O texto tenta de forma enfática mostrar as mudanças na maneira de consumir e como essas, alteraram as formas de exercer cidadania, as mesmas que sempre tiveram estritamente ligadas à plena capacidade da apropriação dos bens de consumo e a maneira de como usá-las.
Em tempos que as campanhas eleitorais migram, dos comícios para a publicização midiática em televisão, das polêmicas documentárias para o confronto de imagens e persuasão ideológica para as pesquisas de marketing, é coerente tirarmos conclusões como David. K. Berlo no livro Processo da Comunicação, “somos fantoches da mídia, o que a mesma impõe temos que absorver em imediato”. As únicas coisas accessíveis são os bens e as mensagens que chegam a nossa própria casa e que somos obrigados a afugentá-las, em nosso talvez, pífio conhecimento.
Pode-se perceber o radicalismo destas mudanças. Em meados deste século era freqüente em alguns países latino-americanos, o que uma comum discussão entre pais e filhos terminasse com a máxima “ninguém está satisfeito com o que tem”. Essa conclusão manifesta muitos conceitos ao mesmo tempo, quem replicava essa frase estaria pronunciando aos filhos que chegavam à educação de nível médio ou superior e desafiavam os pais com novas demandas e obstáculos.
Em suma, as lutas de gerações a respeito do necessário e desejável, mostram o outro modo de estabelecer as novas identidades e construir sua diferenças, acabam por depender daquilo que possuem ou daquilo que podem chegar a possuir. As transformações constantes nas tecnologias de produção, no desenho de objetos, nas comunicação mais extensiva ou intensiva entre sociedades. Esta versão política de estar contente com o que se tem quem foi o nacionalismo dos anos sessenta se setenta, é vista hoje com último esforço das elites desenvolvimentistas, das classes médias e de alguns movimentos populares para conter dentro das vacilantes fronteiras nacionais a explosão globalizada das identidades e dos bens de consumo que as diferenciavam.
Ao mesmo tempo em que admitimos a globalização como uma tendência, o livro participa dos dois movimentos atuais de suspeita: O daqueles incrédulos de que o global se apresenta como subtítulo do local, e o dos quais a globalização incorpora diferentes nações, e diferentes setores dentro de cada nação, sua relação com as culturas locais e regionais não pode ser pensada como se apenas procurasse homogeneizá-las. Muitas supra diferenças nacionais persistem sob a transnacionalização, mas também, o modo pelo qual o mercado reorganiza a produção e o consumo para obter maiores lucros e concentrá-los converte essas divergências em desigualdades.
Ao representar a cidadania em conexão com o consumo e como estratégia política, significa transcender a abordagem "atomizada" com que sua análise é renovada. A insatisfação com o sentido jurídico-político de cidadania, conduz a uma defesa do existencialismo, como chamam, de uma cidadania cultural, e também de uma cidadania cultural e, também de uma outra racial, e assim podemos cada vez mais costurar ou despedaça a cidadania. O mercado “estabelece” uma lacuna com o regime, converge para o atual ínfimo poder do estado nas participações, através da ordem do consumo.
Se reconhecermos este deslocamento de cenários em que trabalha a cidadania (do povo à sociedade civil), e esta reestruturação do peso local, do nacional e do global, algo de acontecer à forma pela qual as políticas representavam as identidades. Há portanto, um proselitismo natural no outro modo cultural de fazer política e outros tipos de políticas culturais que deverão surgir. Tal reformulação teórica deveria significar, no nível das políticas “identitárias”, que estas, além de se ocuparem do patrimônio histórico, desenvolvam estratégias a respeito dos cenários informacionais e comunicacionais onde também se configuram e renovam as identidades. Então que cidadania pode expressar este novo tipo de identidade?
A resposta perde força, pois, os referentes político-jurídicos da nação são formados na época em que a identidade se vincula exclusivamente com teóricos próprios, ou seja, são pesquisadores comprados ou no mais, capitalizados pela ideologia do consumismo, porém existem formas de solidariedade política nacional e transnacional, como a de movimentos ecológicos r organizações não governamentais, apropriados ao exercício da cidadania em um mundo globalizado. Mas a massa e até os setores politizados sentem pouca atração por estas estruturas internacionais. É o que revela a baixa participação na eleições para o parlamento europeu em 1994 e a escassa repercussão que tem nas agendas de movimentos sociais e partidos políticos nacionais, os projetos de integração latino americana.
Pormenorizadamente, podemos observar o exacerbado poder contemporâneo da publicização midiática nas pessoas; Consumidores Universais. A sua imensurável força de convencimento, tendo como respaldo a comoção popular no embalo da democracia, aflorando cada vez mais a ideologia do consumismo, em todos que são assim por dizer, produtos da mídia e brandos com a publicização! Consumidores do século XXI; Cidadãos da onde?
João Paulo Cavalléro de Freitas
Publicitário e Escritor do Livro O Almanaque do Publicitário
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