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"Aperreio"

Diário do Nordeste (Fotos: Tuno Vieira, Kid Júnior, Fábio Lima, Denise Mustafa)
Recortes de uma Fortaleza urbana...
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Helga Rackel · Fortaleza, CE
13/6/2008 · 44 · 12
 

Ser usuário de ônibus é uma ginástica. Um exercício obrigatório de sobrevivência. Fortaleza tem se desenvolvido como as demais capitais, expandindo seus horizontes urbanos. Não é mais tranqüila como nos tempos de meus avós – assim eles contavam. Com o progresso capitalista, novas tecnologias são inseridas no contingente social. Carros de luxo e carros populares, motos, bicicletas, ônibus e topics… Todos fazem parte do dia-a-dia fortalezense. Há aqueles que preferem economizar, deixando seu automóvel na garagem. Outros optam em dirigir do que “ser dirigido”. Ônibus não é veículo para covardes. O transporte coletivo está para os cidadãos, assim como o obstáculo está para os atletas! O trânsito de nossa querida capital ensolarada não favorece ao trabalhador que acorda cedo para não atrasar, muito menos ao estudante que chega tarde da noite em casa, depois de horas de aulas. Ou seja, o desenvolvimento humano parece que não é bem vindo aqui.

Passando por condições subumanas, passageiros entram e saem de coletivos ou topics feitos “sardinhas”. Agüentam pisadas, empurrões e palavrões dos mal-humorados companheiros de viagem, como do motorista ou do trocador. Estes, sempre aborrecidos quando estão atrasados. Certo. Mas onde fica o controle de tráfego da nossa “Fortaleza Bela”? Trajetos que se tornam estressantes dentro e fora do veículo são comuns na rotina urbana. Exemplos: motoqueiros que ultrapassam os carros, fazendo zig-zags mortais para driblar o tempo e o espaço; ciclistas enfrentando as mesmas vias dos automóveis; pedestres correndo fora da faixa de trânsito etc. Assim, a vida urbana acelera toda hora, sem tempo para descansar.

Trafegando nas vias públicas, percebemos a carência de reformas no trânsito da capital cearense. Ser estudante e assalariada tem me proporcionado grandes emoções no itinerário casa-trabalho-casa-faculdade-casa, sempre passando pelo terminal. Passar minutos preciosos na fila à espera do ônibus, ser quase esmagada ao subir, sufocada ao passar todo o trajeto em pé. Tanto sacrifício porque não há carros suficientes para a mesma linha nas horas de pico. Vai-vem dentro e fora. Agonia e alívio. Onde está a política pública nesses momentos de tensão dos fortalezenses? Nenhum ser humano merece ser tão humilhado ao sair de casa. Somos nós que movimentamos a máquina capitalista do consumo e das repartições públicas. Para cumprir com nossos deveres de cidadãos, não usufruímos nossos direitos. Há uma crescente e gritante necessidade de mudanças em nossa sociedade, a começar pelo trânsito infernal que mata e aleija pessoas comuns. Estas que não têm condições de esperar no carro, ouvindo música sob o clima fresco do ar-condicionado.

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Andre Pessego
 

Helga, menina bonita dessa Fortaleza
Que coisa voce com este nome de Alemão e com este t´tiulo
APERREIO.
Só este nome valeria meu voto. É verdade. Não é apenas apego de retirante.
Eu sempre uso o termo RETRATO, uso - CANTIGA, uso MODINHA
uso MENINO, MENINA e não criança. O uso destes vocábulos
é de uma importância enorme na feitura da cultura. Na manutenção da Identidade.
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 11/6/2008 13:06
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Helga Rackel
 

Oi, André!
Obrigada pela gentileza! Sou cearense de sangue e coração. Nasci e me criei em Fortaleza. (risos). Mas aprecio com esmero nossos usos e costumes cearense, e a linguagem é uma forte característica dessa cultura dos cabeça-chata. Não sou de romantizar nossa terra e sim, de destacar seus valores e respeito.
Seu comentário muito me apraz. Mais uma vez, obrigada!
Abraço ;)

P.S.: Tenho um artigo "Somos nordestinos, somos brasileiros" no meu blog http://verblogando.wordpress.com e aqui, arquivado no Overmundo. Quando puder, dê uma olhada. Ele trata justamente sobre este assunto.

Helga Rackel · Fortaleza, CE 12/6/2008 08:35
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Helga Rackel
 

Joca, muito obrigada pela dica, viu! São lapsos de um dia muito aperreado! (risos).
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 13/6/2008 08:19
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Helga Rackel
 

Querida Helga
"percebemos o quanto é perceptível " é redundante. melhor
"percebemos a carência (ou a necessidade) de reformas no trânsito da capital cearense"
" mercê" não seria "merece"?
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

CORRIGIDO E AGRADECIDO! :p

Helga Rackel · Fortaleza, CE 13/6/2008 08:24
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Cristiano Melo
 

Helga, muito legal seu escrito. Parabéns e, acho que sou do tempo de seus avós, rs, pois antes não tinha problemas com o trânsito de Fortaleza, mas agora, quando vou visitar minha família, que mora toda aí, não costumo mais dirigir, problema este que se mostra nas demais metrópoles brasileiras.
votos e bjo

Cristiano Melo · Brasília, DF 13/6/2008 15:12
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MarcilioMedeiros
 

Helga,
Se a sua intenção era deixar todo mundo aperreado com a situação crítica do trânsito em Fortaleza, acho que você conseguiu. Eu, pelo menos, fiquei.
Pagamos impostos de 1º mundo e não temos quase nenhum acesso aos bens e serviços sociais.
Ou o Poder Público está ausente ou, quando faz (ou transfere para alguém fazer), realiza de modo precário, com má qualidade e gastando muito (sem eficiência/economicidade).
Xô aperreio!
Parabéns, o texto ficou ótimo. Votado.
Abs,

MarcilioMedeiros · Aracaju, SE 13/6/2008 18:29
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Helga Rackel
 

É, Cristiano... Infelizmente, parece que todos se preocupam em modernizar, "aparecer", mas não percebemos a urgência de uma reformulação do planejamento urbano. E se percebemos, não a colocamos em prática. Ou seja: não adianta querer, temos que fazer. Mas, como cada um é por si e o que importa é o seu carrinho c/ ar de fábrica, trava e vidros elétricos... o resto que se lasque!
Cadê as políticas públicas?!

Obrigada por sua atenção em aparecer por aqui e pela preciosa colaboração, como sempre!
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 14/6/2008 10:41
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Helga Rackel
 

Oi, Marcílio!
Seja bem vindo!
Realmente, o que você diz é o reflexo do capitalismo exacerbado. A sociedade caminha para um progresso - se é que podemos chamar de "progresso" - que não é "um por todos e todos por um", mas cada um por si. A política do pão e circo ainda impera; mudou apenas o cenário, mas a platéia ainda é o povo iludido e o palco, o governo ilusor. Fazer o quê, né!
"O homem criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens", Voltaire.
Ou seja, nos preocupamos em avançar e não, progredir de verdade! Importante é ter hoje, amanhã...

Obrigada pela colaboração!
Abraço ;)
Ah! E gostei do "Xô, aperreio!" :D

Helga Rackel · Fortaleza, CE 14/6/2008 10:49
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Douglas Vieira
 

Olá Helga!
Morei em Fortaleza até dois anos atrás, sou cearense. Hoje mora no Rio e estudo Ciências Socias. Primeiro, quero parabenizá-la pela reflexão sobre o caos urbano em Fortaleza. Precisa mesmo ser melhorado, precisa de novas plíticas, pois os impostos não são de fato bem empregados. Mas, devo dizer, que este é um problema mais brasileiro que cearense. O transporte público de Fortaleza, por exemplo, ´faz inveja aos cariocas.Acredite. Enquanto um estudante em Fortaleza pode pAgar R$ 0,80 (mesmo valor há anos) por uma passagem, aqui, para começar, estudante não tem meia. E a passagem mais barata é R$ 2,10. Acredite! Aqui, além de ser o mesmo caos, vc paga mais para estar nele. Isso sem falar dos terminais de ônibus fortalezenses que, apesar dos defeitos que tem, são maravilhosos. Pior é não ter, como aqui. Temos o metrô, é verdade. Caro e lotadíiiissimo. Impossível de entrar na hora do rush. Sobre o caos, o caos é do mundo moderno, não é de Fortaleza apenas. O transito impossível é das grandes cidades, e fortaleza é apenas uma delas. "Fortaleza bela" pode ter decepcionado muito, e sofro por isso. Mas acho que se teve uma única vantagem, foi no transporte público. Passagem porv R$ 0,80 É UM SONHO.Você recebe meu voto porque pensar sobre minha cidade é algo que deve ser apoiado. Sem dúvidas há muito o que melhorar!

Douglas Vieira · Rio de Janeiro, RJ 14/6/2008 15:57
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Helga Rackel
 

Oi, Antônio!
Isso que você diz, é verdade. Bom saber que aqui é menos pior. Não quero parecer a criança que reclama de barriga cheia, mas levar à reflexão do que temos hoje e do que poderá ser o amanhã. Luizianne Lins (PT) tem meu voto, e apoio seu 2º mandato. Claro, não existem pessoas perfeitas. A política é feita por pessoas, então, essa premissa é válida. Porém, apesar desse aparato econômico, o Governo do Estado precisa se aliar à Prefeitura, e vice-versa, para construir um trânsito viável e compatível às necessidades dos fortalezenses. Só baratear a passagem, não resolve o estresse de trafegarmos. E modernidade tem seus limites!
Obrigada pela colaboração e comentário muitíssimo válido!
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 14/6/2008 16:46
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Andre Pessego
 

E hoje, o trânsito um tanto menos aperreado, voltei em tempo de ler algumas coisas a mais e quebrar o lacre do secreto
abraços
andr.e

Andre Pessego · São Paulo, SP 14/6/2008 18:56
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Helga Rackel
 

Você é muito simpático, André!
Um final de semana menos aperreado pra você :D
Abraço ;)

Helga Rackel · Fortaleza, CE 14/6/2008 20:02
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