“O incentivo é apenas para quem vende mais? E o que mostra nossa cara, a cara do Brasil e do seu povo? E os que instigam nosso povo a pensar e a crescer, crescendo nossos valores sociais, esses não agregam nada?”
Por Eliane Franqui*
Dizemos que o Brasil está em franco desenvolvimento econômico e social, eu contesto, mas como? Um país só cresce de fato se sua maior riqueza for valorizada. E a maior riqueza que o Brasil tem é o seu povo, e esta só tem valor quando aprendemos, quando agregamos conhecimento e adquirimos cultura, crescemos em valores intangíveis. E, infelizmente, não é esta a nossa realidade...
Vemos adolescentes que discutem e se espelham em livros como os das “surfistinhas da vida” e acham que a “profissão mais antiga do mundo” é algo a ser almejado. Nada contra a profissão, mas é isso o que queremos ensinar? Que sonhar com “Brida” é o “canal”...? E viver o mundo de Peter Pan? Esta será a continuidade para estas pessoas, Neverland as aguarda...
Mas a pergunta é: é isto que desejamos para nosso povo? Viver a síndrome do Peter Pan, forever? Que o senhor dos anéis nos salve. Harry Potter serve também (risos)!
Opaaaa... não nos esqueçamos dos livros de “como brigar a boa briga” para sermos bem sucedidos nas empresas e como driblar a depressão...(risos). Estes vendem bem, afinal vivemos para correr atrás do tangível e do imediato.
Como é difícil ser um autor independente neste país! Isto por quê? Porque as editoras têm apenas a visão e o compromisso financeiro. É de impressionar qualquer um a disposição de certos escritores, entre eles, Elenilson Nascimento, que ainda investe tempo e talento tentando trazer algo que valha a pena de se ler neste país.
Vivemos numa Terra onde o próprio Governo cria agências reguladoras para vários segmentos empresariais (saúde, por exemplo, através da ANS – uma “merda” criada para ferrar com as operadoras, para mandar os planos assumirem o que é de responsabilidade do Governo... Leia-se SUS), e por que não as cria para as editoras? Saúde “mental, cultural” não é saúde?
O incentivo é apenas para quem vende mais? E o que mostra nossa cara, a cara do Brasil e do seu povo? E os que instigam nosso povo a pensar e a crescer, crescendo nossos valores sociais, esses não agregam nada? NÃO!
Quem já leu o romance “Clandestinos”, ou mesmo o livro de poesias “Palavras Faladas Fadadas Palavras”? Pois é... Falta mídia para nos dizer que estas obras aí estão... e como fazê-lo? Se nada mudar, continuaremos engrossando os cofres das editoras, dos bolsos de certos autores e pouco acrescentando à nossa gente.
Não sei se devemos incentivar ou desanimar os “Elenilsons da vida”! Tomara que perseverem nesta luta quase “inglória” de escrever e levar cultura às pessoas contando apenas com seu esforço próprio, já que incentivo para isso no Brasil é UTOPIA. (“CLANDESTINOS” de Elenilson Nascimento e Anna Carvalho, romance, 427 pags, 1ª edição, Clube de Autores, São Paulo – 2010)
*Eliane Franqui é fisioterapeuta e empresaria, além de ser uma das mais lindas leitoras que eu tenho. Contato: elianefbarbiero@hotmail.com
fonte: LC (http://literaturaclandestina.blogspot.com/)
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