29 de março de 2011. Noite. Lançamento do livro "A folha de hera: romance bilingüe". Local: Biblioteca Pública do EspÃrito Santo. Movimento. Gente trançando as salas de um lado a outro. Sorrisos. Abraços. Encontros e reencontros. É fácil perceber que muitos ali se conhecem, talvez até de longa data. O resultado é um ambiente de amizade, alegria e ansiedade.
Amizade. O autor do livro, Reinaldo Santos Neves, é meu amigo. Todas as minhas palavras sobre sua literatura estão comprometidas por essa amizade - comprometidas pelo delicado dever da sinceridade. Mas, hoje, meu objeto não é a obra literária de Reinaldo, mas o lançamento de seu mais recente livro.
Cheguei tarde e saà cedo. Permaneci no local pouco mais de meia hora. O suficiente para abraçar prazerosamente o amigo autor e outros amigos e beber do ambiente inebriante a tal ponto que nenhuma outra alternativa me restou que não a de ir embora.
Alegria. Não me lembro de jamais ter encontrado, em uma biblioteca, ambiente tão alegre. Não é que desgoste de bibliotecas, pelo contrário, mas é que elas trazem em si uma sisudez intelectual, um silêncio canônico, uma pompa e circunstância que inibe a alegria, torna ela contida, a torna uma alegria menina, impúbere. Nada disso foi o que se viu e sentiu na noite de 29 de março de 2011. Nessa noite, a alegria transbordava, fêmea, sensual e transpirante.
Não sei explicar essa alegria. Fiz umas tentativas que me soaram grotescas - privarei o leitor destes sofrimentos. Talvez fosse o encontro de amigos que não se encontram mais com a freqüência que gostariam. Talvez fosse a presença de, perdoem-me a liberdade poética, dois secretários de Cultura - Dayse Lemos e Frei Paulão.
Secretário de fato e direito, Frei Paulão estava à vontade e cortês como convém ao dono da casa, e contribuiu para a alegria da noite. Dayse, ex-secretária, livre do peso da autoridade, fluÃa de uma roda de conversa a outra até mais bonita que antes e, não fosse sua discrição, roubava a festa ao autor.
Ansiedade. Talvez fosse porque é um novo livro. Um romance que nasce da tradução de outro romance - "A Folha de Hera" nasceu da tradução, feita pelo próprio autor, de seu romance já publicado "A Crônica de Malemort" para o inglês - processo que resultou em um novo texto, bastante modificado em relação ao original, e que foi novamente traduzido pelo autor para o português. Talvez não fosse por isso, mas havia uma ansiedade no ar.
Acho que era uma ansiedade pelo livro. Pelo prazer do cheiro de livro novo e da descoberta de aventuras novas e de novos arranjos de palavras que, afinal, são velhas. Talvez tenha sido essa ansiedade que fez a noite amiga e alegre. Não sei. Sei apenas que foi.
http://casa-de-joca.blogspot.com/
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