O precioso tesouro musical da Catedral da Sé de Mariana comemora uma data importante no dia 7 de dezembro, domingo. Há 24 anos, o órgão Arp Schnitger era restaurado e, desde então, foram apresentados mais de 2 mil concertos regulares para visitantes e comunidade da região. Para celebrar a data será realizado no dia 7, à s 12h15, um concerto especial com as organistas Elisa Freixo e Josinéia Godinho, utilizando um segundo órgão de pequeno porte construÃdo na BolÃvia. "Como fazemos todos os anos, durante o mês de dezembro, os ingressos serão a preços populares (R$2,00). Queremos que mais pessoas, principalmente a comunidade local, conheçam a sonoridade do Órgão da Sé", afirma Elisa Freixo.
O órgão
Foi construÃdo na primeira década do século XVIII, em Hamburgo (Alemanha), por Arp Schnitger (1648-1719), um dos maiores construtores de órgãos de todos os tempos. O instrumento foi enviado inicialmente a uma Igreja Franciscana em Portugal e chegou ao Brasil em 1753, como presente da coroa portuguesa ao primeiro Bispo de Mariana.
É um instrumento de grande importância, pela sua antiguidade e comprovada autoria. Dentre os órgãos da manufatura Schnitger que sobreviveram até hoje, esse é um dos exemplares mais bem conservados e o único que se encontra fora da Europa. Está sendo estudado, para fazer parte do tombamento internacional de órgãos da manufatura Arp Schnitger pela Unesco.
Na década de 1970, o organista alemão Karl Richter esteve em Mariana a convite do Arcebispo D. Oscar de Oliveira e do então presidente da Cemig, Francisco Afonso Noronha, para avaliar o instrumento que continha, no interior de sua caixa, um grande número de peças originais preservadas. Os elementos musicais do órgão foram enviados a Hamburgo, Alemanha, onde foram reformados sob os cuidados da firma von Beckerath. Uma equipe brasileira da Universidade Federal de Minas Gerais, sob a orientação de Beatriz Coelho, restaurou a estrutura interna e externa da caixa e as partes que compõem a decoração do instrumento. "O grande mérito foi trazer o instrumento, que estava parado há 50 anos, de volta à vida usando as conquistas técnicas da época, sem destruir os sinais das fases anteriores, valiosÃssimos no caso de uma restauração posterior com enfoque mais histórico", avalia a organista Elisa Freixo.
Reinaugurado em 1984, o Órgão Arp Schnitger voltou a ser um dos centros da vida musical de Mariana, acompanhando missas e celebrações litúrgicas, além de ser apresentado em concertos regulares e internacionais, que traz ao Brasil organistas de renome mundial. Toda essa história continua viva por causa do trabalho incansável das organistas Elisa Freixo e Josinéia Godinho, responsáveis pela manutenção do instrumento. Com os cerca de 140 concertos didáticos por ano, elas propagam entre o público o som e a singularidade do Órgão Arp Schnitger. Desde 1984, já foram realizadas mais de 2 mil apresentações. Ou seja: o instrumento da Sé de Mariana é também, dentre todos o Arp Schnitger, o mais tocado.
comemorar é de certa maneira preservar, com festa, a memória. Parabens.
graça grauna · Recife, PE 3/12/2008 08:32Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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