SOLDADOS IDEAIS

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rochaharp · Salvador, BA
27/9/2011 · 2 · 0
 

Um relatório da ONG londrina afirma que milhares de crianças em todo o mundo são usadas como combatentes militares, pois, dizem que “elas são soldados ideais, já que não reclamam, não esperam pagamento e quando recebem ordem para matar, simplesmente cumpremâ€. Veja - http://www.youtube.com/watch?v=gpiiMVahrz0


A relação das crianças brasileiras com o conteúdo de muitos dos pagodes baianos e funks cariocas de hoje em dia não seria uma situação semelhante à das "crianças soldados" no vídeo acima?


É comprovada a importância de crianças, desde cedo, receberem vários tipos de informações musicais e é fundamental que tornemos viável o acesso para tal. Isso só estimula o senso crítico dos jovens, contribuindo para que, num futuro próximo, se tornem cidadãos mais conscientes. Ampliando o nível de informação musical, proporciona-se condições para a quebra de preconceitos em relação ao novo. Só podemos ter opções de escolha, se temos conhecimento! Outro fato é o de que as vivências das crianças com a música passam pela TV, rádio e aparelhos de som tocados através de DVD´s, CD´s e pendrives.


Por outro lado, a Bahia parece estar quase sempre de fora da rota de diversas atrações musicais que trazem novas informações e culturas. Desde cedo, sob a influência de algumas estações de rádios, programas de TV, amigos e colegas, e, por incrível que pareça, até mesmo nas escolas ou com os próprios pais dentro de casa, nossas crianças, estão sendo super expostas a uma música que reúne frases e gestos obscenos e vulgares, cujos autores afirmam tratar-se de apenas uma mera "brincadeira saudável". Acontece que existem diversos tipos de brincadeiras, cada uma com objetivos e conteúdos direcionados a determinada idade. Tudo tem limites. Em qualquer lugar que venda produtos, temos seções e setores que atendem faixas etárias diferentes. No supermercado, nas livrarias, nas locadoras etc. Mas não adianta existirem setores, se o responsável por classificar esses produtos é incompetente. Permita-se a uma reflexão sobre o que aconteceria, por exemplo, se filmes pornôs fossem colocados nas prateleiras da seção infantil de locadoras e, ao reclamar disto, alguém viesse nos dizer que se trata apenas de uma “brincadeira saudávelâ€.



As atuais letras de inúmeras canções do pagode baiano passam dos limites do bom senso e podem causar sérios danos no comportamento de uma criança, principalmente, se esta também for exposta às imagens de pornografia mascarada, existentes em videoclipes destas canções e que são reproduzidas por crianças, adolescentes e adultos não somente em festas onde tocam esse tipo de música, mas, em qualquer lugar e a qualquer hora. O conteúdo das frases e movimentos corpóreos de vários pagodes baianos e funks cariocas deveriam ser impróprios para crianças, pois, estes ainda se encontram em plena formação de valores. À medida que vão aprendendo a cantar e a dançar "simples versos de músicas", na maioria das vezes, ocorre um processo de influência e posterior definição de suas personalidades, onde, não raro, transformam-se, cada vez mais, nos próprios protagonistas das letras que cantam. Imagine o que isso significa para a sociedade se o verdadeiro sentido de tais canções sugere um coito sexual onde a mulher é apenas um objeto para satisfação das necessidades masculinas? Crianças crescem ouvindo isso e tornam-se, cada vez mais, fúteis, desprovidas de bom senso, adolescentes sem limites, fazendo dessa grande "brincadeira saudável" a sua realidade, aflorando precocemente a sua sexualidade e comportando-se feito bichos num estado de cio constante. A suposta brincadeira ainda sugere usar as mulheres e mandá-las cometer agressões contra si mesmas. “E ela já ralou (ralou a theca no chão) E ela já desceu (desceu com a mão no tabaco) Agora ela vai (esfregar xana no asfalto)â€. Onde está o duplo sentido nisso? Crescer ouvindo essas coisas é uma forma de criar “soldados ideais, já que não reclamam†e quando recebem ou efetuam ordens para “descer até o chãoâ€, “descer na boca da garrafaâ€, “dar a patinhaâ€, “tomar na caraâ€, “ralar a tcheca no chãoâ€, simplesmente cumprem, e, no meio disso tudo, de repente nasce mais uma criança. Para uma indústria do pagode que grita "sai do chão" aos seus consumidores e só se preocupa com a venda dos ingressos proporcionando o divertimento alheio, utilizando a "liberdade de expressão" de forma equivocada com brincadeiras ADULTAS de mau gosto, que há muito já saíram do duplo sentido para sentido único, tudo isso é muito lucrativo. A nova geração já nasce predestinada a tornar-se consumidora desta droga, contribuindo de forma eficiente no desenvolvimento de uma “cultura sustentávelâ€. No entanto, para as pessoas que mantém os pés no chão e que se preocupam com os valores que estão sendo passados às crianças de hoje, expô-las a esse tipo de brincadeira, significa roubar suas infâncias, induzindo-as à alienação, assim como fizeram com as "crianças soldados".

Assista aos vídeos abaixo, um a um, e imagine a sua filha (o) de apenas cinco anos aprendendo os "valores" que são ensinados ali. Seria educativo para as crianças brincar disso? Imagine ela (ele) cantando versos como “quando ela desce, entra, quando ela sobe, sai, machuca, machuca, machuca, ho passa nela, na cara dela†entre outras pérolas como “Tá chegando a hora de você sentar, a mina de Cajazeiras já tá pronta pra sentar, a mina de São Caetano já tá pronta pra sentarâ€. Como explicar o conteúdo obsceno dessas letras para uma criança que já nasce e cresce consumindo esse tipo “músicaâ€? Os jovens afirmam que tudo não passa de "dança e letra inocentes" e que "a maldade está na cabeça de quem critica". Difícil acreditar nisso ao ler as letras dos pagodes de bandas como Black Style - http://www.letras.com.br/black-style - e assistir vídeos como esses:


" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=4LIjuxQPFGk&feature=related">
http://www.youtube.com/watch?v=4LIjuxQPFGk&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=6lJ4KO8kk7k&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=dcOBs93YAVU&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=uVtGymTlouA&feature=player_embedded



Robson Costa - o "Robysão", vocalista da banda - afirma em vídeo no youtube que "o sucesso não é da banda, o sucesso é de vocês", referindo-se ao grande público consumidor e apoiador dessa música. Ele complementa que "nenhum político tem direito de censurar o que o povo gosta" e que "com todo respeito, a deputada Luiza Maia está sendo contra o gosto popular", a qual pretende proibir a contratação, com dinheiro público, de bandas cujas letras das músicas, segundo ela, são depreciativas e desmoralizam a mulher. Ele também afirma neste link de youtube que, na realidade, tendo o pagode como alvo, a deputada quer mesmo é "se destacar na política".


Alex Max - Vocalista do Saiddy Bamba - afirma em entrevista no fantástico que "a gente faz as letras pra elas e elas mesmo gostam do nosso trabalho". Depoimentos desta natureza não levam em conta que esse público ao qual eles se referem, em sua maioria, já é o de “soldados ideaisâ€, pessoas sequeladas psicologicamente, pessoas que nasceram e cresceram vivendo essa "porcaria". Seria como um traficante afirmar "a gente vende as drogas pra eles por que eles mesmo gostam de consumir" achando que isso os livraria de serem criminosos.



Deve-se ficar claro que não se propôs proibir o pagode de ser tocado, e sim, gastar dinheiro público na execução de pagodes que são uma ameaça na formação de valores. A lei pretende combater a desmoralização e o incentivo à violência contra a mulher, e não censurar um estilo ou ritmo musical. Nada contra o pagode! É possível fazer duplo sentido de forma mais inteligente e que não apresente depreciação à mulher ou ameaças ao desenvolvimento das crianças e, consequentemente, da sociedade.

Aliás, uma crítica construtiva ao projeto de lei da deputada Luiza Maia é que, em nenhum momento ela se refere à educação das crianças. Em seu discurso, ela cita o ato isolado da depreciação das mulheres, o que por si só já justifica a criação de tal lei, mas, não questiona a informação que está sendo passada para nossas crianças – meninas ou meninos. A crítica também vai para os próprios pais dos milhares de jovens brasileiros, até mesmo aqueles que não aprovam essas músicas, mas também não dão mínima atenção aos efeitos que esse repertório está causando em toda uma sociedade. As indústrias da “música quase pornográficaâ€, através das mídias de massa estão empurrando merda goela abaixo de nossos filhos diante de nossos olhos. Quem sabe, toda essa putaria dos pagodes baianos e funks cariocas possam ser fruto de uma repressão sexual por parte dos pais, das religiões e da sociedade? Isso é muito bem explicado no último parágrafo desta postagem do blog de Ebrael Haddai.


Precisamos acabar com o mau pela raiz. É preciso entender que Robson Costa, Alex Max e todos os outros artistas do gênero que produzem algo semelhante, além de todos os fãs desta piada de mau gosto a qual eles insistem em chamar de música, na realidade, também são vítimas de um descaso que o Brasil inteiro – formado por muitos políticos e eleitores - possui com a EDUCAÇÃO.





Programa do Fantástico.

http://www.youtube.com/watch?v=OIoablCE_9A



Depoimento dos "artistas" criticados.

http://www.youtube.com/watch?v=HiLTO82eHAg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=2h6H1kU6izs&feature=related



O blog abaixo explica direitinho sobre esse projeto de lei e seu verdadeiro objetivo:

http://melhorespublicacoes.blogspot.com/2011/08/teleanalise-de-malu

Assembléia legislativa da Bahia

http://www.lideranca.ba.gov.br/ultimas_noticias.php?codnoticia=1261

Outras matérias semelhantes

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5244068-EI6578,00-De

--
Atenciosamente
Luiz Rocha

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