Reforma agrária, uma luta de todos!

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Nós Ambiente · São Paulo, SP
25/9/2013 · 0 · 0
 


“A reforma agrária é hoje um direito da sociedade brasileira e uma obrigação do Estado, lutemos por ela como Manuel lutou.â€

Foram estas as últimas palavras do segundo dia do VI Seminário Internacional de Geografia Agrária, em João Pessoa (PB). Foram três espaços de discussão debatendo temas de importância significativa como soberania alimentar, conflitos socioambientais na Amazônia, resistência campesina, Reforma Agrária.

Nesse artigo, analisaremos a abordagem em relação à luta pela reforma agrária.

Ela foi abordada na Conferência que homenageava Manuel Correa de Andrade escritor, historiador, geógrafo, advogado e professor pernambucano. Grande nome da academia de estudos agrários, um dos principais estudiosos da realidade nordestina. Tem uma história de participação política bastante intensa, tendo se filiado ao Partido Comunista ainda muito jovem, sendo preso por duas vezes durante sua trajetória. Um dos principais pontos do seu grande legado são mais 100 livros publicados, muitos deles didáticos e adotados em vários colégios do país.

Dentre os principais pontos que foram abordados sobre o autor, fica marcado que Manuel sempre soube o papel da importância da luta em busca de justiça social em nosso país. Sua capacidade de entender que a luta pela reforma agrária está intimamente na luta das minorias. Sua visão à frente de seu tempo é de uma importância ímpar para todos os estudiosos, e principalmente a todos que vivem do campo.

O que importa destacar acerca de Manuel Correia é principalmente sua luta pela reforma agrária, sua paixão pelo nordeste. Ele mostrou a todo momento que o problema no semi-árido não era de ordem física era problema social.

Algumas considerações dos integrantes da mesa sobre Manuel Correia de Andrade e sua obra:

“A proposta de Manuel vai para além do debate dos anos 60, mostrando que a reforma agrária é hoje o instrumento mais poderoso que temos para fazermos com que a função social da propriedade seja alcançada em nosso país.†- Ariovaldo Umbelino de Oliveira - Dr. em Geografia, professor da USP

“Só compreende a pobreza da zona da cana quem convive com a zona da cana. De tudo que Manuel Correia de Andrade interpretou, o que se vê hoje é que quase nada mudou, principalmente do ponto de vista para mudar a realidade de convivência. O pior de tudo é saber que tudo que foi analisado, estudado, interpretado está pior do que estava quando foi estudado.†- Jaime Amorim, coordenador em Pernambuco do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, e membro da direção nacional do movimento

“Em 1969 ele já era convicto de que a reforma agrária deveria acontecer e que precisava que refletisse a diversidade existente no país. A modernização do campo para Manuel deveria ocorrer para melhorar a vida do camponês de modo a respeitar seu modo de viver.†- Maria Rosa Medeiros

Por fim, diante de tudo que o Nordeste vem sofrendo com o transtorno que se tornaram as obras de transposição do Rio São Francisco, cabe expor aqui o entendimento de Manuel acerca do assunto:

"Em 1983, desenvolvamos o São Francisco primeiramente em benefício dos são franciscanos." - Manuel Correia de Andrade

Não há como negar, como já se demonstra claro acima, a contemporaneidade da visão e obra do autor interpretado. Que todos os profissionais, principalmente os acadêmicos, possam beber na fonte rica que foi Manuel Correia e que saibam esgotar seu legado da melhor forma possível para que a luta por justiça social dos campesinos e das minorias em geral possa se fortalecer e que valores democráticos sejam postos em prática de fato.

24.09.13

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