Nessa quinta-feira, 25, aconteceu a comissão extraordinária de direitos humanos e minorias no fim da tarde na Praça Rosa (antiga Roosevelt). Jovens, adultos, empresários recém-saÃdos do expediente, crianças, jornalistas, gays, héteros, “curiososâ€, todos se encontraram no local para protestar contra Marco Feliciano presidindo a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, exercer o seu papel de cidadão e reivindicar um paÃs mais justo, igualitário, onde as pessoas possam (e devam!) sim tomar conta dos espaços públicos para expressar suas opiniões e mudar a realidade ao seu redor.
“Já participei de eventos anteriores aqui na praça, acompanho o que ocorre no Senado, gosto muito do deputado Jean, confio na opinião dele e vim com o meu filho de cinco anos para protestarâ€, contou Larissa Zylbersztajn, 36 anos, microempresária. Ela também confidenciou que antes de comparecer ao evento explicou ao pequeno o motivo de irem à praça. “Falei que as pessoas estavam se reunindo para tentar tirar um homem mau do poder e colocar alguém do bem. Meu filho me respondeu: - mas e se a pessoa que entrar no lugar se tornar má? Fiquei chocada com a inteligência dele e até comecei a refletir ainda maisâ€.
No meio da multidão, quem não passava despercebida, era Paulette Pink, draqqueen que carregava um frango de plástico e dizia que era para o feliciano “soltar as frangasâ€. Um amigo lhe falou do evento e ela – que não costuma frequentar a parada gay – ficou inconformada – de uma causa tão importante – ser apoiada por muito menos gente. “Quero pedir para o Feliciano deixar a gente ter felicidade também – como a que ele tem no nomeâ€, brincou Paulette. “Eu represento uma personagem, esse meu jeito de vestir é o condutor de minhas ideias. Eu sempre fui muito reprimida por ser homossexual e depois ter feito a cirurgia de mudança de sexo. Drag queen também tem direito de opinião e eu gosto de exprimi-la de forma lúdica e quero alguém de mente aberta me representando na polÃticaâ€.
Presidindo a comissão, Laerte Coutinho, abordou um tema muito interessante e polêmico: querem “tirar†o direito de quem não quer ter religião, dos ateus. Isso poderia acontecer em um Estado dito laico? Segundo Marcelo Gil da ONG-ABCD's o termo “pecaminoso†está cada vez mais recorrente em nosso vocabulário. Independentemente do nome dado ao Deus de cada religião, Ele sempre costuma pregar o amor ao próximo, diferentemente, dos “falsos profetas†que usam o santo nome em vão. Marcelo ainda levantou uma questão interessante: quantos diretores de empresas multinacionais gays assumidos nós temos? Eu não conheço nenhum. Se você conhece, me apresente que eu terei um enorme prazer em conhecer uma exceção. Isso mesmo! Ex-ce-ção. Infelizmente. Mas vamos mudar isso? É possÃvel. Saindo do ativismo de poltrona e indo para as ruas, compartilhando as ideias nas redes e tentando mudar a realidade mesmo. I-de-a-lis-mo. Vamos voltar a tê-lo? É essencial.
Representando os homens, brancos e heterossexuais, estava o Bruno Torturra, um dos organizadores do movimento “Existe amor em SP?†– que questionou sobre o fato de todos sermos minoria quando somos divididos por rótulos. “Acho muito curioso que os direitos humanos estejam restritos a uma comissão se são eles que dão sentido ao Estado. É preciso mais amor ao próximoâ€, afirmou.
É preciso enfrentar essa onda reacionária que tenta suprimir os direitos humanos – indispensáveis a todos nós. “Não sou a favor ao ódio a nenhum grupo. Nunca devemos vetar a participação de ninguém ao debate. Devemos dizer sim ao Estado laicoâ€, disse Jean Paulo da Ong Conectas.
Uma das histórias mais emocionantes da noite ficou por conta da Ãndia SamyKalapalo que contou um pouco dos massacres sofridos pelas aldeias indÃgenas e que tem lutado com parentes GuaranÃKaiowá no Mato Grosso do Sul, pois fazendeiros compram pistoleiros para matar Ãndios que estão em defesa de suas terras. Ela também relatou o caso da Aldeia Maracanã que pertencia aos indÃgenas há um século e tinha sido doada pelo governo do Rio de Janeiro. Com a Copa do Mundo, está sendo ameaçada de demolição, eles foram expulsos, o governo falou que agiu de “boa-féâ€. Como assim boa-fé? Deixando-os desalojados? “Estamos apenas lutando pelo nosso espaço dentro do nosso próprio paÃsâ€, disse Samy. “Ainda temos esperança de que as coisas melhorem para nós mesmo que mulheres indÃgenas estejam sendo traficadas por vinte reais e as nossas crianças estejam sendo estupradas e queimadas vivasâ€, relata emocionada. Ela ainda fala do assistencialismo a quais algumas aldeias se submetem. Igrejas evangélicas oferecem ajuda financeira e alimentos para os Ãndios em troca de doutrinação e – em vez de passarem fome e dificuldades – eles se submetem a uma religião que não é a que eles acreditam.
O deputado Jean Wyllis resume o encontro na praça: “aqui a sociedade se viu organizada contra o retrocesso, contra a homofobia, contra o racismo, contra todos os “Felicianos†da vida, apesar da democracia limitada – em especial – pelo monopólio de alguns meios de comunicaçãoâ€.
Luta. Luta pelos direitos civis. Fazer a diferença. Ir às ruas. Fazer-se ouvir. Exprimir opinião. Acreditar. Sonhar junto. Ir à luta. União pelos direitos humanos e das minorias e por alguém que nos represente da forma que nós merecemos!
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!