Para estimular o folião independente e anônimo a dar vazão à sua criatividade e revitalizar o carnaval, foi criado há cinco anos o Folia na Gameleira - carnaval como antigamente, um evento que mistura durante a temporada carnavalesca foliões de diversos bairros da capital. O abre-alas do Folia da Gameleira 2006 acontece hoje com a apresentação do Grupo Marujos da Alegria, blocos da terceira idade, e os personagens colombina, pierrot e arlequim. Dando inÃcio à folia, bandas sobem ao palco armado no Calçadão da Gameleira.
No Acre, embalados pelo das marchinhas, o carnaval de antigamente tomava as ruas de Rio Branco e os salões dos clubes recreativos. Um dos mais tradicionais era o da Sociedade Recreativa Tentamen, onde os bailes eram animados por componentes da banda da extinta Guarda Territorial. ?Nessa época surgiram os cordões, as sociedades carnavalescas, blocos, ranchos e outros grupos de foliões que saÃam à s ruas para brincar e cantar quadrinhas anônimas, ao ritmo de instrumentos de sopro e percussão?, rememora o empresário Edvaldo Silva, antigo folião do Segundo Distrito.
Outros eventos que marcavam o perÃodo pré-carnavalesco eram as batalhas de confetes. ?As batalhas eram promovidas por iniciativa particular custeadas por comerciantes e pela própria população e chegavam a certa competição para exceder em organização e animação as iniciativas rivais. Aconteciam em frente ao Palácio Rio Branco?, diz Helena Coelho, assÃdua freqüentadora do carnaval de rua e dos bailes em clubes.
Os bailes mais tradicionais eram realizados no Rio Branco Futebol Clube e Tentamen. Um dos blocos mais famosos que costumavam freqüentar os bailes carnavalescos era o Os 13, que abrigava foliões das famÃlias tradicionais de Rio Branco. ?Esse bloco saÃa do clube Rio Branco em ?via-sacra? pelos outros clubes da capital, como a Tentamen. Havia uma integração entre os brincantes e tudo corria na maior paz mesmo diante das diferenças polÃticas e partidárias?, conta a professora Lúcia Arruda.
A festa popular tomava conta das ruas, como a 1º de Maio, com os blocos, entre eles o famoso Chiquita Bacana, composto por moças da sociedade acreana. As fantasias variavam entre odaliscas, hindus, indianas, árabes, tirolesas, ciganas, Ãndias e outras.
Marujos do rio Acre
Tradição popular, o grupo Marujos da Alegria participa do carnaval de Rio Branco há cinco anos. Durante a quina carnavalesca o batelão (barco tÃpico da Amazônia) cruza o rio Acre e atraca no Calçadão da Gameleira, centro histórico, situado no Segundo Distrito, lugar onde a cidade de Rio Branco teve inÃcio, trazendo à bordo os 58 tripulantes, e abrindo o Folia da Gameleira. O grupo é formado por moradores dos seguintes bairros de Rio Branco: Calafate, Bahia, Nova Esperança, Tucumã e Tangará. Os ensaios já estão acontecendo três vezes por semana, na quadra da escola Henrique Lima, no bairro Calafate.
A marujada surgiu no Acre na década de 40, no municÃpio de Cruzeiro do Sul, o segundo maior do Estado. O responsável pela introdução da manifestação popular no Alto Juruá foi o amazonense Oswaldo Galego. Aldenor da Costa, Chico do Bruno e Francisco Ferreira, que atuaram na manifestação popular ao lado de Oswaldo Galego, são hoje os mais profundos conhecedores no assunto. Lendas vivas, eles atuam como grande fonte de inspiração para as novas gerações do Marujos da Alegria.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!