|
home · overblog · a roça de teresa |
Observatório
Vamos fazer Contato? O Overmixter, em parceria com o pessoal da Rádio UFSCar, está lançando o concurso RecombinaSOM, de remixes. Músicos e DJs, profissionais ou amadores, podem inscrever suas obras e concorrer. Seu remix poderá entrar na programação da Rádio UFSCar e ser lançado na coletânea que a rádio produz anualmente, chamada Transmissões Independentes. Para participar do concurso, basta preparar... > leia
|
| |
|
| |
|
|
Escravas descascando mandioca-Vale do Paraíba do Sul-RJ/1859
Imagens
Pátio de Fazenda de café 1859
Escravos descansando na roça
Juro, de pés juntos, que é tudo verdade.
Numa noite de 1973, na quadra de uma Escola de Samba em Cascadura, fiz uma entrevista impressionante. Eu e um grupo de amigos (entre os quais estava o radialista Rubens Confeti, da Rádio nacional aqui do Rio de Janeiro).
O impressionante era que a entrevistada estava prestes a completar 117 anos e...havia sido escrava!
Quem já ouviu, ou mesmo viu, uma pessoa de 117 anos? São pessoas raras. Muitos eventos que só conhecemos pelos livros, foram para elas corriqueiros. A visão clara que elas tem do passado remoto, para nós é tão desconcertante que parece mentira.
Mas juro. Não minto e repito: Isto não é ficção. Desta vez, a história é a mais pura realidade.
Os incidentes que a entrevistada nos dá conta são de 1874, quando ela estava com 15 anos. Aconteceram, numa fazenda de café do Vale do Paraíba do Sul, Rio de Janeiro, chamada Santa Teresa, num município denominado hoje Avellar (que, na época, ainda pertencia à cidade de Paraíba do Sul). O nome Avellar é emblemático pois o patrão de nossa entrevistada era, ninguém menos, que o Visconde do Paraíba, João Gomes Ribeiro de Avellar.
O nome de nossa entrevistada é Maria Teresa dos Santos, matriarca de uma espécie de dinastia que, sediada no morro da Serrinha, em Madureira, não só implantou no lugar o Jongo trazido da roça, como ajudou a criar, em 1947 a Escola de Samba Império Serrano (Teresa foi a orgulhosa mãe de Antônio dos Santos, o Mestre Fuleiro, histórico diretor de harmonia desta escola).
O registro foi feito num gravador K7, cuja fita, mídia fantástica que é, sobrevive intacta em meu arquivo (o arquivo do grupo Vissungo), aguardando digitalização. O documento - que eu tenho um orgulho enorme de ter produzido - é um dos mais impressionantes registros históricos em áudio, que eu conheço sobre o assunto e será, assim que digitalizado, posto à disposição dos interessados em algum acervo público, dos poucos que o Brasil possui. O primeiro destes arquivos poderá ser, com certeza, o Overmundo.
Decidi dar a este post, que reproduz a transcrição da entrevista (também extraída, em parte, do meu livro 'O Samba e o Funk do Jorjão), um jeito menos formal. A idéia foi deixar Teresa falar sem edição, diretamente, para nós, seus leitores. Teresa morreu dois ou três anos depois da entrevista. Tinha, pelas contas que fazia, 120 anos.
Ao final deste post, alguns comentários se fizeram necessários, já que a entrevista gerou uma série de questões inéditas, a serem respondidas por uma pesquisa, de veios muito ricos, que, pelo visto não vai acabar tão cedo. Um destes veios é sobre o Jongo, enquanto ingrediente importante do caldo de cultura que é o Samba e que, a partir dos elementos trazidos à luz pela entrevista, ganha contornos muito mais nítidos, no tempo e no espaço.
Contudo e por tudo, mais uma vez afirmo, é Maria Teresa, a ex-escrava quem fala sobre o que viu em 1874. Por mais desconcertante que isto possa parecer, é tudo verdade.
A Roça na voz de Teresa
.."Queria dizer que naquele tempo eles sabia fazer o que agora num vejo ninguém fazer. Faziam! Se você estava com dor de cabeça ou uma dor de barriga, eles passavam a mão assim na tua cabeça e a dor de cabeça ia embora, passavam a mão assim na tua barriga e dor de barriga ia embora. Agora não. Agora eles não faz nada. Eles não sabem é nada. Eu não...Naquele tempo era bom. Eu não. Não sabia (curar). Só o Jongo. Num podia nada. E, depois...naquele tempo não podia aprender mais nada porque o Sr. Num deixava. Nós carregava os filhos deles. Ah!.. Deus me livre se agora fosse como naquele tempo! Nossa Senhora! Se agora fosse como naquele tempo...O Visconde era de Paraíba. De Avellar. Visconde de Avellar.
Num sabe aquela família Avellar?Ainda está lá. O sobradão branco, diz que tá cheio de cobra. Num tem mais nada daquilo. Num tem mais nada daquilo, meu filho. Fui uma vez lá depois que eu vim pra aqui, com alguém. O sobrado tá a mesma confusão mas, o sobrado eu conheço por dentro. Um apartamento, lá no alto. Sobrado grande. Só a fazenda! Só o pessoal que tinha! O Visconde tinha escravo de pagode! Tinha escravo pra duas forma. Duas forma (cerca de 300 escravos)! O visconde botava duas forma. Visconde de Avellar. Foi senhor do meu pai.
...Pra quem viu o cativeiro como eu vi....É triste. Olha...se você não queria dançar,você tinha que levar couro. Se não queria fazer qualquer coisa, tinha que apanhar. Tinha tronco. Tinha tronco de campanha, tinha tronco de botar nos pés, tinha tronco de botar no pescoço, tinha isso tudo."
A fuga da fazenda
..."Meu pai era capataz da fazenda. Meu avô criador de porco, mas era porco mesmo, num era esses porquinho de hoje não. A gente passava bem e passava mal. Mas morreu muita gente e, depois o Dr. Avellar era muito ruim! O pai dele num era ruim como ele não mas ele era. É brincadeira? Botar 'bacalhau'? Não sabe o que é 'bacalhau'?! Aqui na cidade tinha que ainda quando eu vim aqui pra cidade eu vi 'bacalhau', vi tronco aqui na cidade. 'Bacalhau é aquilo que é como se diz?...Como aquilo que é couro, enroscado assim...Um relho! Mas não era chicote não. Chicote era trançado e não era trançado não. É. É o que fazia...Dr. Avellar. Ele era filho do Visconde.
...Se fugia muita gente? Fugia! Fugia! Chamava Capitão do mato. Procurava eles. O que procurava eles era o Capitão do Mato. Coitados! Vinha tudo amarrado, algemado assim, tudo algemado, heim!(perguntada se lá tinha quilombo, não entende a pergunta): Em Paraíba tinha tudo. Pra onde eles fugia? Era no mato virgem. Era mais na roça. Paraíba, Campo Verde, Boa Vista, Conceição, Santa Teresa. Eu fui criada na fazenda da Santa Teresa. Era do Visconde de Avellar.
Ficavam lá no mato, coitados. As vezes eles vinham, roubavam um porco do senhor e iam comer no mato. Fazia fogo no mato pra comer. Ficava. No mato eles ficava escondido. Quando pegavam eles...meu senhor! Como passavam mal, como eles passavam mal no bacalhau...Olhe! Deus soube o que fez. Deus soube o que fez, meu filho! Eu vi isso tudo, sabe? Esse tempo eu tinha meus 15, 16 anos.
Eu vi muita coisa, né? Eu era Ventre Livre, eles queriam me bater, eu disse não! Eu sou forra! Eu sou ventre livre, não sou escrava não! Escravo é minha mãe e meu pai! Queriam me bater? Não. Não me batem não! Aí eu fugi. Eu fugi e fui encontrar com meu pai, aí meu pai era fugido...Que ele vinha fugindo do serviço, ora! Que vinha fugindo da roça!...Aí meu pai me disse: O que que ocê está fazendo aqui, minha filha? Eu falei: Eles queriam me bater, eu fugi! Meu pai: Você não pode apanhar, porque você é forra, minha filha. Escravo sou eu, que sou seu pai! Agora você não vai mais pra lá!
Aí eu fui lá pela roça, com meu pai. Ia pra roça com meu pai e minha mãe. Deus faz a verdade, o que eu vi aquele pessoal passar aquele tempo. Dava tapa na cara das criada, dos escravo. Olha!.. Eu tinha raiva de um tal de nome Lulu. Era filho do Dr. Avellar, de que meu pai era escravo. Eu não sei o que foi que meu pai fez, meu pai ia levar o... ele foi, veio de lá, e mandou um tapa na cara de meu pai. Aí meu pai ficou revoltoso. Ai meu tio disse assim: Vamo embora! E o meu pai, não sei se queria matar ele. Eu num sei. Foi embora. Pra roça. Aí eu tomei raiva dele. Aí ele falou: Ô crioula! Eu falei: Crioula é a sua mãe! Que ocê deu um tapa na cara do meu pai agora! Se eu fosse meu pai eu te capava a barriga agora! E ele: Ó sua negrinha! Negrinha, não. Não sou negrinha. Tava com 15 anos. Aí eu fui indo pra roça. Aí meu pai: Mas ocê veio pra roça? Falei: Vim que eu não quero mais ficar na fazenda. Que eles botava as crianças, as pequena, as negrinha, pra brincar com os filhos, pra carregar os filhos dela."
O Munhambano
..."Tinha festa. Eles davam muita festa pros escravos. Muito. Eles davam S.João, Santo Antônio, tudo. Eles davam...Natal. Tudo eles davam festa. No Natal eles davam roupa...Os fazendeiros é que dava. Dava tudo. Graças á Deus! Dava tudo mas...era aquilo. Mas, era ali, ó! Minha avó era lavadeira dos escravos. Meu avô era tratador de porco. Minha avó era Benta! Benta da Silva e meu avô também era Bento. Antônio Bento da Silva. Ela era Munhambana. Ele também era."
É. Todos dois eram Munhambanos. Ah...Eles num contaro como era de onde eles vinham não. Eles num contaro que a gente era criança naquele tempo...Meu avô num era preto não. Meu avô, o cabelo dele era aqui (mostra abaixo do ombro) Minha avó também. Meu pai era mulato mas casou com a minha mãe que era preta. E as outras minhas irmãs eram tudo mulata. Eu e meu irmão saiu da cor da minha mãe. Mas, meu avô? Meu avô o cabelo dele parava aqui (mostra de novo o ponto). Nós penteava o cabelo:(imitando avô:)' Ara! Ara eu! Ara eu pega ocê!' Tudo assim que ele falava. (imita de novo:) 'Oça o tutra!" Sei lá, colher que ele pedia, a gente não sabia, se era uma coisa que ele pedia e a gente não sabia. (imita de novo:) ' Mim dá essa coisa aí o ningrinha!': Nós pidia a ele. Aí ele sabia o que era. Meu avô Antônio. Ele não era preto. Era mulato. Se era mulato de cabelo liso? Era mulato de cabelo liso.
É. Veio da África. Meu avô, minha avó contava, porque na fazenda tinha muita gente africana, tinha...Angola, isso...D'Angola... isso tudo tinha. Os português trazia ele pra aí. Tudo era assim.
(Se irritando): Meu avô era africano! Meu avô, minha avó, era tudo africano....(de novo irritada com a insistência da pergunta sobre o estranho biotipo de seu avô): É. Africano. Gente africano. Pois ele era africano! Munhambano é África! É África. meu avô era africano! Quantas vezes quer que eu falo? (mais irritada ainda): Não! É África! Lugar na África (se acalmando:)... Aqui não tem Madureira? É como assim. É África. É mesmo que lugar da África. Aqui não tem cidade? Num tem Paraíba do Sul? Então? É como a África. É assim."
"Aquele tempo...A gente morria de medo de fazer filho. De que jeito que a gente vivia? O filho lá....Um dia chegava, tirava o filho da gente pra vender. Hum! Minha mãe num foi vendida? Minha mãe num era daqui. Minha mãe era lá da Bahia. Foi. Vendero aí pra um vendedor aí, ó! Meu avô num foi vendido? Meu avô era africano e foi vendido. Então? Foi vendido, num é? Foi o Visconde! Minha avó foi vendida. Isso tudo foi vendido. Agora vai vender quem é? Vão vender quem é? Vai vender ocê?...(Solta uma gargalhada) Vão vender quem é?"
Teresa e a República
..."Hoje é tudo diferente, meu filho. Óia...Porque que eles tiraram o Deodoro, da Fonseca? Porque Deodoro sabia governar!.Inda outro dia (imitando questionamento dos filhos)... Aí, oh mãe...Ó mãe, a Sra...(como se a interromper os filhos)...O que?? Deodoro sabia governar!! Assim que acabou o cativeiro, foi Deodoro que tomou conta. Deodoro botava tudo ali, na linha. Agora não. A mulher dele era boa. Ele era muito bom. A gente comia bem, bebia bem. Aquelas coisa que ficava ruim nas venda...ele mandava jogar tudo fora. Aí...Óia a gente panhando na rua! Que é de que tá assim agora? Que é de? Que é de?.. Peixeiro, que chegava aí, da praia, lá do lado de lá, da praia de Niterói,...Chegava os peixeiros ? Dava tudo pro home. Ah...!Ele botava aqueles peixes tudo fora. A gente panhava aqueles peixes grandes. Ficava bem bom. Óia a gente se espanando nos peixes. Mas, agora?
Trabalhei pra Deodoro da Fonseca! Eu que tô aqui! Não me incomoda. Aqueles soldados (imitando o soldado lhe fazendo a corte:) ..Ih! De adonde ocê é, heim? E eu: Num tem conversa! Subia. Levando a roupa que minha tia lavava, eu ajudava ela a lavar, ajudava a engomar, viu? E tô aí, com a graça de Deus! Eu agora nem sei o que é soldado!? Soldado hoje é porcaria, não vale nada, não vejo nada. Eu ando na rua e num sei quem é soldado! Porque, aquele tempo...era SOLDADO! Aquele tempo ocê conhecia GENERAL! Hoje em dia num sabe quem é general, não sabe quem é doutor, num sabe nada nesta vida!...Aquela época tinha (imitando marcha:) báu, báu, báu, báu! Aquelas fardas, que a gente passava, as fardas alumiando o sol, assim...ninguém podia. Agora, hoje em dia num se vê nada. Num vê nada. Anda de calça arregaçada. Aquele tempo, ocê via isso aqui do general, dos soldado... Você dizia: Ih!, fulano, eles vem lá! Hoje em dia ocê até empurra eles assim...Soldado muito bem vestido, a roupa bem engomada. Quando era gala, a roupa branca...a coisa ali, ó!
Eu tinha (respeito)! Eu tinha! Tanto que as vezes até tomava benção. Ocês sabe que general naquele tempo era General. Hoje eu não sei quem é general! General assim, com estrela, (imitando marcha de novo:)...Táu, táu, táu, táu, chega só...só naquele pisar dele eu sentia medo. Soldado que ocê tem aí? As vezes eu fico assim oiando. Lá perto de mim mora um soldado. Eu falo (desalentada:)... Isso é soldado?! Ah...Eu tinha respeito de soldado. Hoje em dia não tenho respeito de soldado. Tinha".
Jongo em 1874
..."O Jongo é dos africanos. É do meu avô...Meu avô era do cativeiro. Chamava Antônio Munhambano, africano. Eu sou de Paraíba do Sul. Ele primeiro era do Dr. Avellar. Ele era escravo do Dr. Avellar, num sabe? Ele era escravo do Visconde e do Visconde ele foi para o Dr. Avellar. O Visconde era o pai do Dr. Avellar. Não sei Visconde de quê. Só sei que é visconde, seu conde...naquele tempo, num é ? Foi lá em Paraíba do Sul, na fazenda de Avellar, num sabe? Meu avô era africano. Foi achado. A parte da África eu não lembro. Só sei que ele era africano. Era 'munhambano'. Era de Munhambá e quem trouxe ele pra aqui foi o português, né? Foi quem trouxe ele. O meu avô. Ele tinha raiva de português porque trouxeram ele pra aqui. Diz que abanavam lenço encarnado e eles vinham chegando. Eles não sabiam naquele tempo quem eram e aí, trouxeram ele.
...O Jongo representa pra mim a mesma coisa que é: Negócio da gente africana. O Jongo era festa dos cativos. Era Caxambu, viola...Tinha viola. Meu pai era tocador de viola. Antônio Bento da Silva. Tocava viola...e meu avô, tocava urucungo.
Não...cantado mesmo em...O Jongo era a festa dos pretos. Se era dos preto velho? Não. Era festa dos pretos. Pros brancos vê a gente dançar. Era um terreiro grande, tocava o caxambu e os brancos vinham e a gente cantava pra eles vê a gente cantar e dançar. Era só pra eles vê. Que a gente era escravo, tava na fazenda. O que é que ia fazer? E se não dançasse, ó...!
Era sábado e domingo. As vezes fazia na festa de São João. Foi meu avô quem trouxe o Jongo da África e botou na fazenda pra todo mundo. Até hoje eu danço, canto o Jongo.
Os instrumentos? O que eu sei era caxambu...É aquele de bater: caxambu. A viola era de tocar e o pandeiro acompanhava a viola e o meu avô tocava urucungo, sabe o que é não é ? Botava na barriga ...O senhor não sabe o que é urucungo?! Pois então!? É igual a berimbau. Só que naquele tempo não era berimbau. Era urucungo. Botava aqui, ó (mostra a barriga). Botava no umbigo a cuia e batia.
Eu achava o Jongo daquela época mais bonito. Agora eu faço o desse tempo mesmo. Deixa eu lembrar...Um bom...Jongo dele mesmo, do meu avô. Quando ficou forro e a gente cantava. 'Carolina'. Cantava assim:"
(cantando)
(Áudio e partitura:Arquivo grupo Vissungo, RJ)
Oh pra que pente carorina?
Num tem cabelo
Pra que pente Carorina?
Sem cabelo
Pra que pente Carorina?
Ê pra que pente Carorina?
Sem cabelo, pra que pente Carorina?
Ê pra que pente Carorina?
Não tem cabelo,
pra que pente Carorina?"
...”Mas era eles que cantavam e a gente respondia...Era língua africana sim, uai?! Assim. A gente até caçoava deles (zombando): Canta assim, num é ? (enfática): Era língua sim! (repete a letra do ponto de Jongo sem explicar)...essa era na língua deles (canta mais) ...mas a gente não respondia assim. Respondia depois.”
Jongo 100 anos depois
...”Hoje num tem mais nada. De primeiro, na casa dessa só tinha Jongo. Todos os sábados nós dançava mas...o pessoal morreu. Num ficou ninguém. Cada casa tinha Jongo. Cada casa tinha Jongo. Era todo sábado. Ah...Quem canta o Jongo sou eu...tem essa outra aqui mais...as outra precisa...Pode aprender. Nós aprendemo, num é? Elas pode aprender, vê a gente dançar, cantar e elas aprende também.
...Tem. Tem. Em Madureira tem muito. Tem muito, oh!.. A Maria quando deu o Caxambu teve gente lá assim, ó! Na casa dela. Agora eu não. Se ocês for lá vê. Eu nunca mais dei. Eu não. Meu marido morreu, eu fiquei eu com meus filhos, sabe. Graças a Deus. Fiz Jongo! Óia...Ainda hoje eu soube que lá na minha terra tem Jongo quase todo sábado. Diz que tem Jongo. Naquela casa que ocês....diz que eu vou lá. Ela disse que qualquer tempo ela vai me levar lá. Diz que o Jongo, que o bagúio lá é assim! O Caxambu lá é de arromba. (para Joana):..Ocê tem num vontade de pular no Caxambu de lá não, Maria? O Caxambu lá é de fato.
E a gente sabe cantar aqui? Num sabe cantar. Num tem voz! Essa gente aqui num tem voz pra cantar. Quem vai cantar o Caxambu sou eu...Aquela pequenazinha hoje num sei se vem, é só. E lá não...todo mundo à cantar, todo mundo à dançar! Lá em minha terra. Graças a Deus! Óia...Todo mundo fala: A Sra., já tá com essa idade e ainda dança? Danço! Inda pulo o meu Caxambu! Graças á Deus!"
--------
Notas finais:
Maria Teresa teria nascido em 1859. Os fatos dos quais nos dá conta são de quando ela estava com cerca de 15 anos. Logo, o Jongo que descreve é, portanto, aquilo que sobre a manifestação poderia saber uma adolescente. São preciosas no entanto as descrições sobre uso no Jongo da época, de instrumentos como o Urucungo (um arco musical tipicamente Bantu) e a viola.
Em 1874, já com o processo de decadência das fazendas da região se aguçando, sabe-se que foi hábito comum entre os 'Barões do Café' demonstrar, ostensivamente, os resquícios de fausto que lhes restavam, forçando seus escravos a se exibir para visitas, vindas, não raro, da Corte. Foram, certamente, a partir destas viagens, que danças como o Lundu, por exemplo, migraram para a os salões da Corte.
São importantíssimas as informações que presta, no sentido de que seu avô, africano de nação 'Munhambano', foi quem trouxe a prática do Jongo para o local (não o seu avô, pessoalmente, é claro, mas africanos bantu, trazidos para aquela região, de cultura similar a dele). O fato curioso dela falar e insistir que seus avós eram mulatos de cabelo liso, pode ser, definitivamente, explicado pelos dados a seguir.
Num gráfico sobre a demografia escrava na região de Vassouras, RJ, está demonstrada a existência na região de Vassouras e Paraíba do Sul de indivíduos da etnia Inhambane, associação evidente com o 'Mu-nhambano' citado por Maria Teresa.
Inhambane é de fato, um povo que habita uma vasta região ao norte de Maputo, em Moçambique, no litoral do país e que foi, por conta disso, exposta, durante muito tempo, às influências gerais das históricas relações entre Ásia e África, ocorridas na costa africana do Oceano Índico, relações estas que produziram, entre outros efeitos, alguma mestiçagem de negros com árabes (cujos interesses comerciais penetraram ali antes dos portugueses) e indianos (que marcaram fortemente o perfil étnico da população do Madagascar, por exemplo, ilha muito próxima à costa a Moçambique).
Por esta hipótese, os avós de Maria Teresa foram pegos no território Inhambane e postos num navio que, atravessando o cabo da Boa Esperança, deu no oceano Atlântico, seguindo para o Brasil.
Segundo o gráfico acima citado (de Flávio G. dos Santos), haviam apenas 8 indivíduos de origem Inhambane na região de Vassouras entre 1837 e 1840, seis deles residindo em fazendas nas quais pode ser incluída a Santa Teresa, citada por Maria Teresa. A hipótese de, pelo menos, dois destes seis escravos serem parentes (dois seriam os próprios avós 'Munhambanos') de Maria Teresa é de todo modo, impressionantemente plausível.
Precioso é, do mesmo modo, seu testemunho pessoal - e ocular- de que eram comuns na região as torturas, as fugas e os 'aquilombamentos'. Os locais descritos por ela, correspondem a onde está circunscrito hoje parte do Município de Avellar, vizinho de Paraíba do Sul. Na crônica da insurreição de escravos conhecida como 'Quilombo do Manoel Congo', ocorrida em 1838 nesta região), tem papel importante nos conflitos a fazenda de Santa Teresa, já pertencente naquela época a João Gomes Ribeiro de Avellar, o Visconde do Paraíba (chamado de Visconde de Avellar por Maria Teresa). O Barão de São Luiz, Paulo Gomes Ribeiro de Avellar, filho do visconde, (talvez o tal que bateu na cara do pai de Teresa e é chamado por ela de 'Lulu') é citado no processo que condenou Manoel Congo à morte, como dono do escravo citado como sendo o próprio 'Vice Rei' do quilombo, um tal de Epifânio Moçambique, morto na refrega.
Não tendo feito qualquer comentário sobre o retorno de seu pai, de sua mãe ou dela mesma para a fazenda, depois da fuga narrada, fato que, por sua relevância dramática, com certeza teria sido citado na entrevista, pode-se deduzir que Maria Teresa (e toda a sua família), viveu na condição de quilombola a partir de 1874.
A afirmação que faz de que ainda viu instrumentos de tortura na Corte, atesta o fato surpreendente de que ela já estava residindo no Rio de Janeiro, na proclamação da República, havendo ficado livre, portanto, cerca de 14 anos antes da Abolição.
tags: Rio de Janeiro RJ cultura-e-sociedade escravidao jongo cultura-tradicional grupo-vissungo spirito-santo vale-do-paraiba-do-sul caxambu republica imperio-serrano madureira avellar
|
|
 |
comentários  |
postar novo comentário |
 |
| |
 |
Spirito Santo, legal. Eu queria dizer-lhe mais. Vou deixar para quando votar. um abraço andre
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 27/5/2007 15:03
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Valeu, André!
Sintonia fina.
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2007 16:27
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Importante documento, Spirito. A Dyonne do Jongo da Serrinha conhece?
Abraço!
Egeu Laus · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2007 17:53
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Egeu,
Ninguém conhece! O material, apesar de ter mais de 30 anos, é completamente inédito. Relutei muito em divulgá-lo. É Overmundo exclusivo!
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2007 17:56
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Passei pra ver e vou esperar também a votação. Já gostei do que li na diagonal, vou baixar pra ler sem gastar os olhos e os pilas, depois volto a te falar.
O caso da imagem do cartaz lá do Ronald é que eu não tenho ainda ferramentas gráficas decentes então sai tudo distorcido nas que eu tenho, mas é que tava em cima do laço a programação e ... aí foi.
(ah! Spirito não recebi teu endereço pra enviar o livro)
(Egeu, não precisa ficar grilado de dizer que não quer. É uma novela ligeira, só ficção e exercício de prosa. Se quiseres tem de mandar o endereço, certo amigo?)
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 27/5/2007 19:16
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Adro,
Meu endereço é o mesmo pro qual me escreves sempre! Se queres o endereço, como se diz, não virtual, é fácil. Te mando agora mesmo (não pela matrix, é claro).
Em duas horas vai ter outro conto daqueles na fila: Chama-se 'Boladinho foi à luta'. Coisa frugal, ligeira.
Avise a Juliaura, por favor.
Grande abraço,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 27/5/2007 19:27
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Como é que isso ainda estava inédito até agora??? É um documento importante da nossa história e merecia ser publicado em livro também. Abre esse arquivo ai, Spirito!
Ah, como sei que vc se interessa pelo tema, dá uma olhada aqui. O lançamento do volume II do Negritude, Cinema e Educação vai ser amnhã, em BH.
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 28/5/2007 08:15
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Claudia
Pois é. Quando eu gravei eu era um garoto ainda. Demorei um tempão pra ter noção da importancia do registro. Meu interesse era pelos dois pontos de Jongo que a velha canta e que eu cantei por vários anos também. Não estava ainda decidido a escrever sobre estas coisas. Só agora, quando comecei a comparar livros, documentos, paar aprofundar a pesquisa foi que percebi o quanto o registro era importante.
Antes tarde...
me fala mais aí, depois, como foi o evento do 'Negritude..'
Grande abraço,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 08:31
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
(O teu link está com um ponto quebrando o caminho) Acho que o certo é este.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 08:38
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
(O link pa saber mais sobre o livro. Bem entendido) o do post novo é aquele aqui mesmo.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 08:41
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
No início desse ano, quando estive no Rio, fui à Madureira com uma prima que mora em Bento Ribeiro. Perguntei a ela sobre o Jongo da Serrinha, se ela já tinha ido, onde o jongo acontecia e ela nunca tinha ouvido falar. E mora ali do lado! Acho impressionante como a gente sabe de coisas que acontecem do outro lado do mundo e não vê o que está embaixo do nosso nariz.
Ilhandarilha · Vitória (ES) · 28/5/2007 08:50
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
ótimo texto! to esperando chegar na votação!
Guilherme Mattoso · Niterói (RJ) · 28/5/2007 09:01
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Sua prima deve ser de outro meio cultural. Além do mais, o que se conhece hoje como 'Jongo da Serrinha' (uma ONG), não tem muito a ver com esta história que a Teresa conta não. É uma recriação muito questionável e espetaculosa do que o Jongo realmente ainda é, no interior.
Eles nem reconhecem a Teresa como matriarca de nada. Colocaram outras figuras no lugar, outros 'pais', outras 'mães'. São muito populares na Lapa (tem boa qualidade artística mas, culturalmente...)
Como dizia o Paulinho da Viola: 'As coisas estão mundo só que..."
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 09:05
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Valeu, Guilherme!
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 09:07
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Valeu, Spirito, imagino a trabalheira que deu pra digitar, mas realmente essa fala dela merecia ser compartilhada. Que bomque você conseguiu gravar isso! E que bom que pensa em colocar aqui quando digitalizar. Superinteressante!
Helena Aragão · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 16:38
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Helena,
Na época, alguém (nem lembro quem) transcreveu a maior parte da fita num caderno escolar que guardei todos estes anos. Como a fita sobreviveu, foi fácil concluir. Digitalizar o áudio é que são elas. Havia um som de disco, vinil, ecoando na quadra do clube onde gravei que deixou um ruído insuportável no áudio. Deve dar um trabalhão. Pena que não seja a minha praia mas, se você ou alguém souber de um caminho. Pensei até em por na lei Rouanet para captar os recursos, propor ao MinC, à Fundação Palmares, sei lá. Dava um CD bacana, com um encarte com textos. Não deu pra explicar na matéria mas, ela canta, com uma voz nítida e forte de emocionar, dois pontos de jongo daquela época. Imagina! 1874! As músicas tem, talvez, tanta importancia quanto a entrevista. Bom, vamos nos falando aí. Quem sabe?
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 16:53
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Spitiro Santo, ESTOU ARREPIADA!! que emocionante! meu deus! a fala da vovó teresa! nós temos no nosso acervo
uma entrevista que a marília gabriela fez na década de 70 para o fantástico com ela. mas esta sua está muito mais longa e densa! ela falou MUITO para você! tesouro da história! gostaria muito de entrar em contato com você e ouvir esta maravilhosa entrevista. Nós estamos reunindo acervo sobre o jongo para fazer um museu na serrinha e seria muito bom se um dia você pudesse nos visitar. EMOCIONANTE!!!
BJ
Dyonne
dyonne boy · Rio de Janeiro (RJ) · 28/5/2007 22:09
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Spirito Santo.
Chorei.
Não parei ainda de chorar.
Essa nossa Tereza é linda.
O Overmundo ficou ainda muito mais rico.
Incrível teu postado.
Bonito, bonito,
Bonito demais.
Beijo no coração, amigo.
Juliaura · Porto Alegre (RS) · 28/5/2007 23:09
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Guri de Deus, que primor de trabalho!
É de catar no Overmundo todas as forças possíveis para arrancar o troco que devolva ao povo o relato digno de Tereza, por nossa história, por nossa festa.
Quem sabe dos meandros do financiamento público tem o dever de se apresentar.
Quem tem apito que apite, como nos diz o poeta.
E já!
Que ("Maria Teresa teria nascido em 1859") o sesquicentenário está próximo.
Felicitações, Spirito.
Bravo!
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 28/5/2007 23:17
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Minha gente!
Como disse alguém (o Bilac, talvez):
_"Meninos, eu vi!"
Sabia que vocês responderiam. O Overmundo está virando memso um tropa bendita.
Dyonne,
No livro eu falo da entrevista da Marília. Sabe do que mais: Eu estava lá, na hora, no dia da entrevista. Assisti tudo ali, ao lado da câmera. Que bom que vocês tem o registro.
O livro faz um mergulho bem profundo no mundo do Jongo. Na verdade, a célula tronco do meu livro é o Jongo. Topo, é claro, ir até aí, mas, aviso que o mergulho é bem fundo, mais fundo que o mundo da Teresa.
Abraços à todos e muito e obrigado
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 29/5/2007 06:48
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Hoje tem muita gente que consegue mexer legal nesses arquivos de áudio no computador, mas pelo que você fala teria que ser algo mais profissional para tirar os ruídos indesejados... Vou procurar saber. E que bom que esse post já propiciou esse contato bacana entre você e Dyonne. :) Abraço!
Helena Aragão · Rio de Janeiro (RJ) · 29/5/2007 14:35
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Helena
Já vi uns programas que separam um bloco de ondas e freqüências indesejadas, para serem deletadas, usam muito em investigação forense, para identificar vozes, etc. É coisa pesada. Vamos pesquisando que uma hora rola.
O melhor de tudo é que esta conversa me deixa realmente fascinado com esta capacidade que o Overmundo está tendo de estabelecer contatos imediatos de primeiro grau. Já disse isto aí num comentário, em algum lugar e repito aqui: Reatei contato um grupo de congadeiros de Minas Gerais do qual não tinha notícia há, sei lá, uns 17 anos. Posso agora retomar a pesquisa que fazia com eles que, é claro, não tem internet (o Tarokid, um cara daqui do Overmundo é da mesma cidade dos caras).
Outro dia uma figura overmundista do Amazonas (Aline Said) me pediu, num recado, a letra de uma música que fiz em 1987 e gravei junto com Clementina (por acaso, o último registro dela em disco - vê só como sou um sortudo!). O CD era novo e totalmente deconhecido para mim. Já acionei a Som Livre pra saber da história melhor.
Tem um montão de histórias como estas rolando por aí. Encontros e reencontros do mundo real, detonados pela abrangência absurda do mundo virtual. Coisa estranha, não?
Acho até que dá um post bacana.
Então:
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 29/5/2007 15:25
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Sensacional, um documento maravilhoso, importante mesmo.
Marcelo V. · São Paulo (SP) · 29/5/2007 22:24
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
que importante ter este depoimento aqui! Spirito Santo: muito obrigado!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro (RJ) · 29/5/2007 23:20
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Parabéns pela entrevista. Riquíssimo personagem; importante recorte da nossa história, da origem das coisas. Spírito, um grande abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 30/5/2007 08:10
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Spirito!
Recortei e vou ler com calma no Busão indo para faculdade. Não sei se meu voto vale muito, mas com certeza terá desde já minha mais humilde atenção. Amanhã volto e voto, abraços cordiais!!!
Higor Assis · São Paulo (SP) · 30/5/2007 16:46
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Parabéns Spirito, acabo de produzir um Cd-livro chamado JONGOS do BRASIL com a participação de 14 grupos de jongo rurais ainda em atividade. Acho que você gostaria de conhecer ! Uns bem próximos de onde Vovó Teresa nasceu como o Jongo do Quilombo São José.
Se tiver interesse entre em contato. Gde abraço, parabéns e muito axé pra você.
Marcos André · Rio de Janeiro (RJ) · 4/6/2007 13:59
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Oi Marcos,
Na verdade, de certo modo, eu conheço você (não pessoalmente) da Ong Jongo da Serrinha. Gostaria de conhecer o CD-Livro sim. Como é que se encontra?
Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 4/6/2007 14:25
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Que belo trabalho, Spirito. Não conhecia. Os fatos históricos são uma de minhas obsessões.
Um grande abaço
jjLeandro · Araguaína (TO) · 7/6/2007 11:30
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Brigadão, amigo!
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 7/6/2007 11:42
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Caro Spirito, ligue para o telefone da nossa associação Brasil Mestiço. Lá você terá informaçoes de como adquirir o Cd-livro Jongos do Brasil.
telefone 21 3852.0043 ou 0053 ou pelo email brasil@brasilmestico.com.br .
gde abraço
Marcos André · Rio de Janeiro (RJ) · 8/6/2007 14:17
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Marcos ANdré,
Vocês tem um site com uma resenha do trabalho?
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 8/6/2007 16:16
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
|
Acredito que o Visconde de Paraíba ou Braão de garibú, ser meu tatatravô, poi pelo que eu sei um de seus filhos, João gomes Ribeiro de Avelar, casado com Emerenciana Calvet, um dos fundadores das Docas de Santos era pai da minha bisavó, Leocádia de Avelar Simões, casada com Arthur Quirino Simões e meu avô, José Quirino de Avelar Simões, foi secretário de obras da cidade de Recife, gostei muito de ler esse relato, parabéns.
Beto Quirino · Cotia (SP) · 12/7/2007 13:19
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Beto,
Que achado este seu. Gostaria muito que você contasse mais sobre isto. Que tal um post linkando o João Gomes Ribeiro de Avellar com seu ramo recifense.
Que história, Beto!
Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 12/7/2007 20:44
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Oi Spirito, juro que não estou te perseguindo. Resolvi fazer umas andanças pelo overmundo (estou com insônia) e não é que vc apareceu de novo? Credo parece até "assombração" rsrsrsrs
Nossa, o depoimento da Teresa é simplesmente indescritível. Registro histórico da maior importância. Vc não acha que ele precisava ser disponibilizado, Spirito? O Museu da Imagem e do Som não seria o lugar? Tenho uma colega no Programa de Pós da UERJ que pesquisa jongo (veja um texto dela aqui . Vou mandar o link do seu artigo pra ela.
Vou tentar dormir pensando na carorina
Abrç
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 25/7/2007 02:19
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Que bom, Ize!
Que esta perseguição seja sempre implacável.
O Jongo tem sido uma presença constante na minha vida há mais de 30 anos. Foi o primeiro tema ao qual me dediquei (minha mãe é da Roça capixaba, meu pai da Minas Gerais mais profunda) e o fiz, intensamente. Acho até que, de certo modo assimilei a filosofia, o sentido político da manifestação, cujo sentido histórico e antropológico, é bem mais complexo do que se diz por aí. Gostei do artigo de sua amiga e vi que o site é de Portugal. Não encontrei o nome dela no artigo.
Mesmo sendo aqui um chato de galochas, no entanto, me permita dizer-lhe que existe um aspecto essencial no que eu penso sobre o Jongo (e que, na verdade, considero um problema) que me afasta da maioria dos atuais pesquisadores sobre o assunto. Assim, a grosso modo, falo dos procedimentos e métodos muito superficiais empregados nas pesquisas (principalmente acadêmicas), que as encaminham para equívocos importantes e, o que é pior, o quanto elas, por conta desta impropriedade de seus métodos (que, a meu ver, ocorrem com toda a pesquisa antropológica sobre a cultura do negro no Brasil) acabam se emiscuindo nas manifestações, contaminando-as, confundindo e 'desvirtuando' as matrizes que foram objeto de seu estudo, criando uma cópia 'fake', que passa a competir com a matriz, com o original, acabando por se firmar como versão 'real', embora seja falsa. Chamei isto, na falta de um nome melhor, de 'Influência reversa'. Não falo do caráter evolucionista contido em qualquer manifestação cultural humana, mas sim de um falseamento intrínseco mesmo, com impacto social negativo muito relevante porque transfere o poder simbólico sobre a manifestação , os valores emocionais nela contidos (a propriedade intelectual, com todas as suas implicações pecuniárias, inclusive)das mãos de uma classe social para outra. Isto acontece muito fortemente com o Jongo e é o cerne da minha 'tese' de antropólogo de botequim que sou. Escrevi um livro inteiro (citado na matéria) tentando identificar e desvendar o processo de formação destes mitos e mistificações interpostas por estes, a meu ver, e equívocos antropológicos um tanto ou quanto oportunistas.
Você ficará de cabelo em pé quando se inteirar disso.
A simpatia que todos nós temos por uma manifestação cultural tão antiga quanto o Jongo (como exemplo), involuntariamente, costuma facilitar estas distorções cuja denúncia, de modo algum estão ligadas a intenções preservacionistas da minha parte. É um buraco mais em baixo, mais um reflexo do caráter predatório de nossas aristocráticas 'elites'. Pena que não cabe todo este o papo neste post.
Preocupado, tenho debatido isto há anos, com muita gente. Gostaria muito de debater isto com sua amiga também (nem sei qual é a posição dela, a respeito).
Persiga-me. A captura do que é virtual nos traz vantagens emocionais até que bem reais. Eu por exemplo, estou honrado com a sua perseguição. Este é o lado bom da Matrix.
(desculpe a 'longuidão' do post)
Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 25/7/2007 07:06
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Sem rasgação de seda (mesmo vc gostando do barulhinho), eu é que tenho ganhado mto com essa interlocução com vc. Agora, por ex., vc faz considerações sobre a Academia, sobre seus "procedimentos e métodos muito superficiais empregados nas pesquisas (principalmente acadêmicas)", que me gelou as entranhas. Essa reflexão é boa pra pensar qualquer investigação, mas principalmente as que se voltam para as culturas populares. Esse pedaço aqui - "por conta da impropriedade dos seus métodos [...] acabam se emiscuindo nas manifestações, contaminando-as, confundindo e 'desvirtuando' as matrizes que foram objeto de seu estudo, criando uma cópia 'fake', que passa a competir com a matriz, com o original, acabando por se firmar como versão 'real', embora seja falsa" - eu tinha vontade de citar na discussão teórico-metodológica do meu próximo projeto. No atual, cujo objeto me escolheu, estou olhando o interesse de crianças e jovens pelos produtos da indústria cultural japonesa (HQs - os chamados mangás, filmes de animação -animes e videogames).
Mas voltando ao que interessa, o nome da autora está no canto direito do Jornal (Mailsa Carla Passos). É mesmo uma publicação do Porto/Portugal. Lá na Programa de Pós da UERJ tem um grupo de profs (eu, inclusive) que colaboramos para a seção "Fora da escola também se aprende". Tem uns artiguetes interessantes. Mandei esse link pra Mailsa, e ela já me respondeu que amou e que tem interesse em debater a questão do jongo com vc. Me disse até, que por conta disso, vai se cadastrar no overmundo. O e-mail dela, pra qualquer precisão mais imediata, é mailsa@globo.com
Eu tb tenho gostado dessa imersão no virtual. No início, me cadastrei, com muita má vontade, aqui pra ver como funcionava essa coisa de orkuts, blogs e quetais por causa dos jovens. Eu precisava entender sua imersão tão empolgada no virtual. Imersão que, do alto de minha "sabedoria" (que não era outra coisa senão o que a academia chama de olhar etnocêntrico), eu achava limitada porque não permitiria o aprofundamento das relações humanas. Tanto que me inscrevi em fevereiro e só me animei a começar a participar em maio ou junho. E, claro, já estou revendo minhas apressadas considerações. Tenho me espantado com o tanto que tenho expandido minhas relações. Claro que, em alguns casos, fica tudo no nível do superficial, da conversa que não deslancha, do tema que não é aprofundado, mas nada mto diferente do que é hoje na vida real.
Veja vc, apesar de tudo isso, minhas conversas com vc são mais interessantes e profundas do que as que tenho nos encontros cara a cara com meus amigos e amigas. Parece até que na internet a gente dá mais tempo ao tempo.
Enfim, é isso, já estava eu entrando no terreno da divagação. Só mais uma coisinha, juro. Éssa é outra coisa boa da Matrix. Na vida real a gente não pode mais entrar nesse terreno, pq os sinais de pressa estão sempre aparentes na cara do outro, e a gente tem que engolir a fala. Aqui não, não tem nenhum coelho com o relógio na algibeira mostrando que "é tarde, é tarde, é tarde até que arde".
De qualquer maneira, desculpe-me se tomei seu tempo mais do que devia. Da Teresa para o coelho foi um enorme pulo, mas é ela a rainha deste comentário. Graças a vc.
Abraço apertado
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 25/7/2007 13:46
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Já que você falou no coelho, vou deixar um boa noite com uma frase da Duquesa que eu uso como dístico no meu projeto:
"Cuide dos sentidos que os sons cuidarão de si mesmos"
Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 25/7/2007 21:41
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Adorei! E estou aqui com a mão na boca pra não começar a falar desesperadamente nos sentidos e nos sons. E, pronto, pq agora é hora de dormir e vc veio com essa, tô roubando essa frase pra mim.
Boa noite!!!
Ize · Rio de Janeiro (RJ) · 25/7/2007 22:19
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
gente,
Só para registrar o quanto é o tempo impoderável:
Encontrei , agora em novembro, assim na rua, depois de trocentos anos, o meu amigo fotógrafo Zé Ricardo que, vejam só, estava na mesa da entrevista acima, clicando a Vovó Teresa. Implorei a ele pelos fotogramas do encontro, que ele (ai meu Deus!) disse que não sabe onde andam. O encontro, como vocês viram, ocorreu há 33 anos atrás (!).
Para anima-lo, não que ele já não esteja animado, permitam-me linkar um dos seus interessantes blogs: O Atabaqueblog
Abs,
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 8/1/2008 17:47
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
 |
Aquele que não tem nada de bom, nada de virtuoso no coração, é incapaz de ensinar aos seus semelhantes a bondade e a virtude, porque é contrário à natureza das coisas... Condição básica para o educador nato. Confúcio*
Olá. Bom navegar por estes mares. Estou no:
1 - http://www.overmundo.com.br/banco/nao-existe-arte-so-na-cabeca-1
2 -http://www.overmundo.com.br/banco/vovo-viu-a-criacao-do-universo
Se gostar deixe seu comentário. Sou grato. JBConrado
ayruman · Chapada dos Guimarães (MT) · 17/5/2008 00:18
Dê sua opinião! Você achou esse comentário útil?
Sua opinião:
|
|
|
|
| |
Adicione seu comentário: para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
|
|
 |
|
 |
|
|
|
| |
|
|