LIQUIDIFICADORES AVALANCHE - CAPÍTULO 23

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Marcelo Bretton · Espanha , WW
2/10/2016 · 0 · 0
 

A sua mãe teria que recompensá-lo muito bem depois daquele sacrifício. Era quase uma caminhada trôpega até a beira do precipício mental. Satisfazer o seu pai estava sendo mais difícil do que imaginara. Tudo para que ele não se aborrecesse, já que ainda convalescia de uma cirurgia no coração. Quando pensava em shopping, lhe vinha a mente hambúrguer com batata frita, cinema com pipoca, comprar um game para sua coleção, e no máximo ter que sentar num pufe de uma loja feminina e esperar a sua mãe provar vinte roupas sem levar nenhuma, com o celular a lhe distrair. Mas aquele castigo era de outra dimensão. Primeiro fora obrigado a almoçar em um restaurante vegano, pois Augusto estava decidido a viver mais, obrigando o filho a conhecer as benfazejas virtudes de um risoto de cogumelos e rúcula, enquanto ele e Maitê mastigavam panquecas de soja e alguma coisa feita com tofu.



— Bravo, filho! Um homem têm que saber a hora de começar a se alimentar bem.

— Ok, pai. Só não me peça pra comer aquele brownie de feijão de sobremesa. Tenho vontade de vomitar só de pensar em feijão como um doce.

— Hehehe, não mesmo. A cota de sofrimento acabou por hoje. Você merece um sorvete!

— Não sendo de berinjela eu topo – Ironizou Dado, olhando pra cara da madrasta que preferia estar triturando uma picanha com os seus caninos e quase não lhe dava atenção, tentando mal disfarçar o quanto estava deslocada com suas panquecas ocas das calorias que aquele corpo carnudo precisava para manter-se tonificado.



Ela também estava fazendo a sua parte. Em parte para manter-se saudável pelo filho que gerava. Em parte para fazer Augusto cada vez mais acreditar no seu amor por ele. Enquanto remexia sua comida insossa pensava no seu Francês e o que ele faria para dar sabor àquilo que estava no seu prato. Fechou as pernas num ato instintivo, com um formigamento tomando parte da sua virilha. O menino falara em berinjela e ela sabia onde tinha sido enfiada a última que vira, há uns dias atrás. Ficaria passiva enquanto a peste estivesse hospedada na sua casa. Bancaria a madrasta zelosa para que nada de ruim chegasse aos ouvidos de Sarita.



— Pai quero experimentar esse de viagro – Disse Dado, apontando para um creme azul claro.

Augusto olhou firmemente para a cara do filho pra ver se ele estava brincando ou tinha alguma malícia rondando pelos olhinhos castanhos que estavam grudados na vitrine colorida. Não enxergando nada que pudesse alarmá-lo, autorizou a atendente que por sua vez, tinha um risinho sacana ao servir o garoto de oito anos com o best seller da casa, e que segundo o senhor de meia idade que já sorvia um igual ao lado, o céu era o limite para uma ereção depois de tomar aquilo.



Dado decidiu pelo viagro, depois que o senhor citou a palavra ereção. Aquilo ele já sabia que significava pau duro. Se fosse para endurecer mais ainda o seu, ele queria aquele sorvete mais que tudo. Talvez assim Kika levasse ele a sério e da próxima vez não precisasse usar uma escova de cabelo pra conseguir gozar. Ele sentia falta da nerdzinha mais do que qualquer outra coisa. Passaria o resto da vida sem jogar Counter Strike apenas para viver os dias transando com ela. Imaginou uma vida libidinosa cheia de luxúria. Claro que teria que ter uma fonte de renda. Talvez ela própria fosse a sua fonte de renda. Não era ciumento. Seria o tal proxeneta que a sua mãe tascava na cara de um ex-namorado quando ele sugeriu que frequentassem um clube de swing. Aquilo ele ouvira na extensão do telefone que ficava na sala quando tinha seis anos.



Kika e ele, uau! Um sonho a se realizar. Ele poderia passar o resto da vida com a cara no meio da virilha de outras mulheres que jamais esqueceria o cheiro das intimidades dela. Era como uma memória olfativa que aparecia diante do seu nariz quando ele pensava em putaria. Era ela quem vinha nos seus sonhos lhe fazer um boquete nervoso, chupar suas bolas ainda como se fossem gudes, na esperança de que se tornassem do tamanho de uma de sinuca um dia. Como queria que houvesse um adubo para fazer o seu pau crescer mais rápido, para ele próprio se tornar adulto com a velocidade necessária para tomar decisões por si só. Por enquanto era escravo das vontades da sua mãe, e agora do seu pai. Não que não gostasse deles, mas desejava no íntimo convidar-lhes para o seu noivado com Kika. Mas que porra mesmo era noivado? Enfiar um anel num dedo? Às vezes ser adulto lhe parecia complicado demais, já que tudo vinha acompanhado de um simbolismo esdrúxulo, um enigma que só eles sabiam a resposta. Que merda! Ele só queria foder o resto da vida e pronto, simples assim!



— Vamos embora? – Perguntou Augusto, dando sinais de cansaço pelos esforços do dia.

— Mas já pai? Não vamos ao cinema?

— Seu pai têm uns filmes ótimos em casa! – Intrometeu-se Maitê, tentando disfarçar um princípio de enjoo.



Ele não contestou, mas duvidava que o Império dos Sentidos fizesse parte do acervo. De repente sentiu vontade de bater uma punheta e lembrou que a última fora pela manhã antes do pai passar pra lhe pegar. Saiu do raio de visão do pai que dirigia, aboletando-se mais para trás do banco do carona, esticou a mão maliciosamente até tocar o braço direito da madrasta. Estranhou quando ela correspondeu, fazendo um carinho no seu antebraço, depois passando para a sua mão e os seus dedos. Ele enfiou a mão livre por dentro do short e tocou o seu membro já em posição de sentido. Maitê puxou a mão do garoto até a altura do seu seio, fazendo-o sentir a superfície do seu mamilo inchado. Movimentava a mão de Dado, friccionando o seu pequeno indicador naquela região, coberta apenas por uma fina camada de tecido. Sem nenhuma testemunha que o visse revirar os olhos, ele esporrou nas costas do banco dianteiro, guardando o instrumento logo que o pai começou a falar outra vez, assustando-o.



— Filho, se prepare pra perder no vídeo game!

— Street Fighter?

— Não. Super Mario Bros!

Dado perdeu a ereção como quem rouba. Rapidinho.



...



Passaram por um caminho gramado margeado por orquídeas vermelhas antes de entrarem no que Júlio chamava de anfiteatro. Uma enorme tenda marroquina verde e vermelha, com arabescos dourados bordados nas almofadas que se espalhavam pelo chão, emoldurando mesinhas baixas, onde estavam sentadas algumas mulheres fumando narguilé. As moças de aparência jovial, tinham um véu a lhe cobrir o rosto, porém não trajavam qualquer outra peça de roupa. Estavam completamente nuas a despeito de não se poder ver os seus rostos. Pela rigidez dos seios e tez da pele, Sarita julgou que nenhuma delas tinha mais que vinte e cinco anos. Riam quando chegaram, e agora silenciavam diante da presença do homem que supostamente era o sultão daquele harém.



— Sente-se aqui minha querida – Orientou para que ela se acomodasse, batendo as palmas das mãos por três vezes, como uma ordem para que se preparassem para o show.

Ela viu a movimentação do pequeno grupo de dez fêmeas na flor da idade se posicionar, enquanto uma versão animada de Fata Morgana saia dos alto falantes. Umas começaram a remexer o ventre como se um acasalamento fosse essencial para que continuasse vivendo. Ela não precisava ver os lábios daquelas garotas para saber que estavam felizes como pintinhos de um dia saltitando num lixão urbano.



— Sarita é uma convidada. Aliás, a primeira a assistir o resultado de um milagre causado não por uma divindade, mas por um objeto. Objeto esse, que a empresa em que ela trabalha fabrica, portanto, por ser parte do milagre, é uma honra tê-la aqui na nossa presença para que fique evidenciado de uma vez por todas o que se operou na minha vida e nas suas vidas – Brandiu Júlio, olhando seriamente as garotas que não paravam de dançar, mas que prestavam uma atenção hipnótica às palavras do seu amo.



O que se seguiu foi a aproximação das súditas ao homem, cercando-o ao ritmo da música. Começaram a retirar-lhe as peças de roupa até despi-lo por completo. Sarita percebeu que o dote daquele sultão, ao menos enquanto amolecido, não era lá essas coisas, quase uma coisinha de nada. Um pênis plebeu, um blefe risível. Colocaram-no deitado numa cama que parecia ser de vidro e se puseram em fila indiana, começando a passar de pernas abertas por cima do corpo do seu barba azul. Para surpresa de Sarita, todas elas paravam sobre o ventre de Júlio e urinavam sobre o homem. Uma a uma esvaziavam as bexigas sobre o corpo dele como se a curá-lo de um ataque de águas vivas. Fata Morgana se repetia tocada cada vez mais alto, enquanto a chuva dourada que banhava o sujeito, escorria pelas laterais do seu corpo.



Uma das moças entrou por trás de uma cortina e voltou empurrando um carrinho com um avalanche em metal polido dentro de uma redoma de vidro. Ela já tinha visto isso antes. Ligou-o na tomada e esperou uma ordem. Úmido suficientemente para levar uma descarga, a mesma moça ligou o aparelho enquanto o seu amo se levanta, aproximando-se do eletrodoméstico com uma contrição digna de quem vê Deus diante de si. Benze-se, abaixa a cabeça e pede que diminuam o som a um volume mínimo. Como antecipando o que irá acontecer, as moças se deitam nas almofadas espalhadas pelo chão a espera do seu quinhão de sexo. Júlio estende uma das mãos e toca o liquidificador operando na velocidade máxima sem nada dentro para misturar ou triturar. O que se produziu foi uma descarga de proporções épicas, levando o eletrocutado a ser jogado alguns metros para trás, o que deixou Sarita preocupada por alguns segundos. Logo viu que aquela parte da apresentação já era esperada. Quando o seu entrevistado se levantou, percebeu que o seu bigulim merecia mais crédito do que ela própria teria dado. O órgão do homem parecia ter sido inflado com hidrogênio tal o tamanho e a teimosia em querer olhar pra cima.



— Em posição meus amores – Ordenou o sultão em uma voz que parecia ser de outra pessoa.

Imediatamente, uma a uma, as mulheres puseram-se a abrir as pernas. Em vinte minutos ele havia se servido de quatro bocetas, ejaculando em todas elas. Quando ela imaginava que ele se daria por vencido, pôs as outras seis súditas restantes enfileiradas de quatro, e alternou entre os seus ânus e vaginas com uma tara só vista em estupradores em série. Quando não lhe restava quase nada de esperma, olhou para Sarita e disse.

— Não sei até onde vai os limites da tua sensatez, mas peço que a minha última gota seja em sua homenagem.

— Desculpe, não entendo.

— Apenas baixe o short. Não quero um coito, apenas a sua visão.

— Não sei.

— É a prova final do que o seu produto fez por mim.



Sarita titubeou por um instante, mas depois de ver tudo o que se passou diante dos seus olhos não seria ela a quebrar o clima. Levantou-se ainda meio envergonhada, e ao lembrar que estava com uma linda calcinha fio dental preta, ganhou confiança, esquecendo-se por completo do fio do absorvente interno que poderia estar visível pelo lado de fora. Lentamente, desatou o cinto e baixou o zíper, enquanto Júlio iniciava uma masturbação a poucos metros dali. Não sabia se teria que tirar a calcinha. Iria acompanhar o desenrolar do ato para tomar uma decisão. Deixou o short no chão e embalada pela música, começou a mover a anca lentamente. Viu as moças levantarem-se do chão, embebidas de esperma, felizes por desempenharem tão bem seus papéis, com os lenços que lhe cobriam os rostos a balançarem junto com os seus corpos, num incentivo tácito para que Sarita recebesse a homenagem suprema. Júlio aproximou-se enquanto movimentava com a mão o seu membro transmutado em um pedaço de carne descomunal, rijo e rubro. Sarita fechou os olhos e numa atitude levada pelo tesão que lhe invadia, arrancou a calcinha. Virou-se de costas e se pôs de joelhos na única cadeira do lugar e empinou o seu rabo com as pernas ligeiramente abertas para que o sultão tivesse o privilégio de vislumbrar o seu oráculo.



O homem demonstrando uma agonia incomum, lutava contra mais uma ejaculação, tentando aproveitar a visão privilegiada por mais tempo sem sucesso. Com as ancas de Sarita como paisagem e os seus delicados orifícios umedecidos como epítome do seu milagre, e com a surpresa daquele fino cordãozinho branco grudado no seu clitóris, ele gemeu alto e fez o pênis cuspir as últimas gotas que lhe restavam, respingando na bunda perfeita da sua convidada.



— Desculpe por isso.

— Uau! Que espetáculo Júlio Bracci! – Disse ela se recompondo, atrapalhando-se ao tentar vestir a calcinha por tentar manter olho no olho naquele homem misterioso.

— É uma forma de agradecimento a Avalanche.

Ela imaginou Garcia administrando um banco de esperma dentro da empresa.

— Não sou pudica, fique tranquilo.

— Leve o meu recado aos quatro ventos e espalhe as virtudes do seu produto. Sem ele me sinto um eunuco. É imprescindível para que outros sejam felizes, que não deixe faltá-lo nas prateleiras.

— Faremos todo o possível – Respondeu já vestida, percebendo que as moças daquele lupanar particular já não estavam ali.

— Elas agora fazem o seu asseio, comem, estudam e dormem. Quando tiverem vinte e um anos seguem a vida que quiserem. Faculdade, trabalho, família, qualquer coisa, com a minha ajuda financeira, claro. Mas sem nenhum contato sexual com a minha pessoa. Mas duvido que alguma delas consiga se curar da ninfomania um dia. Um efeito colateral da vida que levam. Por escolha própria, diga-se de passagem.

— Não precisa entrar em detalhes. Essa vai ser a matéria mais influente no curso que irá tomar na história, o que um dia foi chamado de eletrodoméstico – Retrucou Sarita, reavaliando para baixo a idade das ninfetas pornô-atrizes.

— Se essa empresa um dia falir, farei uma oferta generosa para adquirir o projeto original dessa máquina. Conte comigo para perpetuar esse prodígio.

— Não esquecerei. Há um táxi esperando por mim lá fora – Informou, tentando se livrar do olhar fixo de Júlio, pousado no seu, desde que ele gozara no seu traseiro, que aliás, permaneceria sujo até chegar em casa, pois só daria tempo de passar no hotel e pegar suas malas antes de tomar o avião.

Sobre a obra

Sarita Leitão (apesar de odiar o sobrenome herdado do ex-marido, temia em recuperar o "Pinto" do pai no seu documento), fora demitida da empresa depois de anos de dedicação e intrigas internas.

A Liquidificadores Avalanche passava por um mau momento, devido aos processos que se acumulavam na justiça, vindos de consumidores eletrocutados enquanto faziam suas vitaminas pela manhã com um dos seus eletro portáteis.

Desencanada que era, resolveu dedicar-se a Bebeca, sua lulu da pomerânia, enquanto administrava os perrengues cotidianos, inclusive os de Dado, seu filho precoce de oito anos que já se iniciava na arte do onanismo. Também havia os exageros da sua mãe, que via o mundo sob uma ótica peculiar e, o seu novo namorado, que gostava de colecionar coisas estranhas, como piercings usados e dentes cariados.

Tudo muda quando ela recebe uma ligação.

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MARCELO BRETTON
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