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O Sapoti, o Gibi e o Guri
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 07:47 · 262 votos · 72 comentários ·  
 
1
overponto
Spírito Santo
Pai Herói, Mãe Coragem e eu Guri
Imagens
Minha tia Corina, minha irmã Virgínia e eu, na primeira casa da vida
O sapoti no pé
O Morcego
O Instituto Lafaiette
Projetor Bell & Howell
Gôndolas venezianas - cartão postal de 1944
Reminiscências escolares

O gosto do Sapoti

Seriam as lembranças da infância um caderno de matérias tatuadas em nossa mente, coloridas e nunca mais esquecidas ou seriam, por outro lado, um frio cárcere de memórias-cicatrizes, tão desprezíveis que, por mais que se tente, não se conseguirá apagar jamais?

O meu primeiro fragmento de lembrança deste tempo, pelo menos de início, até que é doce e bom:

Um sapoti caído do pé numa quente madrugada.

---------------

As frutas caíam no chão de terra do pátio do colégio interno, ainda úmido de orvalho. Eram o prêmio para os mais cedo despertos - e lépidos- primeiros a pular do beliche e correr para fora do alojamento.

Não sei quantas vezes fui o premiado. Do que sei bem é o que ficou em mim daquele amarelo manchado da casca do sapoti, em sua evocação de uma memória-delícia, sinônimo de vitória alcançada, marcada por uma única mácula: Os dentes do morcego que mordiscara a fruta, antes de mim, derrubando-a do pé.

A marca do morcego passou a ser o signo das lembranças mais amargas, de tudo que me lembro de ruim naquele tempo.

Do dia em que entrei no colégio interno pela primeira vez, por exemplo, não lembro quase nada. O morcego mordeu este pedaço. Existe um apagão irremediável nesta parte da história. Tenho deste dia apenas uma vaga e desagradável sensação de ansiedade, que logo virou terror, assim que regressei ao colégio, depois de ter ido, pela primeira vez, visitar a família em casa. Ânsias de vômito, náuseas. Esta é a parte mais doída das lembranças.

A primeira memória nítida que me vem, logo de saída, é a do ponto de bonde onde saltávamos, eu e Geny minha mãe, na Rua Hadoch Lobo, na Tijuca, bem em frente a um importante colégio de ricos e remediados da época: o Instituto Lafaiette.

O prédio do antigo instituto está lá, até hoje, demarcando a geografia de minhas lembranças. Passo sempre pelo local, mas, não consigo encontrar nenhum vestígio do Colégio Vera Cruz (nome oficial da Escola-Prisão) que me parece, ficava mesmo ao lado deste imponente Instituto.

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A primeira idéia, vaga ainda, do que seria uma escola, lugar onde se aprende coisas, foi até mais agradável ainda que o sapoti. O nome já dizia tudo: Jardim de Infância.

Havíamos mudado da casinha velha do bairro de Marechal Hermes que, simples e bela naquela sua arquitetura artesanal, pode ser rememorada pela foto que o soldado José Cyrillo tirou dela, com a máquina Kodak caixote que trouxera da Itália.

O novo bairro foi Campo Grande, na antiga zona rural da capital federal. Foi lá o curto, porém intensamente bem vivido, tempo do Jardim de Infância.

Lembro do cheiro do pano do avental novinho em folha, com as minhas iniciais bordadas a ponto de cruz. Lembro de um chapeuzinho de palha com uma fita (azul ou vermelha?), xadrez, enlaçada no cocoruto. Lembro da folha de um livro de colorir com um pintinho impresso, vazado e sem cor que eu, maravilhado, pintei com o lápis amarelo (soube, imediatamente, ali, no momento em que inseri as virtuais peninhas amarelas naquele pintinho que, de algum modo, ‘desenharia’ coisas pelo resto da vida).

Tomado de paixão pela caixa de lápis de cor, levei para a sala de aula, no dia seguinte, um postal que meu pai trouxera da Itália e copiei, pela primeira vez, algo que saindo dos meus olhos, fixava-se no papel, como mágica.

Incrível descoberta: Aprendi ali que a rabiscada proa, linda e imponente, de uma gôndola veneziana, poderia me dar o poder de contar para os outros, algo sobre a vida do principal herói da ‘minha’ guerra mundial pessoal.

Pena ter sido tão breve a minha estada naquele jardim de prematuras e indeléveis felicidades, minha derradeira escola convencional.

Logo, tudo escureceu quando em 1951, seqüelas do alcoolismo, proveniente talvez do que se chamava na época ‘neurose de guerra’, me levaram o pai e, de roldão, o meu mundinho de criança feliz.

-------------------

... ‘Criança feliz, feliz a cantar
Alegre a embalar, seu sonho infantil
Ó meu bom Jesus, que a todos conduz
Olhai as crianças do nosso Brasil...’


------------------

Não sei porque, nunca mais soube se foi um sonho ou uma miragem a lembrança que marca o começo de tudo na história da primeira escola, depois do Jardim de Infância. Datada, a lembrança que marca o momento preciso de minha ida para a Escola-Prisão, ali por volta dos meus cinco anos de idade, é uma canção insistentemente repetida no rádio.

Desta imagem, fantástica, eu me lembro, como se fosse hoje: Estava gravada no céu azul que encobria o pátio do colégio e foi, certamente, criada em minha cabeça pela visão fortuita da página de jornal de algum inspetor e pelo rádio, que tocava aquela música que para mim ficou, para sempre, associada à uma idéia de tristeza e melancolia.

..’.Crianças com alegria
Qual um bando de andorinhas
Viram Jesus que dizia:
- Vinde a mim as criancinhas...’


Entre um flash e outro da trágica notícia, entremeada com a majestosa voz do falecido cantando, eu ia compreendendo que um tal de Francisco Alves, uma celebridade da época, autor e intérprete daquela canção, havia morrido num acidente automobilístico.

O ano marca por isto, certamente, o início da minha jornada de habitante daquele estranho mundo, engolfado que fui, pelo que soube ser bem mais tarde, uma unidade conveniada do sistema SAM, Serviço de Assistência ao Menor, famigerada instituição criada no segundo governo de Getúlio Vargas para abrigar meninos pobres e órfãos, entre os quais os considerados infratores ou delinqüentes, eram encaminhados para a principal unidade do sistema: A Escola XV (cujo imponente prédio reformado, abriga hoje uma razoável escola pública, no bairro de Quintino, no Rio de Janeiro).

O fato é que, ingenuamente solidário diante das dificuldades de minha mãe viúva, além de influenciado pela foto de uma freira cuidando de um feliz menino - vestindo um paletozinho tweed - no Anuário as Senhoras de 1951, ingressei, pois, em 1952 no Colégio que, logo pude perceber, era uma reles Escola-Prisão, sempre temeroso de, caso cometesse alguma falta – como vi alguns cometerem - ser transferido, para Escola XV, o Presídio-Escola de todos os meus pesadelos.

Esta era – como ainda hoje é, ou muito pior - a lógica crua do sistema de ‘assistência’ às crianças pobres do Brasil.

Fosse a minha infância um tenro sapoti, o SAM seria, com certeza, o mais infame dos morcegos.

--------------

O traço do Gibi

Não sei o que deu nela, na minha mãe, naquela ocasião. O que de bom teria ocorrido naquela época? Será que ganhou a milhar no jogo do bicho? O que mais poderia ocorrer na vida de uma modesta costureira suburbana? Talvez ela tivesse conseguido aquele seu primeiro emprego de costureira profissional, num ‘atelier’ de uma daquelas ‘mademoiselles’ com falso sobrenome francês que, motivadas pela abertura na cidade de elegantes magazines de roupas ‘prontas’, encheram de fabriquetas (confecções) o centro da cidade, criando uma enorme demanda por costureiras, bordadeiras, chuleadeiras, overloquistas, etc.

O que sei é que, na visita daquele dia ela não me levara apenas o modesto farnelzinho, com três ou quatro peras embrulhadas, delicadamente, num papel roxo e o saco da adorável rosquinha de coco marca ‘Seara’. Ela me apareceu desta vez, com uma enorme mala de papelão novinha em folha, forrada internamente, guarnecida com belas cantoneiras pintadas de marrom brilhante, cheia de tudo que ela imaginou que me extasiaria de felicidade.

E quem não se extasiaria com duas latas de leite condensado, muitos sacos de biscoitos sortidos - entre os quais os saborosos Seara’ - peras (e também maçãs) embrulhadas no papel roxinho de sempre, e tantas outras iguarias?

E as muitas revistas de histórias em quadrinhos? E os livros que, apesar de amarelados de tanto terem sido usados, eu - já a esta altura, razoavelmente, alfabetizado - muito apreciava (principalmente, quando eram novelas policiais do Arsène Lupin ou romances, como o inesquecível Robinson Crusoè do Daniel Defoe) livros que eu acho, ela garimpava em sebos do centro da cidade.

Caixa de Pandora que era, aquela mala, quando aberta, revelou-se um portal de mil e um encantamentos, glória absoluta para um menino que necessitava, ardentemente, de uma saída qualquer para um mundo fantástico, um portal através do qual ele pudesse escapar daquela vidinha humilhante de órfão na Escola-Prisão.

Foi como se um mundo inteiro de cores e delícias, encaixotadas naquela mala, explodisse, igualzinho como explode um feliz boneco-palhaço de mola, nos levando do susto à gargalhada, pulando da caixa presenteada, exatamente, para nos fazer sorrir alguma felicidade fortuita.

Finda a visita, levei correndo a mala para o pátio. Onde a guardaria? Não tínhamos ali armários ou qualquer coisa parecida com privacidade, além do colchão imundo e da colcha encardida de nosso beliche.

Andei com aquela mala para baixo e para cima, pelo pátio durante todo o dia, sentando nela entre uma e outra brincadeira. Dormi com ela, transformando-a num duro travesseiro que não atrapalhou, nem um pouco, os meus irrefreáveis bons sonhos de menino rico por um dia.

Foi logo que acordei que decidi guardar a mala naquele vão meio escondido de um corredor do pátio. Naquela minha estúpida inocência de guri, aquele me pareceu um covil bastante seguro.

Gelei quando ouvi a gritaria vindo exatamente do vão do corredor. Corri para a turba que, ao me ver debandou completamente. No chão, a mala saqueada, em frangalhos. Não chorei. Num colégio interno, mesmo tendo apenas oito anos de idade, um homem não chora.

Minha mãe, a partir dali me trouxe muitas e muitas outras revistas e livros. O Trauma da mala no entanto, ainda hoje me acompanha, tremo e tenho sensações de perda irreparável, só de lembrar daquela algazarra ensandecida dos saqueadores.

Os meus sonhos de voar devem ter começado também ali, naquela época da mala. Eram sonhos muito reais. Difícil aceitar que não fossem a mais pura realidade.

Dava um pulo para o alto e levitava um pouco, ainda de pé. Dava outro salto e conseguia me manter flutuando no ar. Subia, alcançava as nuvens e ficava por lá, passeando pelo céu, sentindo o frio gostoso da brisa úmida que transpassava as nuvens. Como continuei a tê-los, por muito tempo, sei que eram claros sonhos-desejo de fuga, sonhos de liberdade.

Assisti a várias fugas reais, mas, nunca tive coragem para fugir. Quando olhava o muro alto tremia de medo e me contentava em ficar imaginando o fugitivo feliz, com a adrenalina a mil, olhando para trás, até o bonde sumir numa esquina. O barulho das rodas do bonde martelando os trilhos ficou sendo para mim, para sempre, o som exato, trilha sonora perfeita daqueles sonhos, quase filmes, sobre Liberdade.

(Memórias e sonhos são mesmo como cinema, alguém já disse)

Assim, como uma lembrança puxa uma outra e, a propósito, me lembrei também do cineminha do colégio, que acontecia, de vez em quando. Os sinais de que haveria filme naqueles dias eram claros: Freiras, peças raras por ali, atravessavam o pátio de tardezinha, rumo ao galpão onde um inspetor montaria mais tarde um velho projetor Bell & Howell 16mm.

E nós ali, com os olhos brilhando como estrelas ou pupilas de gatos na noite.

---------------

A roupa do Guri

Era uma roda com todos os meninos nela, eletrizados com algo que olhavam no chão do pátio.

Me enfiando entre os mais pequenininhos que eu, fui vislumbrando a imagem impressionante de um cawboy rabiscado no chão, com dois enormes revólveres apontados para a assistência muda.

O ‘rabisco’, vestido com botas de cano longo, lenço no pescoço, cinturão de fivela, fumava, displicentemente um cigarro, do qual esvaía uma fumaça mágica, porque nada mais era que um risco na terra seca. Não só a fumaça, tudo havia sido riscado com um imundo e reles palitinho de fósforo, que o orgulhoso e emocionado artista achara por ali mesmo, no chão.

Talvez, não me lembro, tenha me vindo à cabeça nesta hora, a imagem do pintinho do jardim de Infância. O certo é que senti, ali, de novo, o inexplicável prazer, inoculado que fui pelo vício da descoberta, de que se pode sim, contar coisas para os outros, conversar com as pessoas por meio de simples imagens, signos, rabiscos, estas coisas.

Se podia escrever tudo que quiséssemos, sobre o mundo, sobre a vida, apenas com rabiscos, foi o que aprendi naquele pátio feito escola. Grande milagre da vida.

Não sei por quanto tempo o tal menino artista ficou no colégio. Me lembro, contudo, de ter visto muitos outros desenhos dele expostos no chão do pátio. Me lembro, aí sim, bem mais claramente que, pouco tempo depois, chegou a hora de desenhar, eu mesmo, a minha própria obra prima admirável:

Um galeão, copiado de uma imagem do gibi do Fantasma-que-anda, foi o que fiz. Exatamente o galeão da primeira história da série, na qual o primeiro Fantasma, chegava na praia próxima à selva de Bengala, quase morto, depois de ter escapado de um navio de sórdidos piratas, que era visto na gravura, ainda ancorado ao largo.

E lá estava eu, me sentindo o rei de todos os mares da imaginação, olhando não menos emocionado que o meu inspirador, o meu próprio rabisco sendo admirado pela intrigada garotada.

O mais belo e incrível de tudo é que, os desenhos que fazíamos, eu e meu inspirado antecessor (como numa disputa de artistas plásticos emergentes), ficavam intactos no pátio por dias e dias, sem um pisadinha sequer.

O turbilhão e correrias e brincadeiras que fazíamos (entre as quais o violento jogo da Carniça predominava) ocorriam ao largo dos desenhos que iam se apagando e esmaecendo apenas com o tempo, lentamente, soprados por alguma leve brisa de fim de tarde ou alguma garoa.

Era como se o pátio fosse o sagrado museu a céu aberto da nossa emocionada - e quase inacreditável - iconografia infantil.

---------------

O ansiado dia de visitar a família em casa (sempre num sábado do mês), era um tormento sem tamanho porque, nunca sabíamos que hora a inspetora gritaria o nosso nome, com um embrulho de papel com a nossa roupa ‘civil’ na mão, Ficávamos amontoados em frente ao portão entreaberto, tentando ver se alguém da família aparecia na fresta. É que tínhamos medo, pânico mesmo de, num dia destes acontecer de ninguém da família aparecer.

A roupa ‘de sair’, quando voltávamos no fim do Domingo, era deixada na portaria e levada com a nossa mãe para casa. O pacote de roupa ‘da rua’ era muito ansiado também porque não tínhamos nenhuma roupa sobressalente para usar no colégio.

O macacão de brim azul, ficava imundo em poucos dias de uso. Não teríamos outro por meses a fio. O melhor era cuidar para que ele não ficasse muito puído e rasgasse no joelho (coisa quase impossível de não acontecer). Dormíamos e acordávamos com aquele macacão surrado, nojento, que só tirávamos para tomar banho.

Éramos organizados em bandos de quatro a cinco meninos. Tínhamos, como os presidiários adultos, números por meio dos quais éramos identificados no colégio, até que um apelido mais específico nos fosse aplicado. A eleição de um líder se dava por meio de disputas físicas ou mesmo por intermédio de ações aceitas como demonstração de heroísmo explícito.

O líder de meu grupo era o ‘Leiteiro’ (por ser cor de leite, um dos raros brancos da Escola-Prisão) que foi alçado a função depois de ter prometido (e cumprido) engulir mais de dez botões de roupa no espaço de um mês. Assumiu a chefia de nosso ‘bando’ assim que retornou da enfermaria depois de comer 32 botões.

Cada um de nós tinha a sua escova de dentes que era, cuidadosamente, afiada em alguma superfície cimentada, para fazer as vezes de arma, de estoque.

Assisti a diversos embates no pátio. Cercávamos os dois brigões numa roda compacta e incitávamos, um contra o outro, doidos para ver o sangue correr. As brigas eram à socos, pontapés e estrangulamentos, violência pura e franca como a de animais em disputa por território ou comida. Quando um dos dois era atingido gravemente pelo outro, com um golpe mais certeiro e sangrava (geralmente no nariz), gritávamos, ensandecidos, a senha que declarava a luta por encerrada, com a consagração do vencedor:

_’Tirou melado! Tirou melado!’

Outra imagem bem vívida destes primeiros anos, era a da garotada formada no pátio, ao cair da tarde, ao lado do alojamento onde dormíamos. A 'formatura' era rígida e marcial, com gritos de ordem unida que hoje soariam ridículos quando consideramos que nós, os internos, não passávamos de uma medíocre tropa de menininhos magricelas, com idade entre os cinco e os quinze anos. Contudo, cumpríamos as ordens, mesmo detestando, nos sentindo compulsórios soldados reais.

_ Pelotão...Sentido!
_ Cobrir!
_Descansar!
-Ordinário...Marche!


Para mim, pensando bem, até que a 'formatura' não era assim tão ridícula porque, logo depois da ordem unida, o clima ficava diferente, agradável mesmo, por causa das músicas que cantávamos.

O repertório era, a princípio, aquele, formalmente, utilizado em todas as escolas da época, hinos cívicos tradicionais,''qual-cisne-branco-que-em-noite-de-lua,‘já-podeis-da-pátria-filhos’. Mas, o prazer maior chegava na hora em que, entre contritos e embevecidos, entoávamos aquelas dolentes canções ‘indígenas’ de Heitor Villa Lobos. Dormíamos bem, como anjos, nos dias em que cantávamos Villa Lobos, naquela semi escuridão do pátio ao anoitecer.

Ninguém nunca nos perguntou porque ficávamos tão emocionados, principalmente, com aquela canção, da qual eu me lembro bem até hoje, que falava de um tal de Anhangá que fugiu:

...Ó manhã de sol! Anhangá fugiu!
Anhangá! Hê!Hê !
Ah! Ah! Foi você
quem me fez sonhar...’


--------------

Não que tenha esquecido, mas, pouco me lembro de professores. Pelo que recordo, praticamente não os tínhamos. Me recordo vagamente das aulas em que fui alfabetizado, do cheiro de massa de modelar levada, uma única vez, por uma diligente professora e só.

Nossa referência ‘educacional’ eram os chamados ‘inspetores’, figuras musculosas, com as camisas de mangas curtas arregaçadas, para mostrar a nós, esquálidos meninos, a ameaçadora desproporção entre seus bíceps e nossos bracinhos finos como gravetos.

Os inspetores homens (haviam entre eles algumas poucas mulheres) eram, pelo aspecto, jovens policiais, praticantes de luta livre e Jiu Jitsu. Lembro de dois deles. Um que usava uma vareta dura de madeira (como uma batuta de maestro) com a qual fustigava as costas e as pernas dos meninos ‘indisciplinados’ e outro que, ironicamente, usava uma grande régua de madeira, com a qual gostava de acertar o vão das orelhas dos rebeldes incorrigíveis. Verdadeiros ‘desensinadores’ que eram, usavam a régua com truculência ‘educativa’, como método pedagógico’ mesmo. Boçais como a sociedade que os criara. Que Deus os tenha.

É deles, dos carcereiros-inspetores da Escola-Prisão, a penúltima imagem que me ficou na memória, não por acaso, a mais constrangedora:

Numa formatura silenciosa, sem jantar, sem ordem unida, sem música de Villa Lobos, sem hinos cívicos, sem nada, ficamos perfilados noite adentro, por cerca de quatro horas, com os braços direitos estendidos, com as mãos espalmadas, pousadas no ombro do colega da frente. Aqueles que, não resistindo à dor, deixavam o braço pender para baixo, recebiam golpes da vara que os inspetores ainda neste tempo, portavam como instrumento de poder e coação.

A intenção deles com a tortura coletiva era clara: Alguém teria que denunciar quem entre nós, havia feito uma das denúncias que haviam vazado para fora do colégio, engrossando o que hoje imagino ter sido uma grave crise no sistema SAM que, ali por volta de 1959, parecia prestes a ruir com novas denúncias sobre bárbaras torturas na Escola XV.

Dos motivos sabíamos alguns poucos detalhes. Havíamos sido, rapidamente, transferidos da Tijuca para um bairro distante do centro (se não me engano, Jacarepaguá). A comida, de resto sempre ruim, estava agora intragável. Dias antes, alguns meninos haviam baixado enfermaria, depois de ingerirem carne estragada. As mães, alarmadas pelas notícias que, ao que parece, já haviam saído na imprensa, passaram a deixar algumas moedas conosco, com as quais comprávamos algo para enganar a fome, bolos, balas, laranjas, através do portão principal.

Na visita seguinte, faminto como todos os outros, decidi confessar a minha mãe que não dava mais para ficar ali.

É esta decisão que deflagra então a nossa última memória que, como se fosse uma volta simbólica ao Jardim de Infância, é a minha lembrança mais querida:

O bonde, a cortininha de lona levantada, o trajeto arborizado por entre as ruas da Tijuca. A música bem ritmada dos trechos de trilhos percorridos, exatamente, a mesma música da fuga dos outros.

Música dura e com faíscas eletrizantes. O ferro da roda do bonde atritando o ferro de memórias que, agora que foram contadas, explodidas para fora da mala, caixa de Pandora aberta que era, não podem mais ser apagadas por ninguém.

Minha honra e meu mérito escolares foram, portanto, muito mais do que ter permanecido lá, ter ali compreendido que a rota de fuga para a liberdade, era a única matéria que realmente merecia ser aprendida.

Escapar íntegro da Escola-Prisão e ter espantado os morcegos da minha vida, entre todos, é o meu único diploma válido, exposto com orgulho na lousa destas minhas remotas memórias, para sempre felizes por serem, eternamente, infantis.

Spírito Santo
Fevereiro 2008

tags: Rio de Janeiro RJ cultura-e-sociedade reminiscencias-de-escola sam funabem getulio-vargas villa-lobos francisco-alves infancia-abandonada decada-de-50 sapoti morcego segunda-guerra-mundial costureira


 
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Querido Spirito:

Pde até parecer estupidez, diante do seu postado, mas me sinto agraciado por tê-lo levado a cometê-lo, isto é, sinto-me uma pessoa melhor, por tê-lo induzido a ralar o coração e produzir este desabafo que imagino o quanto custou a vc concretizar, muito embora acredite que se encontre de alma lavada. Chorei ao lê-lo! Ainda correm lágrimas dos meus olhos, mas francamente, são lágrimas de felicidade. Hoje mesmo pensava em editar o meu perfil dizendo "Sou a melhor pessoa que pude ser, dados os valores, totalmente desumanizados da sociedade em que vivemos". Chorei´porque me sinto uma pessoa melhor ao ler o seu postado. Uma pessoa mais feliz por tê-lo conhecido. Te amo!
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 17/2/2008 20:13 
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Joca,

Por mais incrível que pareça, não chorei ao escrever. Chorei só agora.
Obrigado Amigo, por ter me induzido a matar o morcego para sempre.

Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 17/2/2008 20:52 
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Spirito, chorei durante toda a leitura. Pelo desabar inicial da infância e pela impotência do menino que você foi, preso.
(Os montros, ah! os monstros, quando deixarão de existir?).

Essas mínimas alegrias, que cristalizaram seu destino de escritor, músico, encantador de almas, são tão comoventes! Quase senti junto com você, o "raio" ao ver aqueles desenhos no chão, a gôndola de se libertar em transitória (e, no entanto, longa) existência, lembrando-o das viagens possíveis. E você as concretizou todas, imagino, por meio da arte.
Estou muito emocionada! Por isso, permita-me dizer, como Joca, que amo o menino que você foi e admiro imensamente o homem que se tornou, vencedor de todos os morcegos.

beijos
Saramar · Goiânia (GO) · 18/2/2008 06:23 
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Querido Spírito:
Por favor, não se esqueça da tag comum reminiscencias-de-escola
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 18/2/2008 06:33 
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Joca,

Incrível! É de arrepiar. Haja coração. Nem tive coragem ainda de perguntar ao Nato e o irmão dele, mas, só agora me dou conta, envolto ainda pela história que acabei de escrever, que o nome de um personagem da minha história no SAM era um branco chamado de 'Leiteiro' (!!!), exatamente, o memso apelido do irmão do Nato que, também esteve num reformatório do SAM no fim da década de 60.
Seria uma coincidência quase mística.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 10:07 
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Tudo sobre o Canto do Pagé ('Anhangá fugiu') Villa Lobos, educação musical como política pública, canto orfeônico e que mais se queira sobre o assunto, está neste link que abrirá outros links no Google.
Divirtam-se


Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 10:45 
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Outra coincidência que encontro agora e que seria um gancho a mais para o meu texto.
Está num destes links que assinalei acima:
" Anhangá - do tupi-guarani, "anhang", significando: ang - ALMA, nhã - CORRER; ou seja, "uma alma que corre". O Anhangá é portanto, um espírito, e como tal, "invisível", que vive e corre nas matas, protegendo os animais e seus filhotes.
Que coisa doida, né?
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 10:48 
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Veja o que encontrei lá, por exemplo:

"Parte da obra de Heitor Villa-Lobos, apontado como um dos maiores senão o maior compositor brasileiro de todos os tempos, foi colocada a serviço da política, mais precisamente do governo Getúlio Vargas. Durante 15 anos, inclusive no Estado Novo, o artista usou o seu talento para construir um programa de educação musical visceralmente ligado aos interesses do regime. Mas não se tratou apenas de cooptação. Villa-Lobos também tirou proveito dessa ligação com o poder para divulgar a sua música e fundar as bases para a mitificação do seu nome. A faceta pouco conhecida da carreira do autor de “Bachianas Brasileiras” emerge na dissertação de mestrado de Analía Cherñavsky, defendida junto ao Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp.


Intitulado “Um maestro no gabinete: Música e Política no tempo de Villa-Lobos”, o trabalho de Analía faz um resgate minucioso da atuação do compositor como servidor público. Sua capacidade e talento, revela a pesquisa, serviram a um plano de educação cívico-artísco baseado em princípios derivados de uma vertente do nacionalismo musical filiada ao movimento modernista. O primeiro contato do artista com a política ocorreu no início da década de 30, quando apresentou um programa de educação musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo."




Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 18/2/2008 10:56 
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Spírito Santo,
Também levado como tu pela tenaz inciativa editorial do Joca, tenaz e terna, diga-se em honra ao mérito, leio tua infância dolorida como lê a Saramar, que, mestra e flor de meiguice, sabe o que é um aluno feliz, ou mesmo só aluno, que tive a felicidade de ser, de professoras que bem nos queriam, como a maioria nos quis e quer.
Chorar é coisa para manteiga derretida (por isso estou aqui aos prantos quase convulsos a te aplaudir).
É um morcego a menos na existência, embora os bichinhos sejam medonhos apenas enquanto a sombra do mal, que na natureza têm eles sua graciosa função, também de semear, principalmente os frugívoros, que dos carnívoros, mesmo eu tenho arrepios ina hoje.
Então, menos uma sombra do mal.
E não um mal idealizado, mas concreto, vivido ao extremo imposto por uma classe a outra, aos de baixo, como remédio para os males dela mesma que é a exploração do trablho alheio para apropriação privada.
Inda bem que te restaram as sapotis, que aos lenhadores da Renânia, como bem observou o filósofo no milênio passado, sequer a rama seca, os gravetos, era permitido juntar.
O humano em ti venceu.
Tens uma história e tanto para contar a tua recém nascida netinha quando ela fizer os 16 anos, que terás muita saúde até lá e além por longa e criativa vida, meu camarada.
Um beijo no teu coração. Um terno abraço de irmão.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 18/2/2008 11:13 
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Querido Spirito:
Falando pelo lado Editor, perguntar não ofende: ainda existe, materialmente, em seu poder, o "Anuário das Senhoras",de 1951?
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 18/2/2008 11:19 
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JOca,

Não há nenhum exemplar comigo. Nunca os tive. Achei duas páginas do de 1953 na Internet mesmo.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 11:36 
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Spírito querido, que aventura trágica o teu combate infantil contra as maldades do mundo. Inda vivo e com saúde, nos dá esse exemplo de que, escampando do SAM, em 1952, e da Adutora do Guandu, meninos e mesmo jovens e adultos, que meninas é depois da Ditadura que deixam cair na rua, vencem todas as sombras do mal, seja as representadas por morcegos ou corvos. Vovó Marinalva diz de um modo lacrimoso e sofrido, aqui pertinho, que uns mendigos foram jogados na adutora por um governador da Guanabara que tava faxinando as ruas pra embelezar pros turistas. Puta visão econômica estratégica. hoje, os mendigos passam na avenida e os turistas aplaudem em 100 países. Imagina se tua mamãe não te resgata na marra, e não escapas de lá, quem iria cuidar dos brasilinos e brasiliazinhas aí do musiquifabriqui teu... hein?
O texto teu é sempre uma aula de figuras de palavras e objetividade, uma paradoxo que eu vou pegar pra mim, que ajuda um bolão no estilo. Porque é também disso que se tratam as memórias aqui, são peças de arte que devam ser.
E atua é uma obra-prima. Entre as mais mais, sincera e comedidamente eu penso.

(Nem vou uivar de prazer... eu não me sofro, ai,ai, ai)

Beijin.
Juliaura · Porto Alegre (RS) · 18/2/2008 11:45 
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Spirito,

Minha admiração e respeito. Conta de modo tão comovente sua história de menino guerreiro que passou um filme na minha cabeça. Grande roteirista, escritor, antropólogo, o que você quizer ser, será! Emocionou-me da mesma maneira de quando lí o "caçador de Pipas".
Salve Spirito!
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 12:25 
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É uma COICEdência, apesar de que no SAM nós, eu e meu irmão fomos uma Sombra com corpo. Não falamos com ninguém, e também não fugimos apesar de o grande portão ficar sempre aberto. Terror mesmo foi quando mudamos para a provavel Escola XV. Meu irmão jura que ela era atras da Quinta da Boa Vista, pois o pequeno quintal gradeado, diz ele que via os animais soltos. Não me lembro! Agora a do Leiteiro é dose pra cavalo! Eu tenho trauma do mingau de aveia horroroso servido na escola do Jardim de Infância do Exército!
Morcegos aterrorizaram as novenas dolorosas e obrigatórias no Colégio interno no Alto Paraguaçu!
Histórias em quadrinhos tive perto de 3.000, e desenhei só os Super-Heróis Shell!
Lembra dêles? A Música do Bom Menino tive a felicidade de ver aos meus 8 anos o Carequinha Canta-la no cinema de minha cidade em Rio Negro- Paraná, acompanhado pelos palhaços Meio-Kilo e provavelmente Vovó Mafalda!
AZnº 666 · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 12:32 
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AZnº 666,

Pena você não ser o mesmo Leiteiro. Me recordo agora que o outro, nos disse que era da Baixada Fluminense, Nova Iguassu, se não me engano. Fiquei mesmo na dúvida quando li que vocês ficaram só alguns meses por lá, no SAM. De qualquer modo, esta passou bem perto.

Grande abraço


Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 12:45 
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Valeu Cris,
Acho que esta história, assim contada, nos redime até daquelas rusgas dos gatos, lembra?
Bjs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 12:46 
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Salve, Spirito.
Quisera que todas as colaborações para o livro reminiscências de escola tivessem tanta essência educacional como este texto.
Sinto que a obra capitaneada pelo mestre Joca objetiva trazer do passado uma leitura de época através de experiências escolares (e o mínimo de amenidades pessoais de pouca contribuição educativa).
Destaquei uma importância nuclear no seu fabuloso texto:

A LEITURA - O mundo fora da escola, fora da leitura, também é uma prisão. E veja o que vc diz:

“aquela mala, quando aberta, revelou-se um portal de mil e um encantamentos, glória absoluta para um menino que necessitava, ardentemente, de uma saída qualquer para um mundo fantástico, um portal através do qual ele pudesse escapar daquela vidinha sórdida e humilhante de órfão na Escola-Prisão. Foi como se um mundo inteiro de cores e delícias, encaixotadas naquela mala, explodisse, igualzinho como explode um feliz boneco-palhaço de mola, nos levando do susto à gargalhada, pulando da caixa presenteada, exatamente, para nos fazer sorrir alguma felicidade fortuita.”

OS SONHOS
– Quem não os tem não vive; e else podem ganhar asas a partir do hábito de leitura:
“Os meus sonhos de voar devem ter começado também ali, naquela época da mala. Eram sonhos muito reais. Difícil aceitar que não eram a mais pura realidade. (...) ”Dava um pulo para o alto e levitava um pouco, ainda de pé. Dava outro salto e conseguia me manter flutuando no ar. Subia, alcançava as nuvens e ficava por lá, passeando pelo céu, sentindo o frio gostoso da brisa úmida que transpassava as nuvens. Como continuei a tê-los, por muito tempo, sei que eram claros sonhos-desejo de fuga, sonhos de liberdade.

O PROTAGONISMO – Ser livre é sentir-se protagonista de sua própria vida, ter a capacidade de fazer e de criar, pois a força do homem está no seu imaginário:
“E lá estava eu, me sentindo o rei de todos os mares da imaginação, olhando não menos emocionado que o meu inspirador, o meu próprio rabisco sendo admirado pela intrigada garotada.”

Há muito mais do que meros sentimentos para gararimpar na sua obra.

Muito bom. Parabéns.
Frazao my brother · Anastácio (MS) · 18/2/2008 12:52 
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Pena é o Catete, a minha estada no Sam e o outro Colégio foi um PicNic perto da sua! Estivemos lá por 1958-60!
E trate de copiar minhas opiniões pois eles estão deletando na votação!
AZnº 666 · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 13:37 
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Frazão,
Você veja como é bela a vida: Me esforcei, ao máximo, para descrever quase visualmente, as situações para não contaminá-las com a minha opinião e estou achando o maior barato, poder ir me surpreendendo agora com os sentidos e os conceitos que as situações sugerem a uns e a outros. Nem havia me dado conta desta possibilidade. Isto é um prêmio para mim.

Leiteiro,
Não falei ainda, mas, repara só que muitas daquelas coisas que você contou da sua experiência bateram com o que eu escrevi sobre as minhas. O quanto de tempo cada um viveu por lá, não importa muito. Comparando os nossos relatos dá pra ver que ficamos marcados para sempre.
Me lembro agora que eu ficava lendo os teus comentários hilários, dando força para eles virarem matérias (o Nato até comentou que eu era o único que lia os posts do Leiteiro, lembra).
Era uma mágica empatia ligada a experiência no SAM, da qual a gente nem tinha comentado nada ainda.
Viver é mesmo um mistério insondável.
Os comentários deletados acho que são os 'de edição' (que não valem mais depois do post publicado). Selecione o 'postar novo comentário' que fica tudo certo.

Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 15:02 
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Leiteiro,
Em tempo:
(Salvei teu comentário inicial que estava na janela de comentários de edição, valeu?)

"É uma COICEdência, apesar de que no SAM nós, eu e meu irmão fomos uma Sombra com corpo. Não falamos com ninguém, e também não fugimos apesar de o grande portão ficar sempre aberto. Terror mesmo foi quando mudamos para a provavel Escola XV. Meu irmão jura que ela era atras da Quinta da Boa Vista, pois o pequeno quintal gradeado, diz ele que via os animais soltos. Não me lembro! Agora a do Leiteiro é dose pra cavalo! Eu tenho trauma do mingau de aveia horroroso servido na escola do Jardim de Infância do Exército!
Morcegos aterrorizaram as novenas dolorosas e obrigatórias no Colégio interno no Alto Paraguaçu!
Histórias em quadrinhos tive perto de 3.000, e desenhei só os Super-Heróis Shell!
Lembra dêles? A Música do Bom Menino tive a felicidade de ver aos meus 8 anos o Carequinha Canta-la no cinema de minha cidade em Rio Negro- Paraná, acompanhado pelos palhaços Meio-Kilo e provavelmente Vovó Mafalda!"


Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 15:06 
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Leiteiro,

A Escola XV era mesmo em Quintino, mas, esta lembrança do Nato faz sentido e merece uma investigação. O que ele descreve é hoje um presídio horroroso (fiz um show lá dentro ali por volta de 1980) chamado 'Galpão da Quinta'. Pelo que a lembrança do Nato sugere, o local devia servir de centro de triagem de presos (inclusive crianças) desde muito tempo atrás.
Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 15:11 
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Queridos Amigos:
Lembrei-me agora dos morcegos da torre do sino do Nato, outra simbólica coincidência. Aliás, elas são inúmeras no nosso livro, de deixar o leiteiro invejoso;
Só de cabeça:
Tanto o SAM, mal comparando, a Escola Agrícola do Agenor, a Escola de Pesca do Nivaldo e a Escola de Educação ao ar livre em que eu quase estudei, são criações do Estado Novo (ou foram criadas durante o Estado Novo)
Os Colégios Estaduais em que eu e a Cida Almeida estudamos em São Paulo e Goiania, respectivamente, completaram, como eu, aliás, 60 anos em 2007, os coroinhas Nivaldo e Nato. E isso é como falei, só de cabeça. Ah, tem também a poesia entrando na vida do Nivaldo e do Baduh (Dona Umbelina) pela boca dos mestres, Tem também o papel das músicas, mesmo as de cunho patriótico, que marcaram a vida de muitos de nós. E tenho certeza, se pensar mais um pouquinho, outras coincidências surgirão e o bom André Pêssego (que aparece em todo lugar, mas se finge de morto para nós) dirá: "Criança, não tem jeito, é tudo igual!"

beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 18/2/2008 16:10 
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Spirito, ainda vou encontrar alguem que nós conhecemos, mas a do Leiteiro voçe não reparou antes, porque usas ôculos fundo de garrafa, e porque te mandava as Histórias antes pelo Recado, daí quando postava não lhe convidava. Tenho umas 10 colaborações sobre Capoeira, com o Sub-título:
Texto de Leiteiro!
AZnº 666 · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 16:39 
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Spírito que anda (e encanta),

desculpe-me a demora, mas, como todos, também me emocionei com suas reminiscências de escola e, principalmente, me embeveci com a maneira com que você as registrou. Mais que ler, eu assisti ao seu texto. Explico-me: sua narrativa - e não sei se você concorda - tem um viés cinematográfico que se sobrepõe – eu diria quase que inconscientemente e de forma incontrolável – à indiscutível qualidade literária do texto, ressaltando-lhe toda a carga emocional que extasia e emociona. Por isso, se em vez de um texto fosse um filme, com certeza eu o incluiria no movimento nouvelle vague, seja pela narrativa original (sem concessões à linearidade), seja pela coragem intelectual com que você enfrenta seus “morcegos” (sin perder la ternura jamás) ou mesmo pela maneira lúdica e mágica de tratar os conflitos da infância preservando a visão crítica. Para ilustrar o que digo, cito comentário de Françoise Truffaut sobre Os Incompreendidos – seu primeiro longa-metragem (1959) e um dos títulos seminais da nouvelle vague:

“Aos quinze anos, fiquei internado no Centro de Menores Delinqüentes, em Villejuif, tendo sido detido por vagabundagem. Era pouco depois da guerra, havia um recrudescimento da delinqüência juvenil, as prisões infantis estavam cheias. Eu conhecia muito bem o que mostrei no filme: a delegacia com as putas, o camburão, a “gaiola”, a identificação judiciária, a prisão, não quero me estender sobre o assunto, mas posso dizer que o que conheci era mais duro que o que mostrei no filme.”

Claro que há diferenças, mas são ou não universos dramáticos semelhantes, o seu e o dele? Truffaut relutava em admitir, mas teve uma infância bem parecida com a de Antoine Doinel, protagonista de Os Incompreendidos. Amargou problemas com os pais, aplicou pequenos golpes e acabou confinado num reformatório juvenil. Mais tarde também exorcizou seus 'morcegos' e produziu uma obra de arte, como você aqui também comete.

Dito isto – e ainda que somente eu veja pontos de contato entre Os Incompreendidos e O Sapoti, o Gibi e o Guri –, você tem nas mãos, sem nenhuma dúvida, um argumento maravilhoso para um filme. Concorda?

Portanto, meus parabéns pelo belíssimo texto. Valeu a insistência visionária do Joca e a espera para lê-lo. Desculpe-me se me alonguei, ou se viajei na maionese, mas não resisti. Viva o Projeto Reminiscências de Escola, agora ungido pelo Spírito Santo!

Um forte abraço,
Nivaldo


Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 17:28 
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Spirito Santo
Página virada. Estava,,naquele tempo, magoada e com "delírius persecutórios". Cisas de coração partido.
Yemanjá, este ano, levou o episódio, depois que pulamos e rimos as "sete espuminhas"! :)
Deus te abençoe!
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 18:40 
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Desculpem-me, mas onde eu disse "Valeu a insistência visionária do Joca e a espera para lê-lo" deve-se ler: "Valeram a insistência visionária do Joca e a espera para lê-lo."

Abraços
Nivaldo
Nivaldo Lemos · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 19:16 
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Nivaldo,

Gentil demais o teu alentado comentário. Fico feliz que você tenha ficado animado com o que leu, afinal, qual é a finalidade de um escrito senão animar uma conversa e atiçar nossos miolos.
Quanto ao filme, é isto mesmo. No próprio texto já está dito, mais ou menos isto. Afinal, fomos nós, os homens, que inventamos o cinema que, imagino, funciona mais ou menos como a nossa imaginação.
Eu acho, inclusive, que a gente só aprende algo, de verdade, quando consegue gravar o 'filme' deste algo na cabeça. O resto é papo furado que a gente deleta.
E, não tem jeito, o papo sempre tem que ser longo, quando o filme é mudo.

Valeu,
Abs

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 18/2/2008 20:10 
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Spírito,
O que mais haveria de dizer sobre seu texto? Porém, digo-lhe: não chorei, a minha alma subiu aos céus, e optou pelo silêncio. Quase deixei de respirar para poder saborear cada palavra, cada detalhe de sua história. Para mim, é a beleza que se sobrepõe a tudo, me lembrando de Rubem Alves que nos diz que a beleza está no silêncio. E que esta beleza é Deus.
Nosso Projeto ficou muito mais bonito e valorizado com essa historia de sapotis, gibis, morcegos e guris. Simplesmente BELO! Grata e pabrabéns! Beijo grande.

Joana Eleutério · Brasília (DF) · 19/2/2008 08:40 
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Joana,
Como meu projeto antes secreto (agora revelado) é voltar a ser aquele guri, suas palavras são mais um empurrãozinho para esta trilha. Vou já já pegar a minha caixa de lápis de cor para escrever para você
um abraço agradecido e forte.

Bjs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 19/2/2008 09:23 
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Querido Spirito:
O mesmo sorriso com cara de doce gostoso: pelo menos a sua fisionomia, de lá pra cá, pouco mudou, a não ser o olhar, bem menos ingênuo. Aliás, sem qualquer motivo aparente!
Sabe, Spirito, eu estive pensando, e acho que o que diferenciou você dos demais guris ali aprisionados foi o fato de você estar ali não exatamente obrigado, mas quase em uma "missão" de solidariedade à sua mãe, um ato voluntário, portanto. Em outras palavras, mesmo na sua ingenuidade você sabia porque estava ali. Claro que uma puta responsabilidade assumida por uma criança de 5 anos.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho

Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 19/2/2008 10:12 
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Joca,

Neste meu 'Umbiguismo' involuntário (aliás - longe de querer me comparar- me lembrei do Graciliano Ramos, do Lima Barreto e do Franz Kafka, 'umbiguistas' notórios) devo reconhecer que você tem toda a razão. Esqueci também de contar no texto que, nesta época eu tinha uma idéia meio fixa de que seria padre um dia (imagine!). Tinha mesmo este negócio de 'missão' em mim (que aliás me levou a uma prisão real, quando adulto).
Agora, devo reconhecer que esta de eu mesmo me internar foi uma missão bem idiota. Não foi não?

Viu, como 'Umbiguismo' também é cultura?

Grande abraço
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 19/2/2008 10:29 
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Relato pra lá de emocionamente amigo Spírito. Arrepiou o cabelo dos braços... uma aula de várias disciplinas você deu aqui. Primeiro de estilística. Depois de coragem... Na verdade, você deu, sobretudo, uma aula de vida. Um abraço grande.
FILIPE MAMEDE · Natal (RN) · 19/2/2008 16:39 
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Nato,
Como absoluta questão de ordem, reproduzo mensagem recebida do Nato em meu perfil:

"MEU VELHO ("véio" é gíria baiana, só usada entre amigos, pelo menos na Capoeira)... não gosto das tais coincidências que meu irmão AZN-666 adora tanto. Acho quase tudo "uma forçação de barra", como se dizia nos velhos tempos.
Mas/contudo/porém/todavia, tem uma coisa que preciso dizer, depois que o JOCA me convidou para ver/ler teu texto e meu irmão já o ter visitado: nosso apelido LEITEIRO, no Morro onde nascemos, é herança do irmão mais velho Antonio Carlos (de Morais, só muito depois adotaria o AZEVEDO, da parte do pai), que teria roubado um carrinho de leite, nos anos 50, aquelas carroças puxadas a muque e que levavam um armário grande com caixas onde havia garrafas de leite.
Nascido em 1947, acho dificil que com 5 ou 6 anos êle tenha roubado alguma coisa, embora seu caminho adiante seria envolver-se com drogas e acabar na prisão por 2 ou 3 vezes.

ONDE ENTRA VOCÊ nisso tudo? Solamente tu puedes hablar, muchacho... a foto dele está em meu texto EXÉRCITO DA SALVAÇÃO
(www.overmundo.com.br/banco/exercito-da-salvação ), era grandalhão, chegaria aos 1,85m se não passasse a andar meio curvado, acho que por malandragem, até dar um jeito na coluna. Será que conheceste meu irmão mais velho? Tcham-tcham-tcham... tam!"


Pra começar, Nato. É incrível! O nome Antonio Carlos, me recordo agora, parece mesmo ser o tal 'Leiteiro' de minha história. Onde anda este seu irmão? Esteve em algum colégio do SAM? È bem provável que sim, porque, 'encrenqueiros' e órfãos naquela idade só podiam ter o SAM como destino.
Cadê ele, rapaz? Tenho outros fragmentos de memórias que podem ser comuns com lembranças dele. Esta seria a única forma de desvendar o mistério. Sim! Posso estar sendo traído pelo tempo, mas, o nome Antonio Carlos me parece, fortemente, associado a este cara.
Vou lá no teu post ver a cara dele (acho difícil, já te disse, reconhecer uma fisionomia depois de tanto tempo, mas, vou lá).
Acesse ele.
Grande abraço de irmão de SAM
Caraca! Que maluquice esta história.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 07:19 
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Nato,
Em tempo:

Como também já lhe disse, eu e seu irmão somos, exatamente, a mesma idade pois também sou de 1947. Também aí, tudo a ver
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 07:21 
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Fechada a votação!
Felicidades, Spirito!
crispinga · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 07:49 
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Spirito que maravilha, me emocionei, voltei no tempo tambem. Sua narrativa é esplêndida, nao há o que falar. Passei para minhas netas e sobrinhos lerem.

beijos
sinvaline
Sinvaline · Uruaçu (GO) · 20/2/2008 07:57 
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Spiríto, meu irmão, é melhor a gente acender uma vela! Adotei este apelido do meu irmão, pois andava com ele no meio da malandragem, (tinha uns 15 anos) aí ele teve que optar entre ficar neste inferno, (é aqui na terra mesmo) ou ir para o céu mais cedo! Saiu "batido" do RJ para Goiás, aonde constituiu família! Aí, eu que era Leiteiro II, passei a ser Leiteiro!
Saber se o seu Leiteiro era ele vai demorar, pois a encapetada EX-Cunhada separou-nos!
Oremos!
AZnº 666 · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 12:18 
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HQ: Conheces-te a Família AFFE? Ficava uma Estação de pois de Padre Miguel! o AFFE refere-se aos nomes dos 3 filhos e do Pai.
Tinham a coleção completa de Xuxá e Tigrinho a mais fabulosa HQ que li na minha vida!
AZnº 666 · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 12:24 
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Não sei quem são os AFFE, por esta sigla não sei quem eram. Contudo, sou de Padre Miguel até os 21 anos morei por lá) A estação depois de Padre Miguel chama-se, até hoje, Guilherme da Silveira.
Abs
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 12:40 
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Mano, Meu Caro Spirito de bom espírito,
É, verdade - assim se luta, assim se deve lutar - comprendendo a luta de peito aberto. A fuga não é uma luta. Embora às vezes a fuga seja daqui para lutar a li. Mas, mais não posso dizer, a não ser
Admirável, em tudo
um abraço, andre.
A tua mala - com certeza, irmã da que um dia enchi de coisas,
(e elas não eram muitas), e rumei mundo afora
Andre Pessego · São Paulo (SP) · 20/2/2008 17:37 
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Mano André,
Pensando bem, tudo que precisamos ter nesta vida cabe mesmo, folgadamente, em uma mala, não é não?
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 17:57 
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Para estômagos fortes, aqui vai uma parte da história do SAM, suas conseqüências e incompetências.

Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 18:06 
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Querido Spirito:
Quero que leia (ou releia) a minha contribuição (uma das primeiras) Reminiscências escolares: os primórdios! depois me diga o que achou. Fico aguardando. Talvez seja melhor por e-mail. Alias vc ainda não estreou po e-mail do grupo.
beijos e abraços
do Joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 20/2/2008 18:32 
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Joca,

Vou lá, assim que puder (daqui a pouco). Por hora estou usando o pouco tempo cuidando aqui do post novo.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 19:25 
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Realmente emocionante teu relato. Um prazer e um privilégio poder ler e acompanhar o projeto Reminiscências da escola. Viva o Overmundo e esta rede de histórias que se produz aqui.

Um grande abraço, Luciana
Lu&Arte · Porto Alegre (RS) · 20/2/2008 19:39 
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Lu&Arte,

Rede de histórias. Nada mais apropriado para um livro virtual (ou seria livro on line? Netlivro, sei lá. O nome é mais fácil. Difícil foi o que o grande Joca fez.
Viva o OverJoca! De Oeiras para o mundo!
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 20/2/2008 20:02 
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Fragmenstos de lembranças... A base sobre qual construimos nossas vidas e nos tornamos o que somos...
Uma história de vida emocionante, num texto primoroso.
Nydia Bonetti · Campinas (SP) · 20/2/2008 22:27 
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Nydia,

Agradeço, honrado.
Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 21/2/2008 07:22 
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Alguns que publicamos aqui queremos, sim, muito, que nos leiam. Eu desejo isto. Que dizer de quem já publicou impresso, em tempos tantos idos ou mesmo atuais. Atendi a um convite para apresentar a Overmundo e ao mundo uma biblioteca popular comunitária. Fi-lo com a que um povo lindão mantém na Lomba do Pinheiro, a leste de minha cidade, já com 30 mil volumes e visitação crescente de associados. Convido-vos a visitá-la.
Grato.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre (RS) · 21/2/2008 09:11 
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Querido Spirito:
Assim você me deixa constrangido!
beijos e abraços
do joca Oeiras, o anjo andarilho
Joca Oeiras, o anjo andarilho · Oeiras (PI) · 21/2/2008 09:30 
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Joca,
Fique não. Tenho tido a sorte de ser um dos protagonistas de várias tentativas de transforma virtualidade de nossas relações aqui no Overmundo e produtos concretos mesmo. Duas destas possibilidades estão em franca realização. Uma do nosso valoroso Mansur (o CD do Grupo Vissungo já está quase pronto para pleitear a Rouanet) a outra é o Overlivro que, como todos podem ver já é pura concretude.
Grande Joca!


Spírito Santo · Rio de Janeiro (RJ) · 21/2/2008 10:05 
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Querido Spírito,
não preciso dizer porque demorei tanto para chegar aqui.
Depois de passar a tarde no CTI com minha mãe, angustiada com a demora que ela vem apresentando em se restabelecer de uma vez, achei que ia tirar de letra essa leitura, passando por ela "em brancas nuvens". Qual o quê! Como muitos companheiros, chorei como bezerro desmamado não só pelas suas memórias, mas por todos os meninos que compartilharam e que continuam compartilhando com vc da cruel experiência de passar pelo SAM (como os três irmãos Azevedo