SHOW INTERÉTNICO INKRE`R

Sinvaline
Semana do Indio
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Sinvaline · Uruaçu, GO
10/4/2010 · 8 · 0
 

SHOW INTERÉTNICO INKRE`R

O texto abaixo é de autoria da musicista do Instituto Trópico Subumido da PUC - Goias, Verônica Aldé.

Esse diálogo mágico tem como protagonistas os indígenas, o grande Carlos Malta e a música.

Diálogos Interculturais:
Conhecimento e Tecnologia” realizada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás com diversos parceiros dentre os quais, Agepel, Seduc, SEMIRA, Secult, Cimi, UFG, FUNAI, SEBRAE, dentre outros, no intuito de promover o diálogo intercultural e a troca de experiências sobre as questões que afetam a vida dos povos indígenas e a vida planetária, de modo geral, pretende fortalecer os espaços de expressão onde os múltiplos atores possam se colocar e debater as futuras possibilidades de subsistência digna e sustentável dos povos indígenas no território nacional.

A palavra “Inkre`r” na língua Timbira tem amplo significado: som, música, canto, maracá, cantiga. Compondo a programação da Semana dos Povos Indígenas o Show Interétnico Inkre`r reunirá no palco do Martim Cererê um grupo de cantadores Krahô e o multi-instrumentista Carlos Malta para um diálogo sonoro inédito.

No universo indígena de forma geral, a música perpassa todas as ações cotidianas, compondo a essência de cada cultura. Em várias etnias, as novas músicas são recebidas em sonho ou pelos xamãs de forma mágica. Geralmente os cantadores indígenas acessam através da música um mundo místico que os protege, orienta, cura, festeja e mantém a tradição.

Os Macro-jê habitantes imemoriais do cerrado, construíram o precioso acervo mítico-musical que compõe sua história e sua cultura.

A musicalidade Krahô permeia toda a vida da comunidade ininterruptamente, do nascente ao poente, sempre. Os velhos Krahô contam que numa época muito antiga os bichos faziam muita festa, e todos os bichos cantavam. Cada tipo de música Krahô foi ensinada por um bicho diferente.

Todos os pássaros cantavam, todo bicho: o macaco, seriema, ema, todo o bicho que você pensar que tá em cima do planeta tem a música deles. Não tem um bicho pra você dizer assim que eles não cantam. Cada tipo de música foi ensinado por um bicho diferente. (Apim Krahô, Banco Inkre´r, 2007).

O povo Krahô de língua Timbira, faz parte da família Jê, e do tronco Macro-Jê. É habitante imemorial dos cerrados do Planalto Central Brasileiro, área de domínio de algumas tribos relativamente populosas e bem adaptadas à região. Tradicionalmente caçadores, coletores e semi-nômades, passam por uma longa adaptação para um regime de vida gregário, tendo a agricultura como principal atividade de subsistência. No final do século XVIII, viviam perto do rio Balsas, afluente do Parnaíba, período em que ocorreram os primeiros contatos com colonizadores, que avançavam do Piauí para o sul do Maranhão com suas fazendas de gado.

Depois foram subindo o Rio Tocantins, deslocando-se mais para o sul, até se localizarem na região onde habitam atualmente, entre os municípios de Goiatins e Itacajá, no Tocantins. Em 1940, foram vítimas de um violento massacre, desfechado por criadores de gado, fato que impulsionou a demarcação definitiva pelo governo brasileiro do território Krahô, também conhecido como kraolândia, uma das maiores faixas de cerrado contínuo com 320.000 hectares.

O episódio provocou também a presença oficial do governo brasileiro entre os Krahô, com a implantação de uma Inspetoria do S.P.I. - Serviço de Proteção aos Índios, que posteriormente se transformou no "Posto Indígena" da FUNAI - Fundação Nacional do Índio. Foi uma mudança radical na vida do povo Krahô, pois pela primeira vez se viram "cercados" e submetidos à condição de "tutelados" do governo e com a penetração cada vez maior da sociedade nacional, uma nova realidade foi se instalando Apesar de deter um milenar e rico conhecimento da flora e fauna do cerrado, o povo Krahô vem sofrendo fortes choques culturais e violências em sua relação com a sociedade envolvente.

Carlos Malta, músico dos sopros é multinstrumentista , compositor , orquestrador, educador e produtor cultural, possuindo um estilo totalmente original e criativo. Das bandas de pifes nordestinas, aos coretos urbanos e intercâmbios com pajés indígenas, o Escultor do Vento como é conhecido, vem construindo ao longo de sua carreira, iniciada ao lado de Hermeto Pascoal, uma identidade brasileira dos sopros, que mescla o que temos de melhor e de mais genuíno ao tempero mais moderno e ousado de forma completamente singular.
Conectando povos e sons para além do tempo, poderemos visualizar o fio que nos une ás quinhentas e cinqüenta gerações cerratensis que se formaram nesse ambiente. Em todas elas presente o som tal qual era, Sem-fins, Araras, Bem-ti-vis, Garças, Uirapurus, Urutais e Rolinhas... trazem o canto de 11.000 anos. Poucos elementos permaneceram intactos no cerrado, o som segue. As mesmas melodias e harmonias seguem a reger e sustentar o mundo.
Na alma indígena, nossa imagem como espelhos ao avesso do que já não reconhecemos, nossa própria alma ancestral. O índio é raiz e semente alada que segue em frente, rumo ao futuro. Sustentabilidade. Cantos e sopros, ciranda viva do tempo que conecta passado e futuro, som vivo que segue circulando na terra, regando diversidades numa unidade inexplicável

Lançou 9 CDs , entre eles Rainbow, em duo com o violoncelista suíço Daniel Pezzotti, indicado ao Prêmio Sharp, “ O Escultor do vento”, onde mostra algumas de suas composições , dobrando seus saxofones e flautas e criando uma verdadeira orquestra de sopros ; Pife Muderno , indicado ao Grammy Latino e onde Malta pôde elaborar e desenvolver um nova leitura para o repertório das bandas de pífaro ; Tudo Coreto ,com sua banda Coreto Urbano , com sete metais e tres percussões , apresentando arranjos modernos calcados na tradição das bandas do interior ; Pimenta , homenagem a “Pimentinha” Elis Regina, recriando clássicos eternizados pela voz da cantora ; Pixinguinha Alma e Corpo, onde preparou 10 arranjos para sopro e quarteto de cordas sobre a obra do mestre Pixinguinha ; Ponto de Bala , uma coletânea de todos os CDs citados acima , comemorando seus 10 anos de carreira solo, e em 2006 “PARU” com o Pife Muderno em homenagem ao grande amigo pajé, da tribo Yawalapiti do Xingu.

Em 2009 Malta lança 2novos CDs a serem lançados na Dinamarca:Live Brasil com o Pife Muderno,a Big Band do Conservatório Real de Música ; e After the Carnaval em trio com Thomas Clausen e Célia Malheiros.

Como educador, já deu aulas na Berklee School, no Conservatório da França, Universidade da Flórida e na Dinamarca dentro da Royal Academy of Music, onde em Fevereiro/Março de 2005, ministrou curso de 2 meses , encerrando com um concerto de Gala a frente da big band da academia.

Liderando seus diferentes grupos , apresentou-se na França , Suíça , Inglaterra , Estados Unidos, Alemanha , Holanda , Dinamarca , África do Sul, Marrocos ,Japão, Venezuela, República Dominicana e em Cuba onde tocou com Michel Legrand e Chucho Valdéz em 2004.

No Brasil, apresenta-se nas principais cenas da música instrumental como: Festivais , Universidades , CCBB, Centro Cultural do Correios, Clube do Choro de Brasília .

Em Junho de 2006, Malta esteve na África do Sul pela 3 ª vez consecutiva , tocando em Quarteto apresentando a nossa MPB, e em Setembro/06 na Alemanha, a convite do Ministério da Cultura.

No 2º semestre de 2006 , lançou seu novo CD PARU , em circuito pelos municípios do Rio de Janeiro, com patrocínio da OI/Telemar.
O ano de 2008 foi plural. Com participações especiais nos shows de Bob Mc Ferryn ,Dave Mattews Band , Roberto Carlos & CaetanoVeloso no tributo a Tom Jobim , Carlos Malta segue esculpindo seus múltiplos timbres nos saxofones barítono, tenor, alto e soprano, nas flautas em sol, dó , baixo , piccolo e flautas étnicas , traduzindo através de seu sopro , a alma da música do Brasil .







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