Twitter, Facebook e Orkut são nomes popularmente utilizados para denominar as redes sociais. Mas, será que de fato, ter acesso a uma ferramenta na internet é garantia de maior participação e democratização ?
É importante questionar o modo como a revolução digital alterou o exercÃcio do jornalismo, a construção das notÃcias e a participação dos públicos neste processo.
A possibilidade de o cidadão, dotado de equipamento portátil "noticiar" um fato e poder enviá-lo e vê-lo publicado em portais dos grandes periódicos alterou os rumos da construção das notÃcias. Neste sentido, jornalismo cidadão tornou-se um nome frequente.
Mas, o que grande parte dos veÃculos esquece, é que o conceito de cidadania tem vários significados e não se refere a um grupo estanque de pessoas, mas, sim, ao conjunto heterogêneo de seres humanos, com pensamentos distintos. Dizer que há apenas uma cidadania é recorrer à simplificação do conceito.
A cidadania, entendia como possibilidade de participação ativa na esfera social e polÃtica do indivÃduo no meio em que está inserido e transita, compreende várias dimensões, e uma delas, por vezes , esquecida, é o acesso à informação. Após a reabertura polÃtica, nos anos 80, os meios de comunicação passaram a ser vistos como esfera potencial para práticas cidadãs, em defesa da justiça e luta. Porém, não é o que tem ocorrido.
A tão proclamada sociedade em rede e sua esfera virtual, criam barreiras, quando pensam estar incluindo., sendo muros, ao invés de portais de informação. Tal fato é notório nas chamadas "seções colaborativas" dos jornais em sua versão on-line. Apesar da presença de slogans como "aqui, todo cidadão é repórter", os sites não respeitam conceitos fundamentais como a acessibilidade das interfaces na web, excluindo pessoas que possuem necessidades especÃficas e desejam contribuir, enviar dados, construir suas notÃcias e que são "barradas" pelas paredes construÃdas, impedindo a prática de um direito fundamental: ter acesso à informação e participação nas discussões em voga nos rumos polÃticos e sociais do paÃs.
O jornalista Andrei Bastos, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB- RJ, conhecido por sua atuação militante em defesa da acessibilidade e inclusão social, explica que acompanhou o processo de informatização das redações e que a rotina profissional também foi modificada. Bastos iniciou a carreira aos 19 anos de idade, no Correio da Manhã, no ano de 1970.
" A internet não só impôs novas configurações aos sites dos periódicos, levando-os a ampliarem seus espaços de colaboração opinativa e informativa, como tamvém determinou o mesmo nos jornais impressos, que hoje buscam um novo lugar nesta era da informação em que vivemos e que se caracteriza pela interatividade entre os veÃculos, impressos ou virtuais, e seus públicos", afirma.
O jornalista acredita que à participação do público se relaciona uma transformação da democracia representativa em participativa, na qual todo cidadão é polÃtico. Ele aponta o trabalho de conscientização como um caminho para que a comunicação horizontal, inclusiva, seja, de fato, implantada. "Só um trabalho intenso pode fazer com que essa "invisibilidade" acabe e todos sejam incluÃdos, a exemplo do projeto jornalÃstico Inclusive, a Revista Digital de Direitos Humanos, Cidadania e Inclusão Social.
Para Bastos, a vontade polÃtica dos excluÃdos, com ou sem necessidades especÃficas, seja no campo da mÃdia ou sociedade em geral, é a chave da transformação. "Para isso - o que já vem sendo feito há bastante tempo pelas pessoas com deficiência - é preciso mostrar a cara, botar o bloco na rua e lutar por direitos", conclui.
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