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O samba na flauta do estivador Claudio Camunguelo

foto: Paulo Barbosa
1
Mansur · Rio de Janeiro, RJ
14/1/2009 · 263 · 36
 

Vi Claudio Camunguelo pela primeira vez na Lapa, quando eu morava na ladeira de Santa Teresa em 2001, a ladeira aonde se chega pela escada do Selaron (artista plástico chileno que espontaneamente "decora" a Lapa com sua arte singular), ele dava uma canja com sua flauta transversa sofisticada e intuitiva num boteco, acompanhado por uma "porrinhola eletrônica" que fazia um ritmo "tipo samba japonês" e um violão com harmonias erradas e execução bêbada.

Chamou-me muito a atenção, principalmente porque ele tocava com desenvoltura de quem estava muito bem acompanhado, fiquei curtindo por algum tempo, alheio ao caos da Rua Silveira Martins, aquela personagem de boina tipo italiana improvisando muito originalmente como se estivesse numa bela casa de shows em qualquer lugar do mundo, eu realmente não tinha idéia de sua importância, mas enxerguei a luz que ele emitia no meio da confusão.

Depois de alguns anos, talvez três, fui chamado pela jovem cineasta Karen Ackerman para fazer desenho de som em um curta- metragem dirigido por ela intitulado São Jorge de Camunguelo e lá estava ele protagonizando um documentário sobre ele e sobre a festa que promovia todo ano, religiosamente, no dia de São Jorge. Era uma festa sacra umbandista: ritual religioso, muito samba, chorinho, muita cerveja, muita cachaça, feijão carregado, fogos de artifício e alegria.

No dia de estréia do curta-metragem no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), não foi. Muito infelizmente para a diretora que na breve apresentação do filme transpareceu sua decepção, mas tal ausência era previsível para quem conhecia a personagem.

Através desse filme a diretora Karen Ackerman apresentou-o em várias situações: cozinhando, comprando cerveja, organizando a festa (ao seu modo), cantando seus sambas, tocando flauta, caindo de bêbado e cansaço, versando no partido alto, ressuscitando da bebedeira e por fim contando uma história incrível (que não me recordo inteiramente) de como havia certa vez perdido sua flauta e a recuperado de maneira inusitada, com nuances de “coincidências metafísicas”.

Depois do filme o encontrei várias vezes em variadas situações, muitas delas em sambas de mesa pelo Rio, onde marcava incrível presença com suas interpretações sincopadas de musicalidade extremamente consciente. Ele era essencialmente um sambista, mas havia ali um músico experiente que conhecia bem os mistérios, não só do samba, mas da música também e isso era notável.

Com seu carisma sempre levantava e alegrava a roda cantando, tocando flauta e regendo o “regional” com a indefectível expressão inicial dirigida aos músicos acompanhantes: – sem corrimento... (que tinha o intuito de alertá-los para não acelerarem o ritmo, o que também demonstra sua consciência e rigor musical). Camunguelo era simpático e alegre.

Sua maneira de cantar e "dividir" sempre improvisando ritmicamente e reinventando a música era obviamente influenciada pela experiência como flautista e a despeito de ser uma característica geral dos intérpretes do samba re-ritmar a música e improvisar ele fazia isso com uma desenvoltura absolutamente autêntica e genial.

No choro era versado, apesar de ser autodidata e não ler partitura tinha o respeito dos grandes como Silvério Pontes e Zé da Velha. Silvério pode ser visto no filme participando ativamente da festa de Camunguelo e numa prosa informal hilária sobre afinação de instrumentos de sopro.

Das muitas vezes que nos encontramos, as que mais me marcaram foram na casa do nosso amigo comum Carlos Pedreira, empresário baiano e grande anfitrião que promove festas em sua casa com a presença de muitos sambistas e músicos em geral.

Numa dessas festas estávamos já bem alegres com o desenrolar da madrugada e pelas fartas doses de “tudo” que encontrávamos pela frente e então toquei uma composição de minha autoria chamada Santa Teresa. Para a minha extrema alegria ele adorou, mas me contive por estar em sua presença e ocultar estrategicamente minha condição de fã absoluto. Ele empolgado criou uma introdução para a música que hoje em dia eu incorporei a composição.

Eu conhecia sua condição de estivador profissional aposentado e quando apertei sua mão enorme, pesada e calejada me despedindo disse -isso é mão da estiva profissional...ele se surpreendeu e me olhou fundo nos olhos respondendo contente com o meu respeito - isso é coisa muito séria...tenho muito orgulho...

Na mesma noite me deu seu telefone e me intimou - Mansur...quando quiser me liga...vou te levar pra tocar num boteco ali em Vila Isabel...voce leva sua nega...eu levo a minha...e a gente vai tocar a noite inteira, beber, comer e não vai pagar nada...me fez esse convite como quem convida alguém pra dar uma volta no paraíso...

Nota de falecimento do jornal “O Globo” do dia 26/12/2007:

O sambista, flautista e compositor Claudio Lopes dos Santos, mais conhecido como Cláudio Camunguelo, 61 anos, morreu vítima de complicações causadas por diabetes na tarde de segunda-feira (24), no Rio.Ele estava na casa da namorada quando passou mal e foi levado para o posto de atendimento médico de Irajá, subúrbio do Rio, às 8h da manhã. No começo da tarde, ele entrou em coma e faleceu, segundo informações de Carlos Muller, um dos melhores amigos do artista.O compositor era Portela de coração.

Autodidata, começou a trabalhar com música ainda jovem e aos 16 anos já estava compondo. Mesmo sem saber ler partitura, ele iniciou-se na música gravando jingles para a Rádio Nacional. Com essa mesma idade ele conheceu Zeca Pagodinho, um dos seus grandes parceiros. Suas músicas foram gravadas por intérpretes como Elza Soares e o Grupo Fundo de Quintal, fãs do trabalho de Camunguelo, que recebeu o apelido de outro grande bamba: Arlindo Cruz.

Freqüentador do bloco Cacique de Ramos, no subúrbio, onde foram revelados grandes nomes do samba, Camunguelo tinha acabado de gravar um CD com músicas de samba e choro. O trabalho foi patrocinado pelo parceiro Zeca Pagodinho e está em fase de finalização.
O sambista foi enterrado às 16h desta terça-feira (25) no Cemitério de Irajá, no subúrbio do Rio.

Camunguelo era admirado nas rodas por interpretar um samba de Jorge Carioquinha intitulado Meu Gurufim que diz:

Eu vou fingir que morri
Pra ver quem vai chorar por mim
E quem vai ficar gargalhando no meu gurufim

Quem vai beber minha cachaça
E tomar o meu café
E quem vai ficar paquerando a minha mulher

Quando o caixão chegar
Eu me levanto da mesa
E vou logo apagar
As quatro velas acesas

Eu vou dizer pra minha mãe
Não chora
Amigo a gente vê é nessa hora


Acho que Camunguelo fingiu que morreu...

Camunguelo no jongo

Camunguelo no choro

Camunguelo no DVD de Arlindo Cruz cantando Mulata Beleza e Meu Gurufim com Dudu Nobre e Arlindo

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graça grauna
 

maravilha!!!

graça grauna · Recife, PE 11/1/2009 23:18
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Miguens
 

Lindo o texto, e mais bonito ainda:
as mãos do Camunguelo.

Miguens · Rio de Janeiro, RJ 13/1/2009 14:22
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Benny Franklin
 

Excepcional trabalho, Mansur
Abçs.

Benny Franklin · Belém, PA 13/1/2009 15:44
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Higor Assis
 

Obra que será lembrada com muita saudade. Não morreu não, esta muito mais vivo, principalmente com esta bela homenagem amigo mansur..

Higor Assis · São Paulo, SP 13/1/2009 15:50
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Andre Luiz Mazzaropi
 

Parabens e Sucesso !!!

Andre Luiz Mazzaropi
O Filho do Jeca
www.andreluizmazzaropi.com.br

Andre Luiz Mazzaropi · Taubaté, SP 13/1/2009 18:31
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Cintia Thome
 

Claudio Camunguelo , um estória e trajeto pela música brilhante e vc fez parte dela, de alguns encontros, mas essa promessa de um encontro que não aconteceu talvez tenha mudado algo em vc, talvez quem sabe resgatar o trabalho dele, algo assim...pois te olhou no fundo dos olhos...isso é bacana....
Parabens Mansur por ter conhecido uma pessoa assim, que acrescenta e aqui acrescentou muito...bela homenagem...
ab

Cintia Thome · São Paulo, SP 13/1/2009 19:39
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Andre Pessego
 

É assim que o Brasil vai sendo feito, surge um gigante abaixando-se sobre as próprias pernas encolhidas, para não assustar a ninguém;
É assim que o Brasil vai sendo feito, surge uma pena, um papel, uma vontade e o um descompromisso soltos o autor e a pena vão inserindo o gigante (sem ferocidade alguma) no Capítulo da História, uma História sem ingerência de outra remuneração que não seja o prazer de revelar........
Assim, exatamente assim, li o escrito do Mansur,
Parabens,
abraço
andre

Andre Pessego · São Paulo, SP 14/1/2009 07:10
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Juliaura
 

Lindo escrito de linda trajetória de gente. História da história. Bonito, Mansur.

Juliaura · Porto Alegre, RS 14/1/2009 10:56
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Mansur
 

Obrigado Graça, Miguens, Benny, Higor, Mazzaropi, Cintia.
Pessego especialmente, é assim que o Brasil vai sendo feito...a história dos estivadores da praça Mauá é marcante...eu não sou historiador, mas sei de Aniceto do Império (primeiro presidente do sindicato dos estivadores) e sei que a escola de samba Império Serrano foi criada com capital do sindicato...Camunguelo é dessa turma e assim o Brasil vai sendo feito...

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 11:01
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FILIPE MAMEDE
 

Bela homenagem Mansur. Parece que os homens grandiosos são sempre os mais simples...

Um abraço.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 14/1/2009 11:02
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joao xavi
 

acho inrcrível como é comum esta condição de pessoas que são artistas fantásticos e acumulam outras profissões.

imagina uma figura dessas vivendo com dedicação exclusiva pra música? sei não, mas talvez, muitas das vezes, seja mesmo essa dinâmica que molda personalidades artísticas tão diferenciadas.

isso poderia significar a glória, ou o fracasso do estilo, já que a música de alguns destes caras é tão interessante exatamente por ir muito além da simples feitura musical, coisa que qualquer mortal bem estudado pode realizar.

joao xavi · São João de Meriti, RJ 14/1/2009 11:07
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Mansur
 

É realmente indescritível a persona. Vou tentar colocar um link para o filme da Karen, vale a pena conhecer. Ele era espontâneamente engraçado, talentoso e como ele mesmo dizia:
- um otário com sorte! (expressão usada por muitos em contraposição a "malandro", quando abordado o cidadão, por exemplo: - e aí malandragem? Se responde: - malandro não, sou otário com sorte.)

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 11:19
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Raiblue
 

Que história fantástica, Mansur!!!Uma lição pra gente!!
Como o João , acima, falou:imagina se esses artistas autodidatas vivessem de sua arte...de seu dom? Mas vai ver que é isso mesmo que os torna especiais e de um valor que ultrapassa qualquer limite, qualquer técnica, transborda em emoção, porque é a própria alma se comunicando com o mundo!

Parabéns, me emocionou muito!!

um beijo bluecarinhoso
Blue

Raiblue · Salvador, BA 14/1/2009 11:28
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Mansur
 

Xavi, podemos conjecturar como seria se Camunguelo vivesse nos EUA em condições mínimas para gravar seus discos e ter uma carreira regular etc...talvez tivesse gravado vários discos e alcançado a condição de um Albert King, por exemplo...mas é inútil. Camunguelo era estivador, flautista, brasileiro, carioca de Irajá e era o que era por isso tudo...mas de qualquer forma é lamentável que não tenha lançado nem um disco e que não tenha estrelado nenhum grande show com seu nome em "letras itálicas em neón"(bem kitsh mesmo!). Os brasileiros me parecem que têm uma síndrome de baixa auto-estima que se reflete na não-aceitação de artistas como Camunguelo...mas acredito que isso está mudando aos poucos...

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 11:33
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Helena Aragão
 

Oi Mansur, que beleza ver o Camunguelo por aqui por meio das suas histórias com ele! E tudo sem necessidade de efeméride ou nada parecido, apenas a vontade de compartilhar a importância que ele teve pra você e pra música do Rio. Tive a oportunidade de entrevistá-lo algumas vezes. Sempre foi muito divertido e interessante. Estive na casa dele em Vista Alegre, na verdade a garagem de um conjunto habitacional. Nada tirava a alegria e a musicalidade dele. Nem as boas histórias. Abraço, que bom te ver de volta por aqui!

Helena Aragão · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 12:37
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Mansur
 

Obrigado Helena!
Sorte a nossa ter conhecido figura tão singular, não?
Vai preparando aquele feijão preto, eu tô voltando...

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 12:59
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Cacau Amaral
 

Texto muito bom. Parabéns.

Cacau Amaral · Duque de Caxias, RJ 14/1/2009 14:46
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azuirfilho
 

Mansur · Rio de Janeiro (RJ)
O samba na flauta do estivador Claudio Camunguelo
Uma Homenagem merecidíssima a um Artista do Povo.
Um Trabalho extraordinário uma verdadeira viagem num mundo da Cultura que nem todo mundo tem a felicidade de vislumbrar.
No seu texto me deliciei commo se estivesse junto por todos estes lugares.
Até os processos como de realizacáo de filme, ficou muito bem descrito, como uma canja para os náo iniciados, coisa gostosa de ler e de sonhar.
maior orgulho como a nossa gente consegue insurgir com o seu talento e mesmo tudo contra elas se graduam artistas e, quem conhece faz é reverenciar
Que pena náo ser muito melhor que isso pois eles merecem muito mais.
Seu Trabalho é muito rico e tive a felicidade de ir lá longe ver o Dudu Nobre com o Arlindo Cruz e me parece que também a Bete Carvalho.
Foi um sonho. Seu trabalho é muito especial.
Parabéns.
Receba um abraco Amigo.
Nosso sentimento pelo Claudio Camunguelo.
Muito obrigado por ter me convidado.
Náo repare meu micro náo tem til, cedilha e acentos, arrasto de onde posso.

azuirfilho · Campinas, SP 14/1/2009 15:22
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Egeu Laus
 

Totalmente politicamente incorreta, a frase do armador (sim construtor de barcos) Camunguelo também usava no papo normal quando estávamos com pressa: "Sem corrimento, sem corrimento..."

E outra: "sou morador da zona sul... de Irajá"

Obrigado pela lembranca.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 16:26
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Mansur
 

Caros leitores,
muito obrigado pelos elogios ao texto, e vejam que "coincidência overmundiana" nesse texto que está em edição.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 17:40
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Ivette G.M.
 

Mansur, uma matéria de primeiríssima qualidade. Eu não conhecia muito este artista, que você apresenta como um grande artísta. Gostei muito de ver os vídeos, que me possibilitou ouví-lo.
Parabéns Ivette G M

Ivette G.M. · Cotia, SP 14/1/2009 19:26
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markinho
 

oi Mansur!
Que belo texto!
obigado
Markinho

markinho · São Luís, MA 14/1/2009 19:57
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nina araújo
 

Que coisa rica estes personagens que povoam o nosso Rio de tanto talento e tanta gente não sabe...Maravilha! Salve Claudio Camunguelo!

nina araújo · Rio de Janeiro, RJ 14/1/2009 20:04
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joao xavi
 

pois é mansur, a gente pode varar a eternidade viajando em como seria se fosse assim, ou assado.
o fato é que a realidade, como ela se apresenta, tem um lado triste e um lado bonito - que nem o samba e o choro.

não sou, por assim dizer, um estudioso da música. mas pelo que tenho lido por ai a vida dos profissionais da música sempre foi dureza, em qualquer época, em qualquer lugar.
fiquei surpreso em saber que o engenheiro de som responsável pelo clássico "a love supreme" do coltrane, por exemplo, trabalhava fazendo lentes de óculos durante o dia.

de toda essa conversa eu tiro algumas lições. só tenho a agradecer aos nossos tão mal falados tempos, onde a tecnologia digital me permite gravar um disco no aconchego do lar (mesmo num lar sem tanto conforto).

joao xavi · São João de Meriti, RJ 14/1/2009 21:18
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lu almeida
 

Que curiosidade em ouvir mais Camunguelo. Será que ele teve algum trabalho autoral lançado? Ou alguém que tenha feita um álbum especial com suas composições?

lu almeida · Aracaju, SE 15/1/2009 10:32
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Mansur
 

Ele estava com o primeiro CD autoral pronto e tentando negociar com algum selo quando faleceu. Tivemos uma conversa engraçada, ele me disse que tinha recebido uma "proposta indecorosa" de um selo de música brasileira bem famoso, que prefiro não citar. O selo oferecia 20% e faria apenas a tiragem, ou seja, o selo seria detentor de 80% sem investir um tostão na produção, o que realmente é absurdo. Curioso é que esse selo é muito "incensado" hoje em dia e tido como um selo independente de resgate da música brasileira de qualidade, mas pelo visto é um selo independente que age exatamente como as multinacionais agiam, no que tange a trabalhos essencialmente artísticos. Esse CD deve estar sob responsabilidade da sua esposa, acredito eu. Pelo que diz a nota de falecimento a produção foi bancada pelo Zeca Pagodinho. Em algum momento deve ser lançado, se demorar muito vou fazer um abaixo assinado para o Zeca lançar pelo seu selo, que até agora não disse a que veio realmente. O selo Zecapagodiscos lançou apenas um CD/DVD chamado "Cidade do Samba" em 2007 de viés claramente comercial.
- Alo Zeca! Lança o Camunguelo aí pra gente...por favor!!!

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 15/1/2009 13:09
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Mansur
 

Errata: o nome da rua na Lapa é Joaquim Silva.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 15/1/2009 15:10
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Vilorblue
 

Texto completo e primoroso.
Parabéns Mansur.
Votado.

Vilorblue · Colombo, PR 15/1/2009 19:40
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Carioca Samba Show - cesar santos
 

Conheci o Cláudio Camunguelo através da música. Tornei-me rapidamente um fã e amigo do Camunguelo e isto acontecia com a maioria das pessoas que o conhecia. Era uma espécie de amor a primeira vista, pela figura e por sua arte.
Muitas saudades ele deixou e hoje fiquei muito feliz ao encontrar aqui no "overmundo" este belo e merecido destaque para o artista puro, autêntico e competente: Cláudio Camunguelo.
Acho que ele merece ter o seu nome também perpetuado através de uma rua ou avenida. Soará bem como a sua música: Avenida Cláudio Camunguelo, Praça Cládio Camunguelo, sei lá.
Valeu muito e parabéns pelo trabalho maravilhoso da turma do overmundo.

Carioca Samba Show - cesar santos · Rio de Janeiro, RJ 15/1/2009 20:20
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joao xavi
 

relembrei ontem, assistindo por acaso um filme sobre o aniceto do império que ele também foi estivador.
tenho um vizinho que é diretor de harmonia do império e também é da estiva...
será que rolam mais conexões nessa relação samba-estiva?

joao xavi · São João de Meriti, RJ 19/1/2009 10:20
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Egeu Laus
 

João Xavi,
Existem MUITAS ligações entre a estiva e o samba.
A Escola de samba Vizinha Faladeira era praticamente de estivadores. A Império Serrano, idem, o pessoal da Serrinha também.
O Sindicato dos Estivadores contratava seus trabalhadores num local chamado de "Resistência", no Cais, exatamente onde hoje ficam os barracões da escolas. Cheguei a trabalhar como "avulso' por ali há algumas décadas atrás.
A Império Serrano falou do assunto "Resistência" em seu samba de 2001.
A história é longa e se vai mergulhar no tema, se prepare! O mergulho é em águas profundas!
Quem tem muita coisa pesquisada sobre o assunto é o Nei Lopes.
Mas todos os livros sobre samba que saíram nos últimos anos falam sobre isso, mesmo que superficialmente.
Abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 19/1/2009 10:40
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Egeu Laus
 

Só pra começar:
Mano Elói (Elói Antero Dias) foi líder do sindicato dos Estivadores.

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 19/1/2009 10:43
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Mansur
 

Egeu já disse tudo. Há relações profundas. Respira, mergulha e vai fundo.

Mansur · Rio de Janeiro, RJ 19/1/2009 13:00
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Pepê Mattos
 

Bela história, Mansur... Camunguelo é mais um artista que quase morre anônimo não fosse o olhar treinado de uma cineasta e do ouvido apurado do grande Mansur, que nos pôs em contato com essa bela lição de vida... Meu apoio no abaixo-assinado pro ZP dar vida à obra do Camunguelo... Abraços, Mansur...

Pepê Mattos · Macapá, AP 27/1/2009 00:05
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ayruman
 

Oi Mansur. Maravilha de texto.Grande colaboração! Desculpe o tempo rápido... Bom estar aqui apreciando seu belo e necessário trabalho. Excelente texto.
Luz e Paz . jbconrado.

ayruman · Cuiabá, MT 4/2/2009 15:27
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Marcos Paulo Carlito
 

Mansur, seu texto está fodido de bom.

O cara é um fenômeno, como personagem, músico e sambista. Curti muito o choro dele, mas preferiria um encontro casual num buteco qualquer da vida. Infelizmente isso é pra quem tiver sorte.

Nota 10 a colaboração. Du caralho!!!

Marcos Paulo Carlito · , PR 16/2/2009 22:25
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