Centro Cultural Donana

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ErikaNasc · Rio de Janeiro, RJ
9/4/2010 · 0 · 0
 

O Centro Cultural Donana surgiu em meados da década de 80, quando, membros da família Nascimento resolveram criar um espaço, no próprio quintal da casa, onde moravam, voltado para as Artes e alfabetização de crianças, jovens e adultos.
No bairro de Piam, no município de Belford-Roxo, um dos treze municípios que compõem a Baixada Fluminense no Rio de Janeiro, época que a cidade fora considerada pelos altos índices de homicídios ocorridos na região, freqüentemente noticiado nas páginas policiais dos jornais de grande circulação.
Durante este período realizou-se diferentes atividades como exposições e festas com os músicos da Baixada. De o final dos anos 80 até os dias atuais, o Centro Cultural Donana obteve repercussão nacional e internacional por virtude de suas atividades socioculturais. O lugar chamou a atenção por alfabetizar e disseminar cultura e arte em Belford-Roxo, onde todas as atividades eram ministradas pela família.

Apesar de ser chamado de Centro Cultural por apenas 6 anos, 1988 à 1994, o lar de 10 irmãos e do velho casal, Dona Ana e seu marido, José, a Casa de Don’Ana se consagrou como referência cultural para uma comunidade.

A Escola Donana, que teve o apoio do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), criado pela Lei n° 5.379, de 15 de dezembro de 1967, passou a fazer parte do Centro Cultural Donana, cuja repercussão trouxe Jimmy Cliff da Jamaica e o fez comparar Belford Roxo ao seu país “este lugar lembra a minha terra†disse empolgado com ar saudosista enquanto caminha de bicicleta pela cidade.

A mídia apareceu por lá muitas vezes, na época, o Programa Legal, programa de TV da Regina Casé foi cobrir e descobrir que lugar é esse que fez tanto movimento no Rio de Janeiro, incluindo a Zona Sul.

Os 10 filhos cresceram no lar e, apesar de cada um ter tomado um caminho diferente, a casa, que viria a se tornar o Centro Cultural Donana, foi o ponto de intersecção de todos eles, formaram uma unidade, atuaram a favor da cultura alfabetizando, ensinando música, esporte e muita arte a crianças, jovens e adultos, onde cada um teve sua significância e contribuição para a história que viria a mudar a cara de Belford Roxo perante o mundo.

Ao Donana vieram e do Donana saíram muitos nomes da música. Deste ninho, a banda Cidade Negra, que ensaiava no estúdio do Dida Nascimento, um dos principais fundadores do centro cultural. Marcelo Yuka que integrou a banda KMD5, juntamente com o Dida, Marrone seu irmão e Lauro Farias, posteriormente, Lauro e Marcelo integrariam a banda O Rappa. Entre outras bandas, Cabeça de Nego, Nocaute e Negril, a última também integrada por Dida e Marrone Nascimento.

Em meados dos anos 90, em 1994, por falta de recursos e com o falecimento do patriarca da família, Seu José, o Donana encerraria suas atividades.
Quinze anos se passaram e sobraram as heranças culturais para os mais novos membros da família,e nesse elo “ressurgiu†o Donana com seu primeiro evento idealizado por Diego Jovanholi, o CineRock, em março de 2009, agregando música, poesia, artes visuais, cinema e muitos jovens da Baixada.

A partir de então, as atividades do Centro Cultural continuam... Cinerock, Diversidade Cultural, Cineclube e por aí vai... Sendo contemplado pelo Edital do Cine Mais Cultura, tornando um ponto cineclubista, num município que sequer há uma sala de cinema.


Pouca coisa mudou na Baixada a escassez de informação cultural nos habitantes dessa região ainda é muita grande. É por isso que o espírito do coletivismo prevalece onde há poucos recursos, a comunidade tem que se unir para conseguir conquistar seu espaço. É através desse ideal que continua luta pelo Donana.

Conheçam um pouco mais o Donana acessando o blog:
http://ccdonana.blogspot.com

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