Já não sei mais
Quem sou.
Fui tantas
Morri tantas vezes...
A criança que fui
Morreu de espanto
Numa tarde vermelha...
A adolescente se foi
De madrugada
Durante as férias
De algum verão...
A jovem agonizou
Numa tarde fria
Olhando
Uma cadeira vazia...
A mulher madura
Reluta
Com todas as forças
Para não fraquejar...
Recusa-se
A ceder seu espaço
À velha senhora
Que um dia virá...
Um dia...
Talvez no outono
Ou na primavera
Já que quando se morre
Se renasce outra vez
E floresce...
Vira então
Depois o dia
Em que a velha senhora
Também partirá...
Morrerá outra vez
Tantas vezes morreu
Tantas vezes nasceu
Renascerá...
Não tem outro jeito, mas até que vale a pena.
Muito bom, moça, emocionou...
Um beijo, Alcanu
Alcanu
A "moça" agradeçe... rss rss
Bjo.
Essa percepção da qual não podemos fugir algumas vezes amedronta-nos, outras vezes apavora-nos... Porém, devíamos quando muito usá-la como um momento de reflexão... E de aproximação com aqueles que nos cercam... Nossa experiência há de servir de ensinamento para os mais jovens... Bem, acho que é o que queremos... Profundo seu texto... Aparece em http://www.overmundo.com.br/banco/do-livro-dos-esquecimentos-parte-ii...
Abraços...
Pepê
Há uma fase da vida que nos julgamos eternamente jovens... De repente, você abre os olhos... E já passou...
Como disse Alcanu: Não há o que fazer, a não ser aceitar as etapas da vida e crer que ela continua... Interminável...
Abraços!
Nydia minha linda criança, adolescente, jovem, mulher madura e a futura senhora que um dia partirá...
É isso. Nascemos e morremos tantas vezes. Renascemos... Somos múltiolas em uma.
Lindíssimo!
beijão
Que bom que gostou, Branca.
Beijão.
Quanta beleza!
Um dos melhores que já fez, Nydia!
Abraço
http://interludios.blogspot.com
Fico feliz que tenha gostado, Carlos.
Obrigada.
Abraço!
Vanessa
Tenho esta imagem há muito tempo em meus arquivos, com este nome Tela_tristeza. Infelizmente não sei de quem é a pintura.
bjo!
Nydia, aprofundamos nossa percepção de mundo quando notamos quantas vezes já morremos... e renascemos. E compreendemos que a vida também é feita de morte. De ciclos.
A pintura e a poesia estão expressando muito a alma feminina, gostei, viu?
Beijo grande.
É verdade, Regina.
Quando nos percebemos (in) finitos, mudamos nossa visão de mundo. É estranho. Quando descobrimos que morreremos um dia, aumenta a certeza de que viveremos para sempre...
Beijo!
O primeiro voto é meu... Abraços...
Pepê Mattos · Macapá, AP 8/2/2008 22:17
Volto querida, para os votos.
bjão
Alguns ( poucos, hein ) fios de cabelos brancos mais velho, venho lhe trazer renovados votos, essa nossa vida é mesmo uma ( ou várias )
M A R A V I L H A
Um beijo, querida, lembre-se de ter um espírito ( pelo menos isso ) cada vez mais jovem !
Alcanu
Pepê, Branca e Alcanu:
Sempre bom ouvir vocês...
bjos.
"Recusa-se
a ceder seu espaço
À velha senhora
que um dia virá..."
Assim ficamos quando os janeiros(como diz a minha mãe) vão aumentando. É difícil, mas é gratificante vivermos e tornarmo-nos sábios... linda trajetória em teu poema, que não vai envelhecer nunca!
abçs.
Betha
Meu pai quando já estava bem idoso e doente, dizia que era muito triste e injusto envelhecer. Eu sempre dizia a ele que envelhecer é privilégio dos fortes. Tantos ficam pelo caminho... Triste é não envelhecer e não passar por todas as etapas que a vida nos apresenta...
bjo.
cara nydia, belos versos, sentimentos idem... é a condição da vida humana, frágil e efêmeraa, plena de tantas perdas...mas também há o contraponto dos ganhos... das emoções, das vivêrncias, dos amores, dos amigos... viver é assim, já dizia Guimarães Rosa "viver é perigoso". Parabéns...
danlima · Brasília, DF 9/2/2008 21:16
Dan e Ailuj:
Que bom que gostaram.
Obrigada!
Abrçs.
Mas a felicidade e` poder dizer isto tudo ai`...Parabens pelo poema...
victorvapf · Belo Horizonte, MG 9/2/2008 23:22A foto, o quadro, quem pintou esta beleza?
victorvapf · Belo Horizonte, MG 9/2/2008 23:23
Victor
Também acho linda esta tela. É de Celito Medeiros.
Bjo!
Olá, Nydia. Parabéns pelos votos alcançados. Seu poema é merecedor de mais um, e aqui está. Boas reflexões sobre o efêmero da vida, no poema e nos comentários. Em todas as minhas idades eu sempre senti a vida como sendo um processo de idades a serem alcançadas, e com elas acontecerem mudanças muito significativas. Aos 10 eu olhava o amigo de 15 e pensava: puxa! aos 15 tudo vai ser muito diferente. Aos 15 eu pensava que o conhecido de 25 era um homem pronto e maduro. Chegaram os 25 e pronto e maduro seria agora o homem de 40. Mas quando cheguei aos 40 eu não era ainda aquele dinossauro que tinha pensado. E assim passaram os 50 e os 60. Hoje já são 63 e quando olho para trás constato que fui jovem em todas as minhas idades e que o dinu ainda está por vir. rs. A vida muda à medida em que os anos passam e à cada idade as situações se mostram como apropriadas àquela idade e a vida se torna cada vez mais simples. A consciência da morte é um condicionante durante toda a vida e em tese ao lado de uma certa angústia por ser assim, vem a compreensão que só a morte dá sentido à vida. Uma vida eterna seriam águas paradas de um lago quando a satisfação e a alegria estão na renovação do rio corrente e a oxigenação nas cascatas morro abaixo. Bom...assunto polêmico e bastante extenso. Desculpe-me se me alonguei.
Óh! amanhã meu ´O Olhar da Estátua´ entra em votação. Se gostar, não faça cerimônia, - pode dar uma forcinha. rs.
abraços.
Muito linda poesia, recebas meu voto e aplauso, Bjs
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 10/2/2008 03:11
Marco
É assim mesmo.Quando eu tinha 15 anos, perguntava para minha mãe: Como é ter quase 50 anos? Ela dizia: Não faz diferença. Meu espírito ainda tem 15 anos. Eu achava rídículo (Adolescentes... rss) Hoje, depois que fiz 40 anos, entendo exatamente o que ela dizia... Somos os mesmos, mas diferentes, e como você disse, vemos a vida de maneira mais simples...
Obrigada pelo comentário.
Abraços.
Nydia Bonetti · Campinas (SP)
Maior satisfacáo vir ver a beleza da ilustracáo e,
atestar seu talento na também linda poesia.
....Morrerá outra vez
Tantas vezes morreu
Tantas vezes nasceu
Renascerá...
Parabéns pelo admirável com que ofertas para nosso Overmundo.
Abraco Amigo
É, Nydia... assim é esse ciclo chamado vida... e assim vamos escrevendo a hossa história...
Belíssimo.
bjs.
Azuir e W@nder:
Sempre bom ouví-los.
AAbraços!
Olá Nidia.
Como sempre, nos emocionando com sua sensibilidade.
Lindos versos. É a verdade da vida em forma de poesia, de música...
Sabe o que pensei.... Você tem o dom de embrulhar a vida em papel de bala... tornando ela mais mais linda e mais edoce.
Parabéns!
Demoro, mas não falto.
Beijo.
Alex
Eu tento mesmo, adoçar, suavizar um pouco a vida. A minha e a de todos que eu puder atingir. Em alguns poemas eu sinto que consigo isto.
Obrigada.
Beijo.
Brotaremos em outros campos...senhoras de nós mesmas...
Belo...belo...
bj
beloooooo!!!
deu pra sentir o agonizar do tempo...
Forte abraço,
Com toda certeza, Cintia. Outros campos... Sempre as flores...
bj!
Marcos
Ah...O tempo. Não pára.
As gerações passam... O tempo tudo destrói...
Eu porém permaneço, porque creio que com o Criador me pareço... Fé ou Pretensão?
Abraços.
Linda!
Acho que todos temos esse momento de recusa... Essa transição inevitável que recusamos aceitar... A certeza é de que a morte um dia virá reclamar o que é seu. Beijo!
Gostei bastante e concordo com muita coisa "embutida" no poema.
Bruno Lessa · Porto Alegre, RS 10/2/2008 17:48
Bruno
O que tem "embutido" nos poemas somente os mais sensiveis podem ver.
Obrigada.
abraço.
Nydia,
Representasses bem nossas fases... Agora, quanto a renascer..., não vejo tuas palavras retratando o renascer após a morte e sim, renascer para a vida... para o amor... apesar de estar envelhecida.... (talvez espiritualmente, calejada das lutas da vida).
Portanto, acredito que todo tempo é tempo de renascer... não precisamos esperar morrer literalmente, precisamos sim, é ir buscar esperanças para um NOVO RENASCER.
Mais uma para guardar.
bjos
Será, Ilze? Quem sabe. Quem sabe...
Obrigada querida.
beijo.
Tenho saudades da vida
Do meu tempo de criança
Desse mundo de esperança
Do folguedo que não cansa
Da Primavera perdida.
Tenho saudades da vida
Do meu tempo de Verão
Que marcou meu coração.
Vento forte de suão
Mais uma etapa vencida!
Vou ter saudades da vida
Desse tempo de Outono
Desse sol doirado e morno.
Folhas queimadas do tempo
Que levadas pelo vento
Vão povoando meu sono.
Mais uma encosta descida!
O inverno baterá à porta
Irá batendo de mansinho.
E eu pedirei com carinho:
- Espera só um pouquinho ...
Mas ele insistirá em passar
Para dentro da minha vida
E a natureza já morta
Teima ainda em recordar
A minha infância perdida.
Beijos minha linda flor!
Minha eterna menininha...
Felipe
Tão lindo ver passar as estações... Num ciclo que nunca termina.
Beijo!
Lindo demais o seu poema.
Que bom que é o renascer. Parabéns NYdia,
Votado.
Um beijinho com carinho
Já disseram tudo, Nydia. Só me resta votar.
Jairo Oliveira Ramos · Aracaju, SE 10/2/2008 21:16
Agora me dou conta de quantas vezes já enterrei me a mim mesmo.
um abraço, andre.
Dalena
Você bem sabe como é bom renascer...
Beijinho.
André
Também demorei para perceber. Onde estão os meninos e meninas que fomos? Existem apenas nos "retratos" desbotados e nas nossas lembranças...
Um abraço
Nydia, tão bonitos versos, de certa melancolia e, entretanto, de esperança.
Tantas vidas vivemos, tanto prato, tanto riso esperas sem fim.
É assim que vivemos, sempre outra vez.
beijos
Onde quer que renasça, há de haver, sempre, o mesmo ar de graça...
Marcos Paulo Carlito · , PR 10/2/2008 22:06
Saramar
Todo fim nos deixa melancólicos. Na esperança, renascemos.
Beijos
Carlito
A essência permanece. Às vezes com graça, outras vezes sem graça. Mas sempre a mesma essência...
bj.
A morte,
essa dependente biológica
sequer existe por si,
Nem produtiva é,
a desinfeliz
a depender dos que vivemos.
Ela sequer produz,
a horrenda infértil,
apenas tenta interromper
renascimentos re_e_produtivos.
Assegurada a existência pela obra,
Ao indívíduo, a mim, a ti, Nydia,
resta-nos sermos felizes pela vida
"e não ter vergonha" de sê-lo.
[é que fizera sol durante o dia, e já chovia enquanto lia e dá-se conta que o vapor tornou-se novamente água, como pode o fim ser da existência recomeço, então perene, como já são teus versos lindos e pungentes]
A expressão da vida assim
produtiva eterna seria, então.
Ao menos, hoje, terna é.
Beijo.
Adroaldo
Independente de nossas crenças sobre a eternidade da vida (eu creio), enquanto há vida, há que ser terna... e doce, como suas palavras... A obra, com certeza permanece, pois sem ela a fé é vazia.
beijo.
suas palavras sao piramidais
Piramide=calor interior em Sanscrito
luzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Precisamos manter acesa a imensa fogueira que existe em nossos corações, mantendo assim o calor do Fogo Sagrado gerado pela alegria de viver! Então afastamos o medo da escuridão e podemos enfrentar o futuro com coragem, apesar dos percalços e das ameaças. E que esta energia se espalhe e se transforme em luzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
Numa de minhas frases digo que NASCER E MORRER É ANTÍTESE COM SABOR DE SINONÍMIA.
Ao ler seu belo poema, morri em cada verso e nasci no subsequente como morrem e nascem nossas fases (e/ou nossas faces).
Fazer poesia é isso mesmo: morremos e ressuscitamos na palavra, pois no princípio era o Verbo...que imortaliza.
Como diz o Pelé: Entende?
bjs
É verdade, Frazão.
A palavra imortaliza... Mas também destrói. A mesma força construtiva que possui, pode se tornar devastadora e destrutiva.
Tudo na vida tem as duas faces. Somos livres para escolher de que lado ficar. Nós escolhemos a poesia... Tivemos escolha. E os que não têm?
Entende?
Eu tento entender. Mas há coisas que não entendo...
bjs.
Nunca Mais!
Hoje estou desatando da memória as imagens de amor.
porque as coisas são como são:
no momento em que escrevo e no momento em que você lê,
abrimos esses arquivos de imagens geradas a partir do amor, que são
- vamos admiti-lo antes que seja tarde,
- os nossos arquivos prediletos.
Tudo o que realmente nos interessa está arquivado ali.
Na câmara escura das nossas recordações.
Imagens que vamos recolhendo vida afora.
Elas têm nome e uma história para contar, cada uma delas.
E nostalgia.
Nunca mais!
O coração se magoando todo o dia,
a gente engolindo sapos e lagartos e se esquecendo
de que é capaz de mudar cada uma das histórias,
reescrever o livro das nossas vidas.
Uma hora mais cedo e a cena teria sido outra ou o que teria acontecido
se você não tivesse ido àquele lugar, àquela noite,
quando o universo conspirava contra nós, ou a nosso favor?
Quem é que vai nos explicar?
Ninguém. Ou alguém.
Beijos de seu fã!
Eu é que sou sua fã, Felipe.
Tão jovem e já tão maduro, com uma sensibilidade rara...
Beijos.
eu fiquei mais que encantado
me atravessou o vergalhão invisíveld a verdade, exposta em suas palavras que se juntam em harmonia
teleguiada
postergada desde a alquimia antiga
maravilha
mais que votado
Obrigada, Wado.
Que incrível. Estava neste momento vendo teu site. Teleguiada, talvez...
bjo.
ERRATA: A imagem que ilustra este poema é de Jose Royo - Artista contemporâneo Espanhol.
Nydia Bonetti · Campinas, SP 16/2/2008 23:05Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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