Recordar é viver

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Tom Coelho · Cotia, SP
18/12/2016 · 0 · 0
 

“A vida é uma viagem a três estações:
ação, experiência e recordação.â€
(Júlio Camargo)



Tenho por hábito reservar algumas horas nos últimos dias que antecedem minhas férias de final de ano para organizar papéis e arquivos diversos. São práticas triviais como descartar documentos cuja guarda é desnecessária, reunir materiais similares em pastas únicas, selecionar objetos que possam ser doados. É um procedimento que passa por gavetas, armários e até meu computador, e que embora pareça meramente operacional, reserva-me grandes surpresas...

Em uma pasta suspensa, por exemplo, deparei-me com uma grande quantidade de trabalhos escolares produzidos há cerca de uma década por meus filhos mais velhos, hoje com 18 e 16 anos. Um material singular que me conduziu a uma viagem no tempo, à época em que estavam sendo alfabetizados. Os primeiros traços e letras, os desenhos coloridos e pueris, os singelos presentes a mim ofertados em datas comemorativas.

Em outro momento, acesso um livro de ata utilizado para colher depoimentos de amigos que compareceram ao lançamento de meu livro “Sete Vidasâ€, há cinco anos. Palavras generosas como só os verdadeiros amigos sabem redigir. Envio um e-mail para um e telefono para outro, resgatando um pouco da relação distanciada pelo tempo e pelo espaço, porém não arrefecida em ternura.

Mas a grande viagem astral ficou marcada por um arquivo reunindo materiais de uma empresa que construí há exatos vinte anos. Anúncios em jornais e revistas, entrevistas publicadas em jornais, fotos de um tempo em que eu tinha menos barba e mais cabelo. Um jovem idealista, repleto de certezas equivocadas, que viria a se descobrir apenas uma década depois.

Entretanto, nenhum sentimento se compara à emoção de casualmente ter em minhas mãos uma caixa de sapatos contendo algumas dezenas de jogos de futebol de botão. Uma brincadeira que me acompanhou durante a infância, quando eu jogava, ora sozinho, literalmente narrando a partida, ora contra colegas com os quais promovíamos torneios. Contudo, a emoção não estava nos brinquedos, embora as lembranças fossem suficientes para fazer marejar os olhos, mas sim nas poucas palavras escritas na tampa da caixa para identificar seu conteúdo: a caligrafia era de minha falecida mãe.

Naquele momento, sentado com a caixa no colo, eu fitava o contorno daquelas letras e não podia conter as lágrimas. Quantas saudades! Como a perda de uma pessoa amada é dolorosa... Em verdade, é insuperável. Os anos passam e parece que aceitamos o fato, quando em verdade, apenas nos acostumamos e aprendemos a suportar e seguir em frente.

Nossas batalhas cotidianas são muitas e variadas, amplas e cada vez mais intensas. Nosso tempo é curto, embora a vida seja longa, mas o que realmente vale a pena é sutil, volátil e está ao nosso redor. Por isso, resgate seu passado para valorizar o tempo presente, e em lugar de presentes, ofereça sua presença aos seus amigos e familiares. Boas Festas!


* Tom Coelho é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de nove livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

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