Começou o carnaval da inversão em Salvador.

Evandro Calisto de Sousa Filho
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Evandro CalistoFilho · Salvador, BA
13/2/2015 · 0 · 0
 

O prefeito de cabelo impecável, deputado de nascença, da postura ao discurso pulou no meio da galera num despretensioso Chenhemhemhem , o que causou indignação ou soslaio olhar. Indignações por ter quebrado as expectativas da esquerda e da direita. Os destros conservadores olhando de lado o pupilo que apoiou pensaram "Netinho, Netinho, esse menino... Mas é a juventude! deixa lá..." e os canhotos xiitas, indignados mordiam a nuca por não conseguirem enquadrar o perfeito naquela gaveta que eles abrem e fecham à décadas com a ladainha "ele é burguês, ele é daquela família, ele é da casa grande, o avô comia criancinhas, todo mundo sabe o que está tramando, hummmm!". Enquanto isso o povo menos aristocrático e pouco se importando com a história "chemhemhemava" com o notável vendo-o apenas como um cidadão que até agora como funcionário público vem trabalhando de forma competente e técnica. Sem muitas esperanças se dão por contentes, num país de CPIs o gestor não está envolvido no mar de corrupção e dá resultados práticos à uma cidade que a pouco tempo não se andava de carro por conta das crateras, e o antigo passou dois anos sendo notícia pelos chiliques da ex e o desfilar da amante . No inferno um copo d'água é uma foz.
Na madrugada, num corredor laranja, vestida de rosa com uma das mangas em relevo como os velhos bobos da corte Ivete Sangalo cantava como uma principiante de "barzinho e violão" para um público que tem dinheiro pra colocar a grande águia numa gaiola e sente com alegria as gotas de saliva real banharem suas faces pela proximidade. Quem diria, a grande ave das cordilheiras piando no camarote para uma "moquequinha" que pagou um cache com direito a tudo dentro inclusive ela.
O chiclete perdeu o açúcar e a banana não nos faz escorregar na ladeira. Bell Marques tenta se manter nos "paus de Selfie" da grande mídia, sem cordas desfillava. Antigamente sair sem cordas era mostrar independência ou protesto contra a política de propinas das rádios, hoje é a única forma de mostrar nas transmissões televisivas ao vivo que existem.
E os humanos começaram a sair das tocas com a morte dos chatos, políticos, xiitas e aristocratas. Com a morte dos zumbis, o que era loucamente chamado de alternativo virou carnaval, batucadas, charangas, furdunços, panelas e chinelos fazem o som da alegria libertária. Enquanto os economistas discutem a legalidade do cartel das cervejas, os evangélicos lançam blocos na avenida e os sabidos se matam pra vender os abadas com ágio, o povo vai pra rua tentar esquecer o caos tributário, o deficiente sistema de transporte e a violência institucionalizada tanto das polícias quanto das facções criminosas. Como doentes terminais tentam gozar os últimos dias que restam de sobrevivida.
Pouco se fala da música que será escolhida, da rainha do Ilê, de quem vai tocar em que bloco, se o abada é bonito. Basta cortar a velha e barata camisa Hering, colocar um batom da Avon e se perfumar de leveza.
No turbilhão de anos inversos a nova inversão do carnaval pode colocar tudo de volta pro lugar e sambarmos livres sem a ilusão de Ícaro que pensa voar e os insistentes gritam a toda hora imaginando ser possível "tira o pé do chão!!!"
Bell, Ivete, Daniela, Asa por favor ponham o pé no chão, hoje o trio e da sofrência.

Eu sou EVANDRO CALISTO, escrevinhador que saiu pela primeira vez num bloco, amigos se juntaram e dançaram para o mundo, temos até própria mídia, querendo ver www.facebook.com/basketeiras. Adorei

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