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REPARTINDO

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Sinvaline · Uruaçu, GO
12/11/2007 · 86 · 15
 

Repartindo...

Totó nasceu no meio do mato, entre os bichos, pés no chão, indiferente à vida da cidade. Por ter um defeito físico que lhe fazia andar mancando, sofreu muitos abusos dos outros meninos, até grandes surras.
Totó cresceu só; sua solidão era repartida com o riacho do fundo da casa, contava para ele suas mágoas, sua vontade de crescer, de ter uma perna perfeita e tudo o mais...
A meninada não perdia oportunidade de fazê-lo correr, só para ver a queda, e rir de suas pernas bobas, da sua capengue.
Na época da escola, foi mais difícil, foi motivo de troça, saiam cantando atrás dele assim: Totó caxingó, Totó caxingó... Ele chorava e se escondia, até que resolveu não voltar mais à escola, apesar da surra que levou do pai.
Melhor apanhar um dia do que sofrer humilhações seguidas. Aprender a ler pra que? Para conversar com o riacho não precisava das letras, pensou.
O pai lhe deu tarefas pesadas e como castigo tinha que capinar a roça.
Quando chegava em casa mal conseguia comer de canseira, só descansava quando ia tomar banho no riacho; e ali sonhava que era perfeito, bonito, grande, que tinha uma namorada moreninha e ele sonhava, sonhava, até acordar com a voz da mãe lhe chamando para dentro.
O tempo passou e Totó tornou-se um homem. Tez fechada, barba cerrada, parecia que toda a amargura da vida lhe estampava no rosto. Baixinho, mancueba, não arrumava amigos, nem namorada.
Algum fim de semana ia para o povoado do Cerradão, andava para lá e para cá, depois, cansado voltava e ia para a beira do rio, sempre só.
Um dia seu pai lhe diz que já era hora de casar, adquirir família, pois já contava com seus 31 anos, não podia ficar só. Comentou sobre uma família que se mudara para o Cerradão, vinda de Minas Gerais e tinha uma filha solteirona, quem sabe se enganchava com ela, a moça se chamava Cotita.
Totó chegou no Cerradão, começou a passar na frente da casa pra lá e pra cá para ver se via a tal solteirona. Via apenas uma mulher morena, acanhada que baixava a cabeça quando ele a olhava. Sorriu para ela, tremendo diante da expectativa da reação da moça. Qual não foi sua surpresa quando ela lhe dirigiu um sorriso aberto, simpático. Ele se aproximou.
- Bom dia...
A moça esboçou um sorriso, olhando-o de cima em baixo e desatou a rir sem dizer nada. Ele foi saindo desconfiado, pé ante pé, sem saber se ela ria dele ou para ele.
Totó ficou muitos dias sem ir ao Cerradão, porém ficara meio decepcionado, meio esperançoso. Até que chegou o dia da festa de São João, o povoado do Cerradão estava repleto de barracas, de gente, resolveu ir.
Vestiu sua melhor roupa, passou uma água de cheiro, montou seu cavalo e se mandou.
Chegando à porta da igreja, ficou olhando o movimento de cima do cavalo. Cadê a Cotita? Andou ao redor e nada, já estava quase descrençando de vê-la, quando alguém lhe diz em voz baixa:
- Que cavalo bunitão...
Ele olha e reconhece a Cotita. Estava toda enfeitada, sorridente, bonita apesar das falhas nos dentes. Mas isto não importava, ele também tinha lá seus defeitos físicos.
Totó desceu do cavalo, coxeou até perto da moça e olhou para cima, pois ele era muito baixo e ela de estatura média. Chamou-a para dar uma volta e lá se foram os dois passear nas barracas.
Cotita quase não falava, apenas sorria. Totó logo lhe propôs casamento. Ela concordou só que ele tinha que pedir ao pai dela o consentimento.
Totó falou com o pai, que ficou muito alegre, não se sabe se pelo fato do casamento, ou por se ver livre da filha...
Contrataram seu Antônio carroceiro para levá-los à cidade mais próxima para dar os nomes...
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Autoria
Sinvaline Pinheiro
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Marcos Paulo Carlito
 

Parece linda a História, vou baixar e volto pra comentar...

Grande abraço!

Marcos Paulo Carlito · , PR 9/11/2007 16:39
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Rubenio Marcelo
 

Sinva,
Estou curtindo o seu texto.
Voltarei para votar. Ok?

Rubenio Marcelo · Campo Grande, MS 9/11/2007 17:03
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azuirfilho
 

Sinvaline Amiga.
Náo gostei do fim, pois é muito doido. Sempre conto com uma chance para todos.
Quando damos uma chance honrosa para o personagem criado, é para influir na História Real do dia a dia táo dura que queremos mudar.
Contudo ë um Texto admirável.
Você é uma escritora incrível, só parei de ler para fazer o dodwload.
Parabéns pela elevada inspiração.
Você é uma Escritora já formada.
Conto de estar formando uma Amizade Fraterna com Você.
Abração Amigo

azuirfilho · Campinas, SP 9/11/2007 19:23
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Saramar
 

Sinvaline, achei tão triste!
Pobrezinho dele, só encontrou tristezas, desde pequenino.
Os trechos que falam do riacho são os mais bonitos, tanto na hora da felicidade, quanto da dor.
Gostei muito.

beijos

Saramar · Goiânia, GO 9/11/2007 19:25
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Sinvaline
 

Pois é, o fim é triste mesmo. Mas como é uma historia real de um vendedor de picolé de uma currutela aqui perto, nao posso mudar.
Acompanhei toda essa novela de perto.
Obrigada a todos pelo comentario.
Sinvaline

Sinvaline · Uruaçu, GO 9/11/2007 19:30
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carlos magno
 

Bem, amiga Sinvaline,

o teu conto é muito interessante gostei abessa, foi mais uma decepção que se somou a tantas outras que ocorreram na vida desta pobre vítma. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 9/11/2007 20:19
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Candice Gonçalves
 

Para conversar com o riacho não precisava das letras, pensou. que coisa linda, Sinva! Parecia que eu era observadora dos passos de Totó, de tão bem contada a tua estória! parabéns!

Candice Gonçalves · Crato, CE 9/11/2007 20:32
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Cintia Thome
 

Muito triste, mas bem elaborado e bacana por vc ter acompanhado a estória na realidade
bj

Cintia Thome · São Paulo, SP 9/11/2007 21:16
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Marcos Paulo Carlito
 

Sinvaline, triste mesmo. Mas pelo menos não foi trágica como outras do sertão, cabocla Tereza, por exemplo.

Seu texto me prendeu até o fim. Você escreve bem, tem uma narrativa gostosa, boa descrição de fatos e personagens.

Quanto ao desfecho... vai entender a vida!?

Marcos Paulo Carlito · , PR 9/11/2007 23:27
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Marcos Paulo Carlito
 

Voltei pra dar meu voto.

Abraços e mais uma vez parabéns pelo seu conteúdo sempre fantástico. Com a incrível capacidade de relatar fatos com poesia e romantismo...

Abraço Guaicuru!

Marcos Paulo Carlito · , PR 11/11/2007 17:12
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Cintia Thome
 

Sinvaline, teu texto é generoso. encantada com tua lavra. voto.bj

Cintia Thome · São Paulo, SP 11/11/2007 22:03
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carlos magno
 

Estou votando amiga Sinvaline.
Beijos.
Carlos Magno.

carlos magno · Rio de Janeiro, RJ 11/11/2007 23:24
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Lucian Ribeiro
 

eu gostei, teve um desenrrolar legal, e um final engrasado apesar de triste

Lucian Ribeiro · Belém, PA 12/11/2007 11:46
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danielly linda
 

oi obrigado a todos voces bjs

danielly linda · Uruaçu, GO 14/11/2007 16:23
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danielly linda
 

parabens vovo estou feliz por ser igual a voce
parabens
danielly

danielly linda · Uruaçu, GO 14/11/2007 16:35
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