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Fred Teixeira
Extrema, MG
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Website: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=1514
sobre o colaborador
Sou filho da desorganização, dissolvendo e me espalhando como o pó negro que corre nas veias subterrâneas das metalúrgicas, entrando em vãos inacessíveis e dominando os roletes das esteiras, travando engrenagens com pedaços ocultos de metal fundido, matando os funcionários que removem as migalhas com pás de cabo curto aos poucos, mescla de carvoeiros e mineiros e limpadores de chaminé, imundos desmiolados, palermas felizes por um dia de trabalho penoso. Sou filho da fome, filho bastardo da fome que atormenta o cérebro mais que o estômago. Nos tempos joviais em que as pessoas partilhavam idéias e palravam discursos espiritualistas fui larva, crisálida no aguardo por um raio de sol que fendesse-me a casca. Ouvi os dilemas do mundo através do muro de gordura que me nutria. Nasci na madrugada do útero, um fórceps desgostoso na aurora da vida. Fui larva. É curioso ouvir o sabor da palavra dançando na língua. Larva. A língua é uma larva a serviço das ambições, instrumento úmido da elétrica massa cinzenta. Sou filho da língua, papila gustativa trancada na zona do amargor. Sou filho da forma informe, legado de um pardo crepúsculo que retornará. Prateado, dourado, rubro ou gris-metalizado, as cores de meu brasão não importam porque não possuo brasão ou família. Eu sou meu brasão e minha família e meu lema é "Não tenha brasão família lema". Sou filho das ruas, dos bares, sou filho dos copos que não recuam aos lábios rachados pelo frio ou carcomidos pela herpes, bailando em mãos macilentas e empestadas de mendigos bêbados que fedem e vomitam e defecam sob o olhar de todos e que ignoram o embaraço que provocam, que morrem e servem ainda, como indigentes, ao sistema que os ignorou em vida. Seus males são estudados em suas vísceras por alunos ávidos por medicina, como adivinhos observaram entranhas silvestres à procura de signos milênios atrás. Sou filho da ignorância das cátedras, filho da igreja que corroeu as estruturas racionais do mundo. Sou filho da fé, uma fé pálida e que não é a mesma fé de outrora, a fé dos fantasmas e dos espectros, a fé irreversível como a raiz que infiltrou-se nas reentrâncias fundamentais do vaso, como o câncer que dizima a próstata. Sou filho da próstata, cria insensata de um arrepio na região prostática. Eu sou a próstata no esôfago, a pele sensível da glande cobre-me o corpo todo aguçando-me o tato. Sou filho do toque maldoso da necrose, arauto da depravação, dissolução, desagregação: nada mais que um filho do caos.
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A curiosa e mui fascinante história de Domenico, o salteador florentino · Banco
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Soneto prostituído · Banco
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Sobre a dialética · Banco
Fred Teixeira, Extrema (MG) · 21/9/2008 18:23 · 98 votos
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