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Duo Amore

1
Helga Rackel · Fortaleza, CE
18/6/2008 · 96 · 33
 

Seu amor, mais forte do que a morte, sufocava-o. Não sabia como expressá-lo. Um gesto, um beijo, um abraço, uma frase não seriam o suficiente para provar um sentimento tão puro. Cabisbaixo, olhar melancólico, sorriso enturvado, João matutava ao vento, sentado na cadeira de balanço – herança da avó. O vermelho-escarlate da “ditosa cadeira dos pensares” se assemelhava ao rubor do coração temeroso do rapaz. Casara-se novo com a jovem Madalena, carinhosamente chamada de Mada pelos íntimos. Cabelos longos e olhos maliciosos aliados à voz mansa da “caçula do pai”, chamaram a atenção do rapaz em meio aos vizinhos que dançavam o Baião Porreta do Zé, ícone das feirinhas de troca-troca do bairro José Walter. Há 2 anos, a jornada sentimental do pacato João iniciara num simples olhar pedinte de sua amada Madalena. Como relembrar o passado sem se preocupar com o futuro?

No dia anterior à sina, o jovem marido vai à feira comprar as “prediletas” da esposa: maçãs. Sua preferência era pela mais vermelha. Atento ao gosto da querida, o rapaz escolhe cada maçã com cuidado, imaginando a cena em que os lábios corados e carnudos da moça tocarão a fruta. Ele estremece ao sentir a chama do amor verdadeiro acesa em seu coração. Após pagar o feirante, João passeia os olhos pelo o que acontece ao seu redor, contemplando cada rosto presente naquela feira tão movimentada; lembrando de quando ele e Madalena faziam sua primeira feira, o dia em que ela confessou seu gosto pelas “prediletas”. Já é noite. Mada, mesmo cansada, ao chegar em casa e encontrar seu marido à espera, deitado sobre a cama coberta com lençol de cetim branco, ladeado pelas maçãs bem vermelhas e fresquinhas, não resiste ao pedido ardente e ingênuo de seu marido. Permite ser amada.

Manhã de segunda-feira, o dia da sina. Feliz por mais uma noite de carícias e juras ao lado de sua querida e amada esposa, João acorda disposto a fazer uma prova de amor, mas ainda não sabe como. Deixa-a dormindo, sai devagarzinho até o banheiro, toma banho e se arruma para sair mais uma vez à procura de um emprego. O dia começou bem: o rapaz consegue a vaga de segurança de uma transportadora. Há meses, ele aguardava essa oportunidade. Reservando a novidade para mais tarde, momento em que poderá encontrar Mada em casa, João chega à garagem dos transportes da empresa, onde fica também o escritório de seu chefe. Já estava com tudo pronto. Porém, faltava apenas agradecer a oportunidade àquele que lhe ajudou. Enquanto isso, conferia seus objetos de trabalho: o porrete, a arma preta com detalhes em cinza e o cartucho de balas. Temeroso por tocar uma arma de fogo pela primeira vez, ele tinha seus olhos fitos no calibre 38. Mistura de medo e poder. Após alguns minutos de espera, o novo empregado apresenta-se ao chefe e lhe agradece pela confiança e presteza.

Ricardo conheceu Madalena no dia em que a cadeira de balanço quebrou. Morando no mesmo bairro, ele costumava passar todos os dias de manhã em frente à casa do casal, a caminho do trabalho. Certa vez, como de costume, ao passar na calçada da casa de muro e paredes brancos com portas e janelas vermelhas, o chefe de transportes e segurança da Empresa Bene Dito presencia a cena em que a amada de João ao sentar, vira a cadeira de balanço e cai. Imediatamente, o vizinho oferece ajuda e percebe que a borracha de uma das pernas da cadeira vermelho-escarlate estava solta - o que provocou a queda. Logo o jovem marido ficou sabendo do acontecido, convidou o vizinho para tomar um cafezinho em agradecimento. João, ajudante de pedreiro na época, passava a maior parte do tempo fora de casa; mas era atento a cuidar de Madalena. Pela amizade, a querida esposa torna-se acompanhante da mãe de Ricardo. Assim, unia o útil ao agradável: passara a ter uma rotina diferente ao mesmo tempo em que praticava o dever de uma boa cristã em ajudar o próximo.

Ansioso para encontrar a amada, João despede-se do novo chefe e corre para pegar o ônibus das 12h45min. Na metade do caminho, percebe que esqueceu a boina da farda no escritório. Volta depressa, torcendo para que dê tempo de apanhar o coletivo, e depara-se com Mada recebendo um beijo de Ricardo. Naquele horário, a garagem da transportadora era muito movimentada. O jovem marido não tinha certeza do que via. Então aproximou-se sem que o casal de amantes percebessem, flagrando o mesmo olhar pedinte de Madalena, recordação do dia em que se conheceram, direcionados a seu chefe e vizinho. Deveria se vingar ou esquecer e contemplar a amada com seu perdão remissor, dando-lhe uma prova de amor a qual instigasse o arrependimento no seu coração? Em poucos segundos, João decide fazer as duas coisas. Saca a arma, atira em Ricardo e logo depois, suicida-se. Dois corpos inertes e uma mulher. A prova de amor cumprida.

E todos ali presentes, funcionários e transeuntes que viam a cena do lado de fora, não sabiam se Madalena chorava pelo amante ferido ou pela morte do marido.

Sobre a obra

Numa tarde ensolarada, saía do trabalho para almoçar em casa. No caminho, presenciei um fato que me inspirou na criação deste conto. De tudo, a única verdade é o desfecho do jovem rapaz.

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informações

Autoria
Helga Rackel
Ficha técnica
Matutava: pensava
José Walter: bairro de Fortaleza, que pela molecagem cearense, é conhecido como o bairro dos cornos.
Bene Dito: analogia à empresa de transporte rodoviário, São Benedito, no Ceará
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comentários feed

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Helga Rackel
 

Ao escrever este conto, fiz alguns jogos de sentidos no desenrolar da trama. São palavras, expressões e nomes que se associam às histórias conhecidas pelo o povo, como também aos adágios populares.
Desafio: se fizer algum comentário, cite o que percebeu, que associações você fez ao ler o conto. Vamos desvendar essa brincadeira?
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 14/6/2008 12:37
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Cristiano Melo
 

Helga,
Não consegui decifrar o que desafias....
Mas, como já morei em Fortaleza, boa parte de minha vida, 24 anos, senti saudade das plavaras, José Walter, o bairro, Benedito, empresa de ônibus, certo?, e das passagens peculiares do cotidiano bucólico da periferia da cidade... Como não consegui, não sei se por ignorância em algum assunto peculiar, vou me ater ao comentário de seu escrito: conto muito bem escrito, com descrições vivas e que facilmente me fez ver todas as imagens que são criadas pelo texto.
Gostoso de ler.
Parabéns, frustrado por não ter respondido ao desafio.
bjos

Cristiano Melo · Brasília, DF 15/6/2008 10:57
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Helga Rackel
 

(risos)
Cristiano, não revelarei agora, certo. Aguardarei mais comentários. Realmente, não é tão usual. Para decifrar os símbolos que têm no texto, necessitaremos de "viajar" um pouquinho. (risos).
Mas é sério. Se perceber a associação de certos símbolos, percebe-se também, nas entrelinhas, o desfecho do conto.
Obrigada, você é muito gentil!
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 15/6/2008 12:54
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Cristiano Melo
 

Bem, reli de novo e só percebi o final, mas não vou contar também, não havia percebido de primeira vez que li... mas também não acho que este seja o desafio
: (
PS: sou curioso e fico "doidinho" com um quebra-cabeças

Cristiano Melo · Brasília, DF 15/6/2008 13:18
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Helga Rackel
 

kkkkk
Agora eu é que tô preocupada. Vai que desvendamos depois e você diz: "ah, era isso?! besteira". rs
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 15/6/2008 13:20
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Cristiano Melo
 

Votos e bjos!

Cristiano Melo · Brasília, DF 16/6/2008 14:14
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alcanu
 

Se fosse eu dava um tira pra cima e gritava:
"-Sua vadia, eu não vou matá-los agora, mas vocês não terão sossego, quando menos esperarem, estejam onde estivereuestarei sempre por perto !
A vingança fica melhor servida fria !
Corno tem que ter "feeling" !
Tanta mulher na cidade, vai gostar duma que trai !
êta amor !
Cupido e seus asseclas !
Um beijo, desculpa "mudar " o final, adoro finais felizes !

alcanu · São Paulo, SP 16/6/2008 16:26
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Helga Rackel
 

kkkkkk
Misericórdia! Só você mesmo, Alcanu! (risos). Mesmo assim, obrigada! :D
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 16/6/2008 16:28
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Helga Rackel
 

Obrigada, Cristiano!
E não se preocupe, revelarei a análise semiótica do texto! (risos)
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 16/6/2008 16:34
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clara arruda
 

Bem Helga...Seu nome me lembra uma novela sabia?
Ou um filme?
Xi,a essa hora tudo se confunde aqui...Mas o importante é que li.Opinião ou comentário?espero pelo seu e o do cristiano...Eita garoto bom de contos.
beijos em seu coração.

clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 16/6/2008 17:56
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apple
 

Hummm... Se fosse comigo, deixaria correr solto. Faria de conta que nem estava sabendo. Então, contrataria detetive para arrumar prova.

Torceria mais do que brasileiro em final de Copa do Mundo para que tivesse reprise de encontro!

Daí, colocaria o meu advogado na parada e exigiria separação com tudo que eu tivesse direito. E, se possível, com o que eu não tivesse também! (O que eu não tivesse direito que seria a melhor parte, inclusive. Rsrsrs...)

Abraço

apple · Juiz de Fora, MG 16/6/2008 18:35
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Cristiano Melo
 

Semiótica a parte, espero que vc, Helga, escreva o tal desafio não visto, logo qdo encerrar a votação...rs
Os finales do alcanu e de apple, foram muito engraçados...hehhe

Cristiano Melo · Brasília, DF 16/6/2008 19:31
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Helga Rackel
 

Desafio aceito, Clara e Cristiano.
Quanto aos "finalmentes" de Alcanu e apple, realmente deram uma alegria, um riso de comédia neste mural de comentários. rs
Gostei muito! :D Obrigada!
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 17/6/2008 12:09
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celina vasques
 

êita cearenses para escreverem maravilhosamente bem!!!
eu queria escrever assim como voces! O meu querido Poeta e escritor predileto Cristiano Melo e agora voce querida Helga!
fiquei curiosa tb!
votado e beijos!!!!

celina vasques · Manaus, AM 17/6/2008 18:31
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Helga Rackel
 

Oi, Celina!
Muito obrigada pelo elogio e pela categoria também! rs
Associada ao Cristiano... quanta honra!!! Não mereço tamanha responsabilidade e privilégio. Sou apenas alguém que deseja revelar na Língua seus mistérios.
Abraço bem forte ;)
Deus te abençoe!

Helga Rackel · Fortaleza, CE 17/6/2008 18:53
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Raiblue
 

Olá Helga!!

Excelente texto!!
Narrativa bem desnvolvida...mantendo um certo suspense até o final...gostei!
Mas não descobri o desafio...rsrs...tbém quero saber depois...rs

um beijo azul
Raiblue

Raiblue · Salvador, BA 17/6/2008 19:14
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Raiblue
 

Olá Helga!!

Excelente texto!!
Narrativa bem desenvolvida...mantendo um certo suspense até o final...gostei!
Mas não descobri o desafio...rsrs...tbém quero saber depois...rs

um beijo azul
Raiblue

Raiblue · Salvador, BA 17/6/2008 19:14
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Helga Rackel
 

kkkk
Misericórdia!
Está ficando interessante e desafiador esse compromisso. rs
Obrigada, Rai!
Abraço azulado ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 17/6/2008 19:17
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Andre Pessego
 

Helga,
e que drama se voce não explica seria dificil ...
muito bom
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 17/6/2008 23:26
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j.alves
 

Instigante, parabéns pelo texto

j.alves · São Paulo, SP 18/6/2008 08:18
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Helga Rackel
 

André,
Obrigada por sua presença tão agradável!
J. Alves, obrigada pela colaboração!
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 18/6/2008 08:28
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Cristiano Melo
 

Helga...
Olha, vc já chegou ao bacno com seu texto...
Quer dizer, cof cof, até quando você vai nos deixar com o mistério do desafio...?
Hum?
rs

Cristiano Melo · Brasília, DF 18/6/2008 09:19
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Helga Rackel
 

Decifrando... Vamos lá:

A cor “vermelho” e branco estão presentes em alguns trechos do texto, como O vermelho-escarlate da “ditosa cadeira dos pensares”, maçãs (normalmente se comem as vermelhas), lençol de cetim branco, casa de muro e paredes brancos com portas e janelas vermelhas. O branco faz analogia à pureza do amor verdadeiro de João, a delicadeza (lençol de cetim) do seu sentimento e devoção à amada esposa. O vermelho, à paixão (maçãs), ao fogo arrebatador (vermelho-escalarte, olhar pedinte) de Madalena. Estes signos já são prenúncios do que pode acontecer.
Há uma heterogeneidade textual neste conto, além dos signos (cores, expressões), os nomes revelam um pouco da personalidade, relembrando personagens bíblicos como João – o apóstolo do amor – e Madalena, a meretriz redimida (Assim, unia o útil ao agradável: passara a ter uma rotina diferente ao mesmo tempo em que praticava o dever de uma boa cristã em ajudar o próximo). Além de Ricardo, analogia ao personagem popular “Ricardão”, o amante. Como também, o bairro José Walter (ver ficha técnica do conto).
Ricardo conheceu Madalena no dia em que a cadeira de balanço quebrou.A cadeira de balanço quebrou? Pois é... o vizinho oferece ajuda e percebe que a borracha de uma das pernas da cadeira vermelho-escarlate estava solta - o que provocou a queda. Isto significa que, apesar de seu esforço, João não estava dando tanto amor à Madalena (João, ajudante de pedreiro na época, passava a maior parte do tempo fora de casa; mas era atento a cuidar de Madalena), o suficiente para evitar uma traição? A borracha solta significa a imperfeição do ser humano, que nem tudo é só paixão (vermelho-escalarte), pois o fogo do prazer um dia acaba (queda) e algo precisa ser feito para reavivá-lo (neste caso, o vizinho “Ricardão” entrou com a providência).
Certa vez, como de costume, ao passar na calçada da casa de muro e paredes brancos com portas e janelas vermelhas... Por mais que alguém transpareça brandura e pureza (casa de muro e paredes brancos), esta pessoa guarda um mistério arrebatador de seus sentidos (janelas vermelhas). O leão da tentação está sempre ao derredor (Certa vez, como de costume, ao passar na calçada), à espreita da oportunidade (Ricardo conheceu Madalena no dia em que a cadeira de balanço quebrou), à espera de uma pequena brecha para descobrir o que se esconde por trás das paredes da aparência.
Apesar do nome “Empresa Bene Dito” fazer analogia à Empresa São Benedito conhecida aqui em Fortaleza, há mais do esta intenção em sugerir esse nome. “Bene Dito”, fazendo um joguete com o italiano, poderia ser “Bem dito”, trazendo para a nossa linguagem popular: “Bem feito”. hehehe Ou seja, quem mandou João ser tão ingênuo e confiar tanto no próprio amor, sem esperar saber do que Madalena também sentia?!
Ah! As maçãs, as maçãs... rs Ninguém sabe, na realidade, que fruto Eva ofereceu a Adão no jardim do Éden. Mas a cultura popular usa a maçã como o símbolo do pecado no paraíso. Pois então... Justamente a maçã tinha que ser “a predileta” de Madalena?! Mais um joguete para induzir a um possível desfecho de traição no conto.
“No dia anterior à sina”, “Manhã de segunda-feira, o dia da sina”, “A prova de amor cumprida” são alguns presságios do final deste conto. Algo vai acontecer. Algo aconteceu. A prova de amor era algo que João matutava em realizar para a sua esposa. Coitado! Por força do destino ou do azar imprevisto?!, João tenta matar Ricardo, vingando-se (ele não é tão bobo assim), e tira sua própria vida como uma oportunidade de recomeço para Madalena. Pois, já que ela o traiu, foi porque não o amava mais. Então do que serviria ficar vivo sem ter esse amor e prender a amada, sem dá-la a oportunidade de ser feliz? Do que adianta amar alguém, sabendo que aquela pessoa não é feliz com este amor? Amar e ser amado é o todo de um verdadeiro amor.
E aí, na opinião de vocês, “Madalena chorava pelo amante ferido ou pela morte do marido”?

P.S.: Quero esclarecer que não sou a favor da vingança em sentido algum; que o amor verdadeiro não é egoísta a ponto de alguém tirar sua própria vida; que o suicídio é uma fraqueza humana e covardia de muitos – desvalorizando o dom da vida, dado por Deus; mesmo que alguém não ame mais ou não se sinta amado(a), a traição não é um escape justo e, muito menos, leal ao companheiro(a) e a si mesmo(a).

Espero ter decifrado o enigma, Cristiano! kkkkkk

Abração a todos!

Helga Rackel · Fortaleza, CE 18/6/2008 10:25
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celina vasques
 

CARAMBA!!!! AMIGA EXPLICADO TUDO!!! ME CONVENCI!!!!
PARABÉNS!!!!!
ACHO QUE MADALENA CHORAVA POR ELA, HAJA VISTA, TINHA FICADO SEM OS DOIS ABESTADOS!!!

celina vasques · Manaus, AM 18/6/2008 12:59
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Helga Rackel
 

Celina,
Obrigada! rs
Mas lembrando o seguinte: quem morreu foi apenas o marido. O coitado, além de se matar, morreu sem saber que errou o tiro. :P

E assim foi na vida real. O rapaz (21 anos) que se suicidou, por boatos, tinha ido até à garagem da empresa de ônibus rodoviário, justamente para matar o amante da mulher. Mas a pressa foi tão grande que ele não esperou conferir e apenas atirou. Logo depois, atirou em si mesmo e morreu sem saber que errou o tiro. Isso faz uns 4 anos, eu acho. Infelizmente, como fazia parte do meu caminho trabalho-casa, ainda cheguei a presenciar seu corpo ensangüentado à porta da garagem. Era tão recente, que ainda não havia pessoas fazendo "enxame" (como dizem por aqui) pra ver o morto.

(..)

Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 18/6/2008 13:38
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Cristiano Melo
 

Helga...
Obrigado por decifrar seu próprio desafio.
Concordo com a Celina que ela chorava por ela mesma, mas não por ter ficado sem os dois, pois um SOBREviveu, mas pelo nervoso-sentido-de-ser-um-ser-dolorido, pura e simpelsmente, por meio de suas lágrimas, pôde desabafar toda a miséria que tinha no ranço do caso fortuito e outros desabores próprios...

Cristiano Melo · Brasília, DF 18/6/2008 19:29
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Cristiano Melo
 

ou não
rs

Cristiano Melo · Brasília, DF 18/6/2008 19:29
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Bruxinhachellot
 

Um conto surpreendente ainda mais por ser baseado em fatos reais. Pra mim Madalena chorou pela desgraça que se abateu sobre ela, pois perdeu um marido dedicado. Sua culpa a recriminava.
Bjs.

Bruxinhachellot · Nova Iguaçu, RJ 19/6/2008 11:31
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Valéria Geremia
 

Olha só essa minina que eu nem tinha visitado ainda aqui...
Toda sua semiótica é apreendida na leitura do vonto, por isso percebemos, além da narrativa muito bem desenvolvida, que é um ótimo conto!!! Rsrsrs.
E eu ia mesmo era perguntar se tinha sido inspirado em algum fato real... alguma notícia de jornal...
Sabe que já escrevi uns contos de que gosto muito assim?
Abração, querida!

Valéria Geremia · Fortaleza, CE 19/6/2008 16:26
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Helga Rackel
 

Bruxinha,
Seja bem vinda! Obrigada pela colaboração. :D
Sua justificativa é plausível. Como dizem: "a gente só dá valor às coisas, quando perde". Pois é!

Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 19/6/2008 22:20
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Helga Rackel
 

Valéria,
Minha querida e admirada fessora do coração! Obrigada! Seu comentário é de extrema importância, além de ser um privilégio para mim, viu. :D Se você gostou, então me sinto premiada.
Será que posso conhecer os que você já escreveu e tanto gosta? rs
Abraço bem forte!
Deus te abençoe!!! ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 19/6/2008 22:24
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Raiblue
 

Oie Helga!!
Valeu querida,pelo comentário maravilhoso!!

Passei pra ver a resposta dos enigmas..rsrsrs...menina,não tinha percebido nadaaa...rsrsrsrs...caramba...vc foi genial,viu?
Parabéns de novo!!!

mil beijinhos azuiszen....
Blue

Raiblue · Salvador, BA 19/6/2008 22:55
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Helga Rackel
 

rsrsrs
Oi, Raiblue!
Obrigada, viu! :D Então, valeu a pena!

Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 19/6/2008 23:06
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