Enquanto pesquisas mostram que o brasileiro deixa a desejar no quesito leitura (menos de cinco livros por ano, em média - Ibope, 2008), o Prêmio Jabuti chega às vésperas de seu cinqüentenário simbolizando, mais do que nunca, a luta pela valorização do escritor e dos demais profissionais envolvidos na produção de livros.
Na tarde desta última quinta-feira, 28 de agosto, os 60 jurados da premiação definiram os 200 finalistas que vão à etapa final do concurso, que busca distinguir as melhores obras publicadas no ano de 2007. Essa seleção final acontece no dia 23 de setembro, na Câmara Brasileira do Livro, onde serão conhecidas as três melhores obras de cada uma das 20 categorias definidas no prêmio.
Hoje, a maioria das notícias acerca do Jabuti que chegam a se tornar relativamente populares entre o grande público refere-se aos prêmios de Melhor Livro de Ficção e Melhor Livro de Não-Ficção (R$ 30 mil neste ano para cada um — resultado a ser conhecido apenas no dia 31 de outubro). Poucos sabem que, além dos dois prêmios maiores, o Jabuti elege as três melhores obras de 20 categorias distintas, que vão do conteúdo dos alfarrábios (Poesia, Contos, Crítica e Tradução, por exemplo), a outras atividades não relacionadas necessariamente com a escrita (como ilustração, capa e projeto gráfico).
Por fim, o prêmio ainda distingue produções voltadas para campos profissionais específicos (Direito, Psicologia, Arquitetura, Economia e Reportagem, entre outros), contemplando de forma diversificada os vários segmentos e tipos de profissionais envolvidos no setor. Justamente nesse sentido, Rosely Boschini, presidente da CBL, destaca a importância do prêmio: “O Jabuti homenageia os diversos segmentos atuantes na produção de um livro. Em função disso, tornou-se um autêntico patrimônio cultural brasileiro, reconhecido por todos que têm no livro um objeto de paixão”.
No Prêmio Jabuti deste ano foram inscritas 2.141 obras. Ao todo, o primo da tartaruga concederá a monta de R$ 120 mil aos vencedores desta edição (além dos dois prêmios de R$ 30 mil, o primeiro lugar de cada uma das 20 categorias recebe R$ 3 mil).
Bem: o réptil quelônio está fazendo a sua parte; o que falta é o poder público fazer a sua e promover ações que realmente fomentem o mercado editorial e a cultura literária, em detrimento de eventos pontuais, que muitas vezes servem a interesses imediatos, mas que não colaboram significativamente para a transformação de nossa realidade cultural que se apresenta aquém do resto do mundo desenvolvido (e do idealizado por nós, escritores e apreciadores de bons livros).
* texto postado originalmente aqui.
Muito oportuno. Devemos valorizar o que vem da alma e sentimentos de nossas raízes. Defender o que é nosso, pois uma nação sem cultura simplesmente não existe. É massa manipulada!
Saúde e Paz. jbconrado.
Certamente, este é um dos mais importantes prêmios literários do país, senão o mais importante, principalmente pela abrangência ao apr da seriedade já mais que comprovada.
Concordo com você sobre a necessidade de incentivo dos governos para quem a cultura se resume a esporádicas ações destinadas mais à satisfação da mídia que à valorização dos agentes culturais populares.
Muito bom o seu artigo.
beijos
Viva o Jabuti que carrega livros nas costas !
votado !
abs
Confeso que sou quase um completo ignorante em relação ao Prêmio. Desde criança ouço falar dele e sei de sua importância como o maior prêmio literário nacional, mas o próprio prêmio não se promove, não se faz conhecer. Uma pena...
Marcos Pontes · Eunápolis, BA 4/9/2008 17:41
Sem educação é difícil! Ainda dizem por ai que o Orkut educa letradamente, contribuindo para o fortalecimento da leitura e da escrita por parte dos jovens. Ora, como educa letradamente se o que é digitado não passa de duas linhas, não tem conteúdo racional científico e principalmente, contém as pragas das abreviações e dos neologismos como por exemplo: vc, miguxa, duença, bj, kd, tc, abç, tdoro, tquero, studar, etc. Fica evidente que os jovens e adultos "adolescentes" não dão a necessária importância para o Prêmio Jabuti, e os raciocínios desenvolvidos por eles, podem ser comparado com quantidade de livros lidos por ano e os "textos" apresentados na página de relacionamento. No máximo três linhas!
Pergunte para os jovens e adultos "adolescentes" se conhecem o Prêmio Jabuti, ou se eles conhecem e se relacionam pelo Orkut.
Verdade, Carlos. São os "tempos modernos"... por isso eu queria nascido há umas décadas atrás... (mas, claro, queria também que já houvesse o word).
Ewerton Martins Ribeiro · Belo Horizonte, MG 8/9/2008 20:30Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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