se despedir é contra as leis da natureza. saudade. vi o homem negro com viola cantando chico e luiz. o som sai bonito. mas minha música é outra. é qualquer outra coisa. tenho medo de soar ridículo, mas pessoa já foi ridículo, deu charme ao amor, já tom e vinícius deram charme e graça à saudade, botaram-na no olho do furacão da américa. eu penso que ninguém dá muita atenção às palavras, tudo é linguagem de sinais, e hoje tentaram me roubar um minuto de minha coragem, tive medo porque ela, sabe aquela que eu me despeço? o bom de ser experimento é que posso ser sujo à vontade, à revelia. pasquale é bonito mas é ridículo. ele ama a língua, mas isso não basta. pasquale, escorregar é bom. mas ele sabe disso. o homem alto e provocador não me provoca tanto, ele também é engraçado. caetano uma vez disse que se há um lugar onde se devam ter preconceitos, esse lugar é a língua. mas sou uma fruta verde numa árvore cheia de galhos sujos e moribundos, um dia sou chão, raiz e semente... mas o negro canta bonito, o pandeiro é agradável, mas minha palavra é outra, mas... vamos falar de música... falei com o homem charmoso e gentil, é hora de desistir, mestre. ainda tenho sonhos que permeiam minha vontade, ainda dou um murro na cara das crianças e mostro a elas que dá murros não matam nossa vontade de viver a dor. pessoa. eu queria uma voz afinada, que fosse ligeira e precisa, que encantasse as mulheres e os homens de negócio, a lábia certa, a lábia errada, a verve dos políticos, o sonho da cidade. nesses dias de outubro, eu me preocupo mais em cantar bonito e não sentir dores nas mãos do que qualquer outra coisa, aos poucos as coisas mudam, minha vida mudou assim, aos poucos e veloz demais, assim sereno, como o mar, metáforas com o mar são tão bonitas e agressivas, pode-se dizer bobagens falando sobre o mar, já caí nessa tentação, hoje não caio mais, escrever é sempre reescrever, ler é sempre reler, nós sabemos disso, mas sobre o som e a fúria do mar ninguém sabe, é a nossa esfinge... a companheira francesa perguntou a duas colegas se elas parariam para nos ouvir cantar, elas responderam que sim, eu acreditei, já são duas para nos ouvir, o problema não é ouvir, é suportar a onda furiosa que são nossas palavras, sei que doem, isso eu sei... ainda sobre a apresentação, eu queria cantarolar lá e em outrem-lugares, mas quais? os meninos se escondem nos becos, o meu amor estava num beco escuro, com medo, fui lá, devagar, toquei em seu ombro, era a língua francesa que era a sua, meu nome outro de musica era também francesa, toquei seu ombro como o mar toca o arrecife, rápido e carinhoso, deu nisso, o casal mais bonito dessa casa, disse a mulher que ama chico e piaf, eu acredito nas mulheres, deus é mulher e solitário, ela brinca como criança enquanto nós choramos muito, enquanto nós amamos pouco, meu texto é pra ficar perdido entre acaso e ignomínia, entre estes mesmos outros das prateleiras, mas sou como o homem provocador, eu sou o mar pequeno, um dia eu canto fúria pra esse tolos, um dia eu canto, amanhã é um dia?
poeminha sobre o mar:
eram três estrelas
uma caiu no chão
outra na terra
a terceira em minhas mãos
a do chão sumiu
a da terra afundou
e a das mãos eu dei pro meu amor
ela sorriu
isso é o mar
só
se despedir é contra as leis da natureza...
no link saliva #3 é possível ler com a versão máquina de escrever.
outras salivas no Outros Críticos.
Lindo,muito lindo seu texto esse poeminha sobr mar,divino!
Ailuj · Niterói, RJ 19/10/2008 11:51
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