De bom gosto eu sou isento.
Fome passei, não lamento.
Trabalho, pra mim, redenção...
Enquanto os anos nos calos dos dedos se vão.
Meus dias por vezes, me voltam e sorriem.
Teus caprichos é que não tem a menor graça.
Tais atitudes me remetem tantas vezes a total desgraça.
Me zango e me calo.
Minha fórmula por dentro é só falta.
De tantas grossuras e falhas, tão pouca finesse, envergo as cascas.
Sou um meio, sou metade, sou quase.
Não dispenso ajuda.
Nem devolvo.
Sou poeta.
Música brega.
Poesia pueril.
Isso eu não nego.
Eu sou um ardil.
Minhas vestes hip-hop.
Meu tênis é frágil e barato.
Minha calça démodé.
Resta-me o amor.
Nisso eu sou bom...
De fato.