Belo monte a espera de Tainá

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lcampelo · Belém, PA
20/5/2010 · 1 · 0
 

Belo Monte, a espera de Tainá.

“Agora é a vez do Pará.” Quem já viu o “comercial” do governo do Estado sabe que é um ato para sensibilizar a opinião pública sobre a construção da usina de Belo Monte. Com a promessa de geração de emprego e renda e, principalmente, de que esses empregos serão destinados ao povo paraense - bem, é ano eleitoral certo?
Durante a propaganda, não podemos deixar de notar que a apresentadora Eunice Baia é a índia que fez o filme Tainá, no qual era protagonista, em que ela defendia a floresta amazônica e seu o povo contra os caçadores e exploradores. E agora, com a construção da usina de Belo Monte, haverá uma Tainá para defender a floresta contra os danos causados pela construção da hidrelétrica?
Enquanto não aparece essa heroína, o Ministério Público Federal anulou a licença duas vezes concedida pelo IBAMA, por falta de dados científicos conclusivos sobre os impactos ambientais e sociais gerados pela usina. Além das ações movidas pelo MPF, ainda confirmando as dúvidas em torno da construção e seus danos, destaca-se a desistência de duas das maiores empreiteiras do país, Camargo Corrêia e a Norberto Odebrecht, que acharam arriscado e inseguro economicamente o projeto.
Há alguns questionamentos feitos para o BNDES, a respeito da viabilidade econômico-financeira do projeto, o quanto pretende financiar, visto que o governo informa que o custo será de 19 bilhões e as empreiteiras afirmam que a média será em torno de 30 bilhões, e o agravante social dos custos de remanejamento da população ribeirinha. Estas são algumas das duvidas sem respostas sobre a megaoperação da usina que o governo federal quer implantar.
A hidrelétrica de Belo Monte, se construída, será a terceira maior usina do mundo. Sob esse título, trará com ela os impactos ambientais e sociais como a redução do leito do rio Xingu, diminuindo de forma drástica a navegabilidade do rio para os ribeirinhos e índios, a inundação de uma área de 516km², colocando em risco a qualidade das águas, como a acidez gerada pelo apodrecimento das árvores que ficarão submersas e consequentemente o desaparecimento de espécies de peixes que viviam neste local, além da perda de patrimônio arqueológico. Essas são apenas algumas das consequências trazidas pela hidrelétrica que será a terceira maior do mundo.
Expor os entraves à usina não significa estar contra o país. O Brasil tem outras alternativas para geração de energia como a eólica, a biomassa, solar, pequenas usinas, marés. Basta para isso enxergar de fato os danos que causará a construção de Belo Monte. Até lá, ficamos a esperar de outra Tainá, que não seja apenas de ficção.

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