VOIp, GSM, Bluetooth, PDA, Handhelds, SMS, WAP, CDMA, Wi-Fi, GPRS etc... Dados da ANATEL (Agencia Nacional de Telefonia) dão conta que já há no Brasil cerca de 95 milhões de celulares circulando. Em meio a tantas siglas, a classe média finalmente chegou ao paraÃso móvel/digital e trouxe junto com ela segmentos historicamente excluÃdos do acesso a bens materiais, especialmente daqueles objetos-Ãcones emblemáticos do status econômico de seus portadores.
Esse fenômeno carece de um olhar mais apurado acerca da popularização e explosão dos telefones moveis e suas representações numa sociedade claramente marcada por signos distintivos de classe e profunda desigualdade social.
Talvez, o que esses grupos - que historicamente estiveram fora da possibilidade do consumo de tecnologia de ponta - estejam querendo nos dizer é: ser cidadão hoje é mais do que poder consumir, é exercer a condição da mobilidade, ainda que no mesmo lugar.
A idéia de tecnologias móveis parece ser bastante emblemática dessa condição contemporânea. Literalmente, o direito de ir e vir, preceito constitucional tão caro à nossa republica, parece ser hoje o elemento distintivo do novo cidadão da pólis: ter um aparelho móvel digital, garante que TODOS (?) - brancos, ricos, mulheres, negros, homens, adolescentes, gays, idosos, portadores de dificuldades fÃsico-motoras - somos iguais? (???), isto é, todos somos moveis, todos podemos ser rastreados, a despeito de nossas distinções e divergências de ordem polÃtica, religiosa ou ideológica.
Vivemos hoje aquilo que o sociólogo francês M. Maffesoli chamou de sedentarismo nômade. Engordamos por excesso informacional e vomitamos o que não queremos ver: dados estatÃsticos sobre a violencia contra crianças e adolescentes, morte de meninos e meninas de rua por grupos de extermÃnio, informações sobre polÃtica, economia e cultura cada vez mais cedem espaço nos tablóides e em outras mÃdias para noticias sobre as celebridades e suas novas aquisições afetivas ou materiais.
Aqui também celebramos a igualdade. Somos todos invadidos diariamente por mensagens e torpedos a vibrar em nossas bolsas, bolsos e ouvidos. Milhares de informações chegam até nós todos os dias sem nossa demanda ou anuência a nos advertir, avisar, convidar ou simplesmente lembrar que sua conta encontra-se em aberto até a presente data!
É o império da informação transformando a máxima de que saber é poder para saber é poder acessar.
Assim, navegamos entre as siglas e os inúmeros serviços oferecidos pelas operadoras de telefonia, ainda que a maioria de nós use o telefone celular apenas para uma ação tão prosaica e ultrapassada como falar.
Andar, falar, mover, acessar ou fazer tudo isso junto enquanto caminha é o ideal de paraÃso de qualquer jovem da periferia ou da high society . Aspiramos à s mesmas coisas, viajamos nas mesmas ondas digitais, pagamos pela mesma faixa de comunicacao e aportamos na mesma banda móvel.
Viajantes numa rede sem fio, estamos todos aprisionados por uma lógica invisÃvel que faz de todos nós meros acessórios numa era em que o ser humano é apenas o suporte e o aparelho é a estrela.
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