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A RECONSTRUÇÃO DE PALMARES
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 9/3/2007 13:46 · 81 votos · 7 comentários ·  
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overponto
A eletrizante história dos Kimbundos de Angola
em sua saga no maior quilombo do Brasil



Quilombo de Palmares. Letra de Samba enredo? Historinha de livro infantil? Ou seria 'loa' cantada em roda de capoeira? Os livros escolares não aprofundam a questão, passando 'batidos' por um tema que, para muitos, não passa de mais uma dessas bem urdidas lendas brasileiras. História oral, inculta só por que não foi escrita e sendo portanto, improvável.

Mito recorrente, sempre carregado pelas tintas fortes da pieguice desta esquisita cordialidade brasileira, na hora de contar a sua história procuraram enfatizar (talvez deliberadamente, quem sabe?) muito mais a versão do que o fato, mais o pitoresco que o analítico, o documental. Afinal de contas, era a história de 'pés rapados', quem iria ligar?

Teria sido assim que páginas e páginas foram escritas, no Brasil e em Portugal, acerca da obscura e romântica trajetória de Zumbi de Palmares o herói negro mais popular que, segundo contam, como um Jesus Cristo preto teria sacrificado a própria vida para nos salvar, se atirando do alto de um penhasco, ao se descobrir derrotado, mais ou menos como rezava a remota – e também suposta- lenda de Spartacus, o branco escravo da mitologia greco-romana: 'Epopéia! 'Tróia negra!'. Teria sido mesmo assim?

Pode ser por esta razão que nos livros de história do Brasil de nossas escolas, se encontram muito mais dados e informações concretas sobre a cor das ceroulas de D. João II (que reinou em Portugal antes mesmo de o próprio Brasil existir) do que sobre certos personagens que, apesar da importância transcendental à formação de nossa ainda precária nacionalidade, continuam relegados à obscuras posições no lado B de nossa História.

Coisa parecida ocorreu com a bem articulada mulher que foi Xica da Silva, popularizada nos livros - e até no cinema - como um espécie de mulata esperta que, fazendo bom uso de seus atributos sexuais, conquistou o homem branco bom partido (inaugurando o mito da mulata sambista que casa com o turista europeu) ou mesmo Xico Rei, que podendo ter sido um escravo alforriado que se transformou num bem sucedido empreendedor, acabou confundido nos livros com uma espécie de improvável contrabandista de ouro em pó que, de grão em grão, libertou seus parentes e amigos mais chegados da escravidão.

Você já parou para pensar no que está contido por trás destas eventuais 'histórias da carochinha'? Como elas são construídas (se é que são) – e porque o são- até se tornarem espécies de verdades estabelecidas, cristalizadas como História 'real' do povo do Brasil?

Esta conversa foi muito recorrente na época da Ditadura Militar tanto que, com a Abertura Política, uma onda de revisionismo histórico varreu nossas universidades, com muitas teses acadêmicas sendo escritas para recolocar fatos e personagens em seus lugares de direito. Alguns mitos no entanto, por alguma razão, até hoje não foram revistos.

A idéia é simples (para o bem ou para o mal):Tirar do armário e inserir no desfile (sem alegorias de carnaval) toda esta gente boa, por alguma razão escondida na cozinha deste nosso Brasil- brasileiro- mulato- insoneiro.

Luzes nas coxias, por favor.


tags: Rio de Janeiro RJ textos-nao-ficcao cultura sociedade historia-do-brasil africa
 
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Autoria   Spirito Santo
Ficha Técnica  

Nota:
Este texto é um pouco maior do que os usualmente publicados aqui no Overmundo, por esta razão resolvemos dividí-lo em duas partes. O primeiro download fala, principalmente, dos nossos antecedentes históricos, ocorridos ainda na África e seus possíveis vínculos com a história palmarina. O segundo procura aprofundar as relações eventuais existentes entre estes fatos, num contexto essencialmente brasileiro: O conjunto é a saga de Palmares reconstruída.

Data   09/3/2007
Arquivo   451 Kb ·869 downloads
Licença  
 
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A ilustração ( o prograam não quiz salvar o crédito) e´de Michelle Doyle, que se assina 'Cigana'.


http://www.art-tart.com/
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/3/2007 11:21 
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Quem souber, por favor me explique; Este post acima, na lista geral de edição é o único que, além do ícone comum a todos 'leia e ajude editar' (a esquerda) aparece com um segundo ícone do 'lápis' (ajude a editar) e uma 'lixeirinha' ('remoção de conteúdo') á direita. Como é único neste caso em mais de 80 posts me bateu uma dúvida: O que significa isto exatamente? É uma regra ou uma exceção? :)))
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/3/2007 15:28 
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( Em tempo): O problema só ocorre na lista geral de edição.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/3/2007 15:29 
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Agora já sei como funciona o que perguntei. É boa regra.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 8/3/2007 00:01 
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Belo assunto! Adoro textos desmistificadores da história...
apple · Juiz de Fora (MG) · 9/3/2007 13:49 
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Então, Criss?
Mãos à obra! De mitos históricos o Brasil está cheio.
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 10/3/2007 06:13 
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Galera,

Há poucos dias deste fim de julho de 2008, retomei a pesquisa e em verdade em verdade vos digo: Tudo está se confirmando nesta pesquisa-tese.
A maioria das fontes, não era surpresa, são angolanas e portuguesas (algumas fontes holandesas andei fuçando também). A grande e boa novidade é que existe já uma quantidade razoável de fontes 'brasileiras', nos bancos de teses de mestrado e doutorado abastecidos por alunos africanos (a maioria angolanos) e portugueses.
Com exceção de uma eletrizante decoberta que lhes mostrarei brevemente e que é surpresa absoluta (BOMBA! BOMBA!), praticamente todas as minhas suposições podem já ser confirmadas documentalmente:
O Quilombo de Palmares foi, realmente, um REINO ANGOLANO, transplantado para o Brasil.
Aleluia Nzambi!
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 27/7/2008 00:44 
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