Hoje, 6 de janeiro, é um dia animadÃssimo em quase todo o Brasil. Fico triste só de pensar em quantas festas boas estão acontecendo no paÃs e eu aqui em Copacabana, bairro onde não conheço nenhuma folia para sair atrás, cantando e dançando de casa em casa (se bem que nós, copacabanenses, estamos de parabéns pelo réveillon que iniciou este ano de 2006: folia pirotécnica que instaurou - por uma noite de praia lotada - um Rio de total paz, sem perder a alegria intensa.)
Sonho então com os lugares onde gostaria de estar:
1 - Valença, Rio de Janeiro. No encontro das folias. As fardas dos palhaços, que agora andam em batalhão, são as peças mais criativas da moda brasileira. Há tempos, desde bem antes que os estilistas de vanguarda liberaram o uso descombinado de estamparias de todas as espécies ao mesmo tempo, os foliões de Valença costuram listras com bolinhas desenhando por cima os logotipos das marcas populares do surf carioca ou do doom metal sueco. As danças também desconstroem movimentos do funk e da chula, numa representação cada vez mais playstation 2 da eterna luta do mal contra o bem.
2 - Norte de Minas Gerais. Em algum lugar entre Januária e o rio Pandeiros, na direção do Parque Nacional Grande Sertão: Veredas. Seguindo o Terno de Reis dos Figueredo em sua peregrinação de vários dias pelos sÃtios do cerrado, brincadeira realizada há 118 anos, pagando a promessa de dona Calu Figueredo, bisavó do querido Maninho, atual mestre. Além das cantigas religiosas, os foliões tocam sambas, catiras e lundus que amolecem o corpo de qualquer sertanejo. Mesmo Riobaldo - sem tirar os olhos de Diadorim - daria boas reboladas.
3 - Cuité, municÃpio de Pedro Velho, Rio Grande do Norte. Mas lá a festa terminou hoje de madrugada quando mestre José Cândido (espero que ele ainda tenha saúde para comandar a brincadeira) ordenou a queima do boi. É talvez a melhor sequência de danças que já vi, só comparada em exuberância, movimentos surpreendentes e variedade estonteante à quela do cavalo-marinho pernambucano. Dança gente fantasiada de emas, jaraguás, galantes, mascarados, todos atrapalhados (no melhor sentido da palavra atrapalhação) pelos palhaços (também mestres de aboio) Mateus, Cavalo Branco e Birito.
E tem mais, muito mais. Só estou lembrando isto tudo meio por masoquismo, meio para incentivar que o(a) leitor(a) do Overmundo, morador(a) das redondezas de uma festa de Reis (o Edson Wander, aqui embaixo, dá a dica certa para os goianos), saia de casa e caia na folia. Afinal temos sempre que aproveitar o que o Brasil tem de melhor, e - na minha humilde opinião - a capacidade de brincar e inventar novas brincadeiras é imbatÃvel na lista de mais útil qualidade nacional.
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