Aula Magna levanta questão polêmica

Foto: Caco Argemi/Palácio Piratini
Tarso Genro em Aula Magna da UFRGS
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Suzy Scarton · Porto Alegre, RS
15/4/2011 · 1 · 0
 

Na Aula Magna realizada pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), no último dia 6 de abril, o advogado, ex-ministro da Justiça e atual governador do estado do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ressaltou, entre diversos assuntos, sua posição em relação a um tema considerado polêmico: a liberação da maconha.

A maconha já é legalizada em vários países, entre eles o Canadá, a Bélgica e a Suíça. E apesar de admitir que não defende a descriminalização da droga, o governador apontou que é necessário distinguir quais drogas são mentalmente comprometedoras e quais não são. “Nunca ouvi falar de ninguém que tivesse matado por causa de maconha”, afirmou o ex-ministro, que pensa que usuários não devem ser tratados como criminosos.

O advogado criminalista Marcelo Mayora reforça a opinião do político, com uma abordagem ainda mais ampla: “Sou completamente a favor da liberação de todas as drogas. A proibição gera grandes problemas para a segurança pública, desde superlotação carcerária, devido ao grande número de prisões por tráfico, até corrupção policial e economia clandestina das drogas.”

Por mais que a declaração de Tarso tenha causado espanto entre os espectadores da Aula Magna, essa discussão faz parte, há muito, do cotidiano dos jovens brasileiros. Ao contrário do que se possa esperar, a juventude também apresenta opiniões contraditórias. A estudante de Enfermagem da UCS (Universidade de Caxias do Sul) Karen Tansini se declara contra a liberação da maconha: “Acho que seria uma má ideia. A maconha abre portas para uso de outras drogas, que causam maior dependência e consequências graves.” Já o estudante de Publicidade e Propaganda da Faccat Eduardo Reis diz acreditar que a mudança seria mais positiva do que negativa: “Hoje em dia, na cabeça das pessoas, se tu defenderes a liberação tu também és usuário. Não é bem assim que funciona. Isso é um assunto econômico e político, não se trata apenas de liberar para facilitar o consumo”, conclui.

Apesar de essa postura liberal ainda encontrar resistência, a impressão majoritária de que a maconha só possui efeitos negativos está se modificando, bem como a posição das pessoas sobre a liberação. Há quem creia que esta pioraria a situação da droga e suas conseqüências seriam ainda piores. Outros, entretanto, acreditam que a proibição estimule ainda mais o consumo. “A proibição incentiva o uso, principalmente do adolescente. Ela glamouriza a situação. Além de tudo, por ser considerado um assunto secreto a ser abordado, gera a desinformação, o que é preocupante”, finaliza Mayora.

Por Roberta Fofonka e Suzy Scarton.

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