Dia do Bibliotecário - o Bibliotecário necessário

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Celly Lima · Recife, PE
12/3/2015 · 1 · 0
 

Hoje, 12 de março, é comemorado o Dia do Bibliotecário. Os eventos de comemorações, tradicionalmente, incluem palestras e mesas redondas sobre a necessidade e importância desse profissional que seria evidenciada na “era da informação”, do “conhecimento”, do “acesso” ou “digital”. No entanto, há uma realidade de baixa autoestima e de desprestígio social que afeta, rotineiramente, os profissionais e graduandos em Biblioteconomia.

Como professora do Departamento de Ciência da Informação da UFPE - dos cursos de Biblioteconomia e Gestão da Informação - pretendo homenagear o profissional bibliotecário oferecendo uma reflexão, no sentido de iniciar um diálogo, para encontramos caminhos de superação da “crise de identidade” que também é preocupação de pesquisadores e docentes da área.

Com a implantação do curso de Gestão da Informação no DCI da UFPE, pudemos perceber o temor e a insegurança de alunos de biblioteconomia, bem como o receio e até animosidade de profissionais bibliotecários da região.

Evidentemente, as razões para isso eram concretas, a partir da consideração de que Bibliotecários já faziam o serviço de tratamento da informação para uso estratégico nas empresas, e, portanto, já detinham as técnicas e, de uma forma ou de outra, as tecnologias também. A questão, segundo o discurso, era que “só as empresas e o mercado não sabiam disso”. Mas se já atuavam, como poderiam ser “invisíveis” para as empresas e para o mercado?

De fato, interessa e importa ao mercado que existam profissionais preparados e dedicados à organização, acesso e uso das informações estratégicas para a tomada de decisão empresarial. E nesse sentido, uma graduação e um currículo para formar gestores da informação se configura numa real resposta à demanda regional e global.

Portanto, o Gestor da Informação não deve ser visto como o novo perfil do Bibliotecário, nem como um Bibliotecário melhorado, nem como melhor do que Bibliotecários. Mas como um profissional necessário para uma demanda da sociedade e do mercado.

Da mesma forma, o Bibliotecário deve ser visto como necessário e importante para a sociedade e para o mercado. Mas não porque ele simplesmente diz que é necessário e importante e se ressente quando acha que não está sendo visto assim. Ele deve ser visto porque, verdadeiramente, é necessário e importante, embora enquanto grupo ou categoria atue de forma desfocada, provavelmente paralisado por sua crise identitária.
Um depoimento extraído da tese de Maria Walter (2008, p. 290) impressiona:
“A minha filha [...] faz psicologia [...] Então ela ficou lá quietinha assistindo os trabalhos enquanto eu estava esperando a minha hora. Depois ela falou assim […] já viu um médico falar assim para a sociedade: eu sou importante viu?! eu sou importante [...] Porque eu nunca vi um pessoal que não acredita na sua importância! [...]”

Mas se esta realidade tem origem na quase inexistência de bibliotecas e dos demais dispositivos culturais no país, portanto, não despertando o interesse do formando, e do profissional, por tais instituições, quem deve assumir o desafio de atuar na, e em prol, de tais instituições? Pois, mesmo sabendo que a questão é decorrente de ingerências políticas, o bibliotecário, assim como a biblioteca, nunca deixaram de ser uma necessidade e uma demanda social, mesmo hoje quando o que denominamos de biblioteca pode ser demasiadamente diferente do que era há pouco tempo atrás.

Evidentemente, não se pode exigir abnegação do bibliotecário. Mas é indispensável a observância de sua responsabilidade ética e social. A autoconsciência de sua razão de ser para a sociedade, possivelmente, inverteria a lógica da autoimagem negativa e do desprestígio institucionalizado nos ambientes de trabalho.

O trabalho de biblioteconomia que remonta à antiguidade, bem como a história do surgimento das bibliotecas, já nos são bem conhecidos, ou acessíveis, para que possamos entender, numa linha do tempo, as demandas por este profissional, a necessidade social de suas atividades e as mudanças que trouxeram inovações para o seu saber fazer. Mas será que as mudanças e avanços tecnológicos modificaram o essencial ou intrínseco desta profissão ou nunca identificamos o que corporifica a profissão de bibliotecário, quanto aos fins de suas atividades?

Será o bibliotecário um “profissional da informação” ou um mediador cultural dotado de saberes e fazeres que visam a apropriação cultural? A sociedade necessita, deseja e demanda por apropriação cultural?

As pessoas reconhecem o profissional médico como um dos mais nobres e necessários. Com razão, a prioridade é a vida. A responsabilidade social do profissional Bibliotecário - esse mediador cultural - é trabalhar para que, aqueles que desejam, sejam protagonistas na vida. Inclusive, ele próprio.

Então vá e comemore!

Veja a programação da UFPE e da UNICAP.

Na UFPE:
https://www.ufpe.br/sib/index.php?option=com_content&view=article&id=430:12-de-marco-dia-do-bibliotecario-homenagem-sibbcufpe&catid=3:programacao&Itemid=122

Na UNICAP:
http://www.unicap.br/home/23430/

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