Atualmente, existe uma pluralidade muito grande de emissoras de rádio no Brasil. Além das emissoras comerciais e “oficiais”, as rádios comunitárias, piratas e rádiosweb vêm conquistando um espaço cada vez maior entre o grande público. Dentre estas, as comunitárias, que fazem um trabalho de valorização social muito interessante dentro das comunidades, e as rádiosweb, com apelo junto ao público, são as que mais se destacam.
A rádio comunitária é uma frequência FM que tem seu alcance limitado em no máximo 1km de diâmetro a partir de sua antena transmissora. Trata-se de uma pequena estação de rádio voltada para os interesses da comunidade na qual está instalada, buscando transmitir informações sobre cultura, entretenimento e utilidade pública. Tem como prerrogativa promover eventos, auxílio e o convívio social, além de divulgar notícias sobre os acontecimentos comunitários.
Para a professora Neka Machado da Faculdade de Comunicação da PUCRS, a Famecos, além dos critérios técnicos exigidos para montar uma rádio, é fundamental que haja uma pesquisa de conhecimentos sociais da comunidade para saber se realmente trata-se da melhor mídia a ser implantada. Para ela, o fato de, dependendo da comunidade, o ouvinte não precisar ser alfabetizado pode ser relevante e é essencial que ela faça o papel de intérprete ou mediador da comunidade a respeito dos fatos que acontecem ao redor, sempre visando a coletividade e estar de “braços abertos” para receber a população. Quanto aos aspectos técnicos para a instalação de uma rádio, a professora ressalta que a operação é muito simples e necessita apenas de uma mesa de som , transmissor e equipamentos de fácil acessso, como explica qualquer livreto da ABRAÇO - Associação Brasileira de Radiofusão Comunitária ( http://www.abraconacional.hpg.ig.com.br/).
Já rádioweb é um sistema de transmissão de áudio em tempo real que usa a rede através de pacotes de informações (streaming). Um dos aplicativos mais conhecidos para transmissão de áudio por streaming é o Shoutcast, (http://www.shoutcast.com/), que muitas emissoras oficiais utilizam para emitir sua programação também pela Internet.
Segundo Pedro Fonseca e Daniel Pellin, respectivamente criador e apresentador da Rádio Putzgrila (http://radiowebputzgrila.blogspot.com/), rádioweb de Porto Alegre com 4 anos de existência, só na Capital são mais de 40 mil rádios online, entre amadoras com poucos ouvintes até as mais bem estruturadas. A Rádio Putzgrila durante um ano foi experimental (com servidor web) e utilizou o Shoutcast em conjunto com o Winamp (http://www.winamp.com/). Depois do primeiro ano, a rádio profissionalizou-se, criando um blog e contratou um servidor de duas qualidades (64 e 96 kbps). Desta forma, a Radio Putzgrila nasceu formalmente no dia 6 de setembro de 2007. Assim, a média de ouvintes que era de 5 por minuto deu um salto e agora chega a 65 por minuto.
Atualmente, opera com 25 integrantes e funciona como um clube onde cada um paga uma mensalidade para ajudar nas depesas. Desde maio deste ano a sede localiza-se em um sobrado histórico na Av. Cristóvão Colombo, antes as trasmissões eram feitas da casa de Fonseca. O ambiente dentro do sobrado histórico chama a atenção, pois conta com uma recepção e um estúdio de transmissão forrado com pôsteres dos Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd, entre outros. O radialista conta que é um desafio manter o projeto, porque a Putzgrila tem formato de FM, com programaçao estruturada 24 horas por dia, 7 dias por semana. Os custos são elevados, mas ele disse que depois de 4 anos está orgulhoso. A rádio tem uma proposta bem especifica, tocar rock clássico e blues. Os programas da radio são variados, desde rock soul, até rock latino-americano, punk rock, progressivo e indie rock.
Os programas utilizados são o Simplecast (http://www.simplecast.co.uk/) para transmitir e o Zararadio (para tocar as músicas), ambos gratuitos. Além de muita música, a rádio faz show acústicos ao vivo com bandas gaúchas direto do estúdio. Além disso, Tico Santa Cruz, The Beats e Paul Di'anno do Iron Maiden já foram entrevistados. Os números do mês de outubro
impressionam: acessos de mais de 160 cidades no Brasil e mais de 40 paises, ultrapassando 12 mil ouvintes.
Uma das questões mais complicadas e polêmicas que envolve este universo das rádios paralelas é o ECAD, o controle de direitos autorais que força o pagamento das rádiosweb para tocar músicas. Para Pellin, é legalmente impossível cobrar essas taxas das rádios, pois ainda não existe uma legislação que regulamente a internet. Um dos eventos articulados pela Putzgrila, juntamente com outras rádiosweb, bandas gaúchas e rádios piratas é o Morro Stock Open Air, um encontro na cidade de Sapiranga que além dos shows promove uma série de debates. Para Diego Carvalho, que participa do evento desde a edição de 2008, o Morro Stock é um evento muito positivo, pois trata-se de espaço fora da mídia convencional que contempla diversos públicos, e isso pode ser visto através da diversidade do festival e das webrádios participantes do evento.
Brunno Prado, Felipe Martini, Gustavo Frota, Paulo Guilherme, Stefano Marcos
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