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Linux OpenSUSE - test drive

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JoCuca · Recife, PE
24/12/2008 · 40 · 0
 

Recentemente - dia 18 de dezembro de 2008 - foi liberado para download a versão 11.1 do OpenSUSE GNU/Linux, distro mantida pela comunidade do Software Livre mas também pela Novell Inc. uma empresa privada com sede em Masachussets, EUA. Aliás, OpenSUSE é software livre ou não? Há uma forte controvésia a este respeito, mas não é o ponto a que eu quero chegar no momento presente.
Fiz o download da versão 11.1 em DVD - gastei cerca de onze horas, de um link para uma universidade de Utah - e vou aqui falar de minhas primeiras "impressões ao dirigir"... Peguei um velho HD Samsung de 40 GB, que serve para estas experiências mesmo, espetei na IDE primária e me preparei para instalar. Ao iniciar pelo DVD-ROM uma pequena surpresa (um easter egg): aparece um cenário natalino e vários pinguizinhos desfilam na tela com touca de papai Noel... Iniciei o processo, definindo o particionamento. Uma coisa que pratico desde os tempos do DOS é dividir o HD em pelo menos duas unidades: uma para o sistema e programas, outra para os dados do usuário. O OpenSUSE já me propôs isto de cara! Três partições: uma swap de 1,5 GB, uma raíz "/" com 14,5 GB para o sistema e a teceira com o volume restante para os perfis e dados de usuários "/home". Gostei. Depois vem a escolha da interface gráfica Gnome ou KDE 4? Ainda considerando outras opções como o KDE 3.5.10, XFCE, somente X ou somente linha de comando... Muito bem, optei pelo KDE 4. É feita uma detecção preliminar das partições, com uma novidade: além dos pontos de montagem tradicionais do GNU/Linux vem um "/windows" com subpastas "C" e "D" para o disco particionado em NTFS - no caso tenho um slave Samsung de 80 GB dividido em duas unidades lógicas. Depois da definição dos dados de usuário e confirmação de minhas opções veio o processo da instalção propriamente dita. Na tela, à esquerda um check list dos processos em andamento; ocupando os dois terços restantes à direita uma apresentação de slides sobre como o OpenSUSE é bonito e prático, etc, bem ao estilo dos piratas de Redmond... mas se a gente quiser, pode tirar os slides de cena e ficar acompanhado a implantação dos pacotes .rpm, um a um... é uma liberdade! Após todo o desempacotamento e configuração automática a máquina reinicia o sistema (sem boot) e já está pronto pra usar. Alguns detalhes ainda faltam: drivers proprietários (da Nvidia, por exemplo) e o plugin Flashplayer (que é da Adobe) mas o codec de mp3 já é nativo, segundo uma licença GPL.
O Open Office, na versão 3.0 é uma Novell Edition, com uma melhor compatibilidade para o Excell - o que era uma deficiência do OO 2.4, que demorava uma eternidade pra importar uma planilha .xls - e já contém filtros de importação para o (questionado) padrão ISO .ooxml recentemente registrado pela Microsoft. Há opções de configuração de login em domínio Windows e interoperabilidades definidas para o Active Directory. Y otras cositas más que envolvem direitos proprietários e devem se originar dos acordos de interoperabilidade Novell/Microsoft.
O sistema de instalação de pacotes utiliza a ferramenta YaST - Yet another Setup Tool - lembrando um pouco o processo de instalação gráfica do Adept no Debian/Kubuntu. Bastante prático e fácil de usar. A gente escolhe o software por categoria, constante dos repositórios, clica e instala automaticamente.
Resumindo, creio que neste 18 de dezembro está o marco de uma ruptura histórica: o momento da perda da inocência para o Linux e para o software livre. É evidente que o Linux hoje se trata de um produto de qualidade superior - altamente usável, focado na segurança e na praticidade. Certamete os linuxistas mais puros torcem os seus narizes para opções como o OpenSUSE ou Ubuntu e seus derivados - são os heróis revolucionários da primeira hora, adeptos fervorosos do puro Debian, do puro Slackware, etc. Porém a gente não pode negar que a mudança está batendo à porta e esta pode não ser a forma que desejávamos, mas é a forma possível... o importante é que com ela nos livramos em boa parte do colonialismo digital que ainda nos é imposto pelas grandes corporações e de muitas de nossas vulnerabilidades em relação à detenção do conhecimento e a preservação e alimetação de nossa base de conhecimento. O openSUSE (bem como o Ubuntu) é um produto originado de uma grande corporação, porém com a resalva de um comprometimento com a a comunidade do Software Livre, submetida às regras da licença GPL e às normas de padronização ISO; é indiscutivelmente superior ao Windows e a tudo que se fez antes; e qualquer empresa deverá considerar seriamente a possibilidade de mudar caso queira se manter em sintonia com a modernidade e os parâmetros exigidos pelo mercado atual em termos de disponibilidade, usabilidade, segurança, escalabilidade, etc.
Caros amigos, peço que considerem meu "test drive", se não gostam, podem detonar! A polêmica é que mantem acesa a chama revolucionária e nós estamos aqui é pra isto mesmo: pra abalar as estruturas!
Um abraço,
Joao Liberato

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