Edgard Navarro é, como Luiz Rosenberg Fo., um desses rebentos dos anos 1960 que deixou o melhor de si para a maturidade. Passados os arroubos de iconoclastia da rebelde juventude, é como se Navarro se entregasse a uma introspecção mais suave, embora nunca conformista.
Seu acerto de contas com a ditadura veio em forma de fábula, de história narrada na tradição oral. Foi “O Homem que Não Dormiaâ€.
“Abaixo a Gravidade†é trabalho de outra ordem. É da Bahia que se trata, aparentemente. E a Bahia é o território onde vigora o misticismo afro-brasileiro de onde vêm religiões que a tradição cristã ortodoxa tem na conta de primitiva. Nesse tipo de misticismo, os deuses não estão distantes dos homens, mas entre nós. Cada entidade representa aspectos de nossa existência terrena, como que a replica e orienta.
Como na religião grega, me explicou certa vez o músico Dante Pignatari. Um belo tabefe no racionalismo ocidental (que me guia, admito). É preciso passar por aà para entender um pouco da Bahia —onde essas religiões são dominantes e presentes no cotidiano— e desfrutar do novo filme de Edgard Navarro.
Um pouco da história? Ok. O velho Bené (Everaldo Pontes) vive numa pequena cidade do interior, onde funciona como curandeiro e amparo psÃquico para os males da vizinhança. Lá ele recebe a jovem e bela LetÃcia (Rita Carelli), grávida. Depois que ela tem o filho, ele decide acompanhá-la a Salvador. Está de certa forma apaixonado, mas se desilude ao notar que o lance dela é outro. Fonte: Folha de S. Paulo
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