um dia, o homem
todas as dores e manifestações que lhe comem a noite
o pouco da noite
acorda samba, recorda as cores daquela madrugada e amor
eu via as cores na televisão
pula do preto, pula do branco
sete horas parado, sangrando enquanto drogas seguem nas mãos
das casas, das ruas, das meninas, dos meninos
e todos tem medo do escuro
segue em frente só
porque de ontem pra hoje eu vi o amanhã sorrindo
parece samba, deus, parece bossa
sego ciga hagora é ora
um homem e seus preconceitos
o velho esperto ri para os meninos
e eles que não riam e eles que não falem
e eles que não chorem
não é hora de parar
ele aperta a minha mão e depois me mata?
a maldade, maldade
um mendigo pedindo pão numa língua culta
um pobre orando e guiando a nação
um paraplégico escreve bonito
as linguagens que escorrem em meus dentes
salivam porções de, porções da, porções do
era tudo escuro
hoje falarei sobre saliva:
eu tenho medo da música. subo no palco e minhas mãos tremem, meus pés querem ser voz e ir embora, me deixando solitário e não só, há olhos que esperam minha voz e palavras. são a minha companhia. ainda não consigo olhar pras suas caras, então olho pro meu violão, ele nunca me sorriu, ou disse gostar de minha música, às vezes desafina, é o único sinal que dá... eu gostaria de cantar um número grande de canções, uma seqüência delas, transpor minha torrente de palavras e imagens, uma professora disse que achava impressionante as imagens que eu criava, não sei se realmente falou impressionante, mas é disso que me lembro... as músicas novas ganham mais força no meu coração, sempre se sobrepõem as velhas, mas há músicas velhas que sempre soam novas, e há novas que já nascem velhas... que confusão?! bem, escrevi tudo isso pra dizer que na primeira sexta de cada mês há uma apresentação musical no pátio de onde estudo, umas poucas pessoas passando ao redor, mas não me preocupo com as pessoas, o que me interessa são as músicas. como elas soarão no vão-pátio? elas querem ser música ligeira, música pro vento, palavra que se mova, palavra que grite, se há ouvidos é uma outra estória... falei com uma diretora ou coordenadora de onde estudo – é tão difícil pra mim não dizer o nome e sim funções - , ela entre olhar papéis e entreolhar os meus olhos me disse uns nomes, não decorei nenhum, mas se o medo da música não me afetar, talvez eu volte a falar com ela, cantar é tão bom, mas dá uma preguiça... (minha citação literária semanal: paródia de Macunaíma – Mario de Andrade)
Formidável!
Parabéns pelo trabalho poeta!
beijo na alma!
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