhor vídeo sergipano pelo júri oficial do último festival Curta-SE, realizado em abril de 2006.
31 de janeiro de 2007
José Fernando Silveira Pires Júnioré estudante de jornalismo da UFS
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