*Un Convention Off Axis Network
Em artigo publicado no site "Live Music Exchange", Jeff Thompson analisa os diferentes festivais independentes pelo mundo e exalta o caso do Brasil, onde uma rede de bandas e produtores formou uma fértil cena artística.
Jeff Thompson explica o conceito por trás da Off Axis Network, uma proposta de rede de músicos, produtores e locais por todo o Reino Unido, com modelo da rede brasileira Fora do Eixo. A rede almeja o empoderamento de músicos iniciantes com o desenvolvimento de um sistema nacional para “troca de shows” na qual músicos podem construir um lastro, que possibilitará que toquem por todo o país.
Ao longo dos últimos quatro anos, a "Un-Convention" trabalhou extensivamente com as bases e artistas independentes, produtores, selos de gravação e festivais. Nós rodamos por 41 eventos, procurando por novas formas com as quais artistas podem desenvolver suas carreiras na moderna indústria musical. Há eventos ocorrendo ao redor do mundo todo, da Austrália à Índia, e da África à América do Sul.
Nos esforçamos para pegar os melhores modelos práticos de redes de música independente ao redor do mundo e aplicá-las a novos mercados visando a criação de oportunidades para artistas. Nos últimos anos temos sido imensamente influenciados pelo circuito cultural do Fora do Eixo, no Brasil. Essa é certamente uma iniciativa altamente inspiradora que fez o setor de shows independentes no país causar inveja no mundo.
O Fora do Eixo nasceu de um problema comum a artistas independentes: encontrar público fora de suas cidades natal. Em face a isso, um número de coletivos de diferentes cidades se juntou com a meta de circulação de artistas.
A premissa é simples o suficiente: para garantir uma boa platéia em um show numa cidade nova, artistas realizam parcerias com bandas locais que já têm um público cativo. A banda "hospedeira" produz e promove o show, ajuda a acomodar o artista visitante e trabalha pra garantir que o show seja um sucesso. Ambas as bandas tocam o show juntas permitindo à banda visitante que ganhe novos fãs. Ao achar artistas de gênero, estilo e estadura similares, isso realmente aumenta as oportunidades da banda de se expandir para além de sua cidade de origem. Uma vez realizado, o show é "debitado" para que a banda visitante futuramente seja anfitriã em sua cidade. Inicialmente era simplesmente um arranjo de grande troca, mas o sistema logo se desenvolveu para além disso. Chegou a tanto que pode ser logado quem recebeu os shows, e na essência a quem era 'devido' um show. Construindo um banco de dados de artistas se tornou possível para bandas redimirem shows que eram 'devidos' a qualquer outra banda no siste,a em qualquer cidade, não apenas a que eles eram são parceiros.
Assim, artistas preparados para trabalhar duro na construção do sistema, hospedando, produzindo e promovendo as apresentações em suas cidades teriam a oportunidade de circular o país inteiro com o entendimento de que eles iriam viajar para cidades pequenas, mas com bastante potencial, com públicos relevantes. O sistema aumentou substancialmente a oportunidade de artistas desbravarem novos territórios e também para os fãs descobrirem novas músicas. A confiança de ambos no sistema deu uma vitalidade e uma relação saudável para o mercado de apresentações de música independente. Com alguns simples critérios sobre o nível e ética no trabalho dos artistas envolvidos, com os quais todos entendem que direito a receber o equivalente ao que investem, a Fora do Eixo se tornou referência no país.
A Fora do Eixo agora atingiu o ponto no qual uma banda no Brasil pode acessar um sistema online, inserir as datas e regiões do país que desejam tocar e ele agendará uma turnê inteira. A banda não precisa ter público já formado em cidade alguma que estejam visitando, e ainda sabendo que os shows serão bem sucedidos, e que têm a oportunidade de construir uma reputação para visitas futuras.
Como um exemplo de como o sistema funciona, uma banda de Glasgow querendo tocar em Machester identificaria uma banda de gênero similar com um público já existente e cativo na cidade e um show seria produzido onde eles pudessem tocar juntos. A responsabilidade de produzir um show de sucesso está com a banda anfitriã. Isso dá à banda de Glasgow a oportunidade de genuinamente conquistar novos fãs, e também ao público a oportunidade de descobrir algo novo. Mais a frente, a banda de Manchester pode desejar tocar em Glasgow, e faria sob os mesmos termos, onde a banda anfitriã teria que se resonsabiizar em um show criativo e de sucesso.
Entretanto, sob esse sistema é possível que a banda de Manchester possa escolher fazer um show em Brighton. Considerando que há uma banda dentro do sistema e de um gênero similar, a banda de Manchester pode redimir o show de Brighton. Similarmente, a banda de Brighton pode desejar redimir o show subsequente em Manchester, ou talvez Glasgow, ou até em outra cidade onde as bandas estejam em rede.
É realmente um sistema inspirador que é inveja de muitos e ainda assim relativamente pouco difundido. É um sistema assim que estamos nos propondo desenvolver através de uma trama que definitivamente seria de enorme benefício aos artistas independentes, casas de shows e público.
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