Durante muitos anos, o carnaval na capital mineira ficou por um fio. Não fosse o empenho das Escolas de Samba para manter os desfiles, a festa, especialmente a de rua, talvez não tivesse vingado, já que em nada lembrava o fuzuê provocado pelos corsos, os desfiles de carros alegóricos que subiam e desciam a Avenida Afonso Pena, logo que a capital foi construÃda. Nos últimos tempos, porém, Belo Horizonte parece ter se reconciliado com a folia. Neste ano, dezenas de blocos vêm desfilando pelas ruas da cidade, resgatando uma tradição que já foi muito forte. Segundo lembra o compositor Gervásio Horta, os blocos caricatos, que nos primeiros tempos reuniam apenas rapazes, eram formados em vários bairros de Belo Horizonte e organizavam seus ensaios carnavalescos ainda em janeiro.
A lembrança do compositor sobre os antigos blocos de rua faz parte da exposição 'Narrativas do samba e do carnaval em Belo Horizonte'. Organizada no Museu Histórico AbÃlio Barreto, pelo historiador e documentarista Marcos Maia, a mostra reúne fotos, matérias de jornal, cartazes, panfletos, discos e cd´s, além de depoimentos em vÃdeo de sambistas e compositores, que dão um panorama da história do carnaval belo-horizontino.
Com a voz embargada, o compositor Jadir Ambrósio conta em vÃdeo da emoção de ouvir o samba-enredo da “Pedreira Unidaâ€, a primeira escola de samba de Belo Horizonte, fundada em 1937: “Aquilo era uma beleza!â€, diz. Depois da “Pedreira Unidaâ€, o carnaval das escolas de samba de Belo Horizonte foi se consolidando até se tornar o segundo mais famoso do Brasil, perdendo apenas para o Rio de Janeiro. No fim da década de 1980, porém, “o carnaval morreuâ€, conta Gilson Mello, um dos fundadores do projeto “Faculdade do Sambaâ€, que reúne sambistas da Velha Guarda de BH para fazer shows, gravar cd´s, constituir acervos e produzir documentários. Formado por nomes como Wilton Batata e Mestre Conga, o projeto tem conseguido resgatar a história do samba e contribuir para a revitalização do carnaval belo-horizontino, depois daquele perÃodo de declÃnio.
Além do trabalho da “Faculdade do Sambaâ€, projeto que tem destaque na exposição do Museu AbÃlio Barreto, a mostra indica que a herança deixada pelos antigos foliões de rua de Belo Horizonte vem contaminando as novas gerações. É possÃvel notar diversas semelhanças entre as fotos dos blocos caricatos de outrora e os de hoje. Muitos foliões nas ruas, muita alegria, descontração e a criatividade nas fantasias. Ano após ano, o morador da capital de Minas vai fazendo as pazes com o carnaval de todos os tempos.
Confira:
Exposição 'Narrativas do samba e do carnaval em Belo Horizonte'
PerÃodo: até 30/04/2013
Visitação: De terça a domingo, de 10h às 17h; quartas e quintas de 10h às 21h.
Museu Histórico AbÃlio Barreto: Av. Prudente de Morais, 202 - Cidade Jardim
Belo Horizonte/MG
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